O Espetacular Homem Aranha 2 (TASM 2)

Por Matheus Araujo 

O reboot era necessário?” – Essa é a pergunta sensata que traduz o sentimento e assola os fãs do maior amigo da vizinhança ao longo de quase dois anos.

***SPOILERS CONSIDERÁVEIS***

Pra começar, TASM 2 se sai muito melhor que seu antecessor. Em 2012, nem adianta dizer que não, você chiou quando assistiu a The Amazing Spiderman (TASM). Eu chiei. Alguns chiaram internamente e ao longo de dois anos se convenceram que não e, apenas há algumas horas, sem a expectativa, sem a abstinência de 5 anos e a vontade de ver, enfim, o Lagarto, tivemos a chance de realmente gostar do primeiro para ver o segundo filme. E eu gostei.

Cara, vir depois dos filmes do Sam Raimi é um grande desafio. Principalmente, quando você conta uma mesma história e que ainda está tão fresca na memória com Tobey Maguire indo deitar e acordando fortão; agarrando Mary Jane ao apanhar toda aquela comida no ar; tentativas de lançar teia; a fase do Aranha- Humana; a morte do Tio Ben… Raimi havia estabelecido o personagem TÃO recentemente e, “pior”, TÃO bem.

Enfim, TASM. O nome do desafiante? Marc Webb. Nome ideal, mas seria o homem certo para esse trabalho? O cara tinha, literalmente, um filme. E um filme, (500) Dias com Ela, que nem de perto se relaciona com o gênero blockbuster. Um Amazing-Spider-Fucking-Man.

Bom, desconfio que ele tenha conseguido. Sem tanta honra ao mérito e, claro, sem ligar para gerações passadas, que já possuem um Homem-Aranha. Peter (Andrew Garfield) colando os dedos no teclado, apanhando a mosca e desafiando Flash pelo bullying alheio… Tão emblemático quanto o nosso. Não. Digo mais, melhor. A metade denominada de “(500) Dias de Aranha” por alguns é, pra mim, melhor que a do primeiro filme.

E por causa e efeito, todas as relações são melhores nesse reboot. Marc opta por par Gwen Stacy (Emma Stone), namorada ainda que bonita, decidida, inteligente e, sobretudo, mais interessada em Peter do que no Cabeça de Teia. Além dela, os tios também são mais presentes. Logo, sua relação com Peter não escorrega no clichê “Você não é meu pai”, pelo contrário, tio Ben é, nas palavras do sobrinho, um ótimo pai. Há também uma riqueza de emoções tão brilhante e rapidamente exploradas e diálogos tão naturais que se contorna um “Grandes poderes, grandes responsabilidades” com facilidade.

Nada é perfeito. Do outro lado dessa mesma balança, sinto falta de um luto. A vendeta de Peter como mascarado é uma iniciativa mais bacana que a de Raimi, no entanto falta… O ponto de partida existe, mas o contra-ponto da “responsabilidade de fazer o bem” se dissipa continuamente até a conclusão.

No entanto, a única peça COMPLETAMENTE fora de jogo é Connors. Aparentemente, bróder do pai de Peter, Richard, na-da desenvolve quanto aos pais ou à história não contada, senão por sua especialização em cruzamento de espécies. Muito melhor a sutil mensagem das lentes de contato de Peter. Falando nele, como o Garfield funciona! Mais talentoso que Maguire no drama e infinitamente mais engraçado.

Num âmbito geral, a falha de Webb mora nos pré-requisitos de um blockbuster. A ação é predominantemente decepcionante, fugindo dessa regra a micro-cena do Stan “The Man” Lee (o viril), ou a construção do clímax final, na qual os construtores de NY alinham os guinchos para o herói.

O melhor do filme?
O melhor do filme?

No mais, gosto da roupa inspirada no lutador (resumiu e homenageou legal), gosto da teia sintética, gosto do Peter skatetista – faz sentido, de onde mais viriam todas aquelas poses, todo aquele style ao se balançar por NY? Aliás, gosto da movimentação, apesar dos efeitos serem um pouco caídos.

E falar do design do Lagarto é quase como comentar da trilha sonora do filme. Por decisão unânime: uma bosta. (Ele usar por dois segundos o jaleco foi uma iniciativa legal, MAS que poderia ser melhor trabalhada. Exemplo: rasgando aos poucos o jaleco à medida que ele se desumanizava).

Nota: 5,5/ 10.

Em TASM 2, Peter Parker já assume o manto com as bandeiras dos USA (ou seriam as do U.K.?) há um bom tempo e o filme trata disso com uma naturalidade tão absurda que dá gosto. Os holofotes da mídia e do povo só têm olhos para o Amigão da Vizinhança. Holofotes que vão muito além do que o solitário Max Dillon (Jamie Foxx) um dia poderia desejar. E não é que no dia de seu aniversário, por motivos que todos já podem imaginar, Max obteria toda essa atenção? Não. Não, Max. Electro.

