Superman – Entre a Foice e o Martelo

“O ‘Camarada de Aço’ de Mark Millar é uma das releituras mais fantásticas do icônico herói da DC”

Por Luís Gustavo Fonseca

Da todas as histórias do Superman, a que de longe eu tive sempre mais vontade de ler era Superman – Entre a Foice e o Martelo (Superman – Red Son, no original), pois ela apresentava uma das premissas mais atrativas disponíveis: e se o destino tivesse feito com que o Superman tivesse caído na União Soviética, e não nos EUA? Como o mundo seria? Como o Universo DC seria?

Adianto: PQPQUECOISAFODA!

Provavelmente, Mark Millar é meu autor de quadrinhos favorito (depois de ‘The Man’ Lee), sobretudo porque ele é um dos roteiristas que mais li histórias até agora. E se em Kick Ass eu aprecio seu trabalho pela porradaria, e pela mistura de um ‘realismo’ com uma fantasia extravagante e sanguinolenta, aqui eu aplaudo pelo como ele faz ser crível o argumento do Superman socialista, e como a história se desenvolve a partir desta base.

Criado em um soviet na Ucrânia, o jovem Superman cresce sob a ideologia socialista, e tendo a sua natural boa índole, quando começa a ajudar as pessoas, acaba sendo “adotado” por Joseph Stalin, que pretende tê-lo como substituto, e como uma arma que finalmente possa derrotar os States na Guerra Fria, despertando a fúria e a inveja de Pyotr Roslov, um bastardo de Stalin.

Neste universo, Lex Luthor tem cabelo, é um gênio da ciência e é casado com Lois Lane (que ainda é jornalista). Jimmy Olsen trabalha para o governo, Lana Lang é uma menina de fazenda do interior da URSS (depois ela vira alguém que trabalha para o governo russo), o Batman é um cara que quer derrubar o sistema socialista e vira um anarquista foda, a Mulher Maravilha é a Mulher Maravilha, Atlantis é meramente citada, o anel do Lanterna é o que está na Área 51, a maioria dos vilões do Superman são criados pelo Luthor, e o Brainiac é como um Jarvis do Superman.

A história foi divida em 3 HQs, e é gostoso perceber como cada uma delas retrata um Superman diferente. Na primeira, ele é… Ele. Todo gentil, sempre pensando no próximo, ajudando a salvar inclusive os americanos (aqui leia-se americanos como “os moradores de Metrópolis”). Aliás, um Azulão (que aqui tem um de seus uniformes mais maneiros, preto com vermelho e com o martelo e a foice no lugar do S) BEM poderoso. Acho que eu nunca vi uma retratação onde ele voasse tão rápido, assim como lesse, e ouvia de tão longe, assim como enxerga. Depois de enfrentar uma espécie de Bizarro made in América, e com a morte natural de Stalin, mesmo que a princípio a contra gosto, o Superman se torna o presidente da URSS.

Não querendo entrar em muitos mais detalhes (mesmo porque são muitos), após colocar o Man of Steel no poder, Millar desenvolve a história num estilo meio ‘1984’, e altera alguns detalhes da história americana, que além de uma famosa troca entre presidentes, culmina com Luthor no poder. A obsessão do Superman por construir uma utopia socialista leva ele a fazer coisas ruins, como uma lavagem cerebral, mirando um mundo sem guerras, fome, doenças. Engraçado que, ao mesmo tempo que isso é (teoricamente) bom, isso é ruim. E o modo como o Millar fez isso, achei muito bem executado, de modo que, no fim das contas, o Superman é o cara ‘mal’ da história, enquanto o Luthor é quase (quase!) um herói.

A arte de Dave Johnson está à altura da história. Do uniforme super maneiro (e não só o do Superman), ao traço dos personagens, nada incomoda, nada deixa a história menos bela. E a colorização de Andrew Robinson também ajuda muito nisso, na ambientalização deste universo. Chamo atenção que os balões com os pensamentos do Superman são em vermelho e amarelo… As cores da bandeira soviética.

Imagem

O 10/10 não virá por 1 motivo: 1- A metade final da 3ª HQ ficou um pouco aquém do restante. Um tanto corrido, com uma ou outra coincidência, resoluções um tanto simplistas. E apesar do grande plot twist no final, a conclusão desse plot me pareceu um tanto confusa, reforçando o fato que ela aparenta ser “forçada”.

Finalmente, Entre a Foice e o Martelo é (e talvez sempre seja) a minha história predileta do Superman. Muito mais do que super recomendado (sem trocadilho). E meu Deus, quando é que vai ter uma animação dessa história? MUST. HAPPEN.

Nota: 9,5/10

Anúncios

Um comentário sobre “Superman – Entre a Foice e o Martelo

  1. Este é um dos melhores gibis do Azulão que já li e se não me engano foi usada como inspiração pra Superman: O Retorno, que foi um fracasso pelo erro de tentar revitalizar o herói feito por Chris Reeve.
    Bom, esta edição é realmente fantástica pelo conteúdo que você comentou e vale a pena ser lida e guardada na estante.

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s