Vou tentar ser breve. Tentar, eu disse.

Ao contrário do que o uniforme possa sugerir, o filme não dá pra trás em suas diferenças com a trilogia passada. Ele aprende com seus erros. Só isso. O filme assim como Peter em seus dramas pessoais busca a simplicidade em si.

Marc Webb continua com seu excelente desenvolvimento de relacionamentos e puta direção de atores (se este reboot é superior – eita palavra delicada – ao “Raimi”, é na atuação). Aliás, até o que arriscava ser um tiro no pé, o Harry (Dane DeHaan), já que bateria de frente com o talentoso Foxx, foi uma bela surpresa. No mais, novamente aplaudo Garfield. O cara evoluiu e está ainda mais carismático enquanto no uniforme.

E como ressaltei acima, TASM 2 aprendeu com seus erros. Webb aprendeu a ser grande na ação. Por mais que use tanto slow motion que sua pancadaria pareça um quick time event (btw, parte que faz valer o 3D), é bem feito, é eficaz e, principalmente, empolga. O Aranha voltou a ser um blockbuster.

A ótima ação deve muito a Electro, vilão exclusivamente visual, no entanto importantemente auxiliada pela trilha do amado Hans Zimmer. Por mais que não seja um primor, há nela seus momentos de glória. Curioso é que tanto se falou mal desses aspectos no primeiro filme que reservaram um lugar todo especial para eles nesse aqui. E é foda. (Se bem que o tema forte é o do Electro. Ainda não há rivais para o tema heroico de Danny Elfman)

Outra correção fica por conta do visual. O já comentado uniforme está lindíssimo e, ao lado dele, toda Nova York. Cores vibrantes, alegres. Ideais para o acertado tom do filme. Nosso vilão também possui um design bastante acima daquele denominado Lagarto do primeiro longa. Aliás, todo o personagem é melhor que Connors, já que simplesmente é fruto da gozação da vida e bom por isso.

Contudo, é claro, o filme não se sustentaria na simplicidade do vilão cosplay do Dr. Manhatan. O acompanhando: o dilema da promessa quebrada de Peter ao pai de Gwen, que é bem dosado e coerente; além da retomada da história dos pais, que se sai muito melhor com didatismo, conteúdo e motivação com paridade em Gwen e no destoante Harry.

O jovem Osborn traz dramão pesado, quase que sem tempo para sorrisos. O antigo amigo de Peter retorna à NY quase que para enterrar seu pai e descobrir seu fatal destino. Aliás, o maior erro desse filme foi se levar por Harry e voltar- se, no final, para o drama.

aranha 2

Na pegada dramática, a cena crítica em particular foi bem realizada, trouxe uma espetacular consequência, entretanto, queria adiá-la um pouquinho. Por mim: fecharia com Harry retomando a Osborn; Duende caracterizado no próximo longa; e só no QUARTO, o Sexteto (Mr. Fears, você me deixou confuso).Fora isso, nessa franquia optaria pela ausência da MJ. Gwen tomou conta do meu coração e dói vê-la quase que subutilizada num filme de tamanha importância para a personagem devido à divisão de tempo de tela (bem feita, diferente de HA3) com a obsessão de Harry (a qual a urgência carece de sentido) e com o drama descontinuado de Electro – que ao fim, se resume à vingança de apenas um soldado biológico da Oscorp.

É isso. Em suma, o filme é alopradamente “bobo”. Coisa que o Raimi jamais faria, justificando o reboot. O público-alvo é a criança. E o Matheus que amou Homem Aranha 2 dez anos atrás, marejou ao se identificar parando um certo rinoceronte.

O poder do segundo filme prevalece.

Nota TASM 2: 7,5/ 10.

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11 comentários sobre “O Espetacular Homem Aranha 2 (TASM 2)

  1. Não tenho essa cobrança de “blockbuster”. Acho que o primeiro filme teve o objetivo cumprido, a origem do herói, mesmo deixando um pouco de lado a ação. Todos os personagens tiveram um bom desenvolvimento, conflitos coerentes e sentimentos que tornaram as atitudes justificáveis. Tio Ben cumpriu o seu papel e o luto menos dramático e mais rápido deu a oportunidade de vermos outras questões da vida de Peter Parker,o nascimento do Aranha e a relacionamento com Gwen Stacy . Tudo bem que o Lagarto ficou mais ou menos, mas ainda sim proporcionou cenas de luta o suficiente para tornar a obra mais divertida.
    Não consigo desgostar desse filme e não entendo o ódio de alguns, talvez seja porque já tenha me desapegado da primeira franquia.
    O único comentário que tenho a cerca do segundo filme é sobre a trilha sonora. As músicas eletrônicas das cenas de luta e de aparições do Electro são muito legais, porém aqueles rocks-pops de menina na puberdade me entristece um pouco.
    Parabéns pelo ótimo REVIEW.
    Nota TASM: 7/ 10.
    Nota TASM 2: 7,5/ 10.

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