[REVIEW] KILL BILL (Vol. 1 & 2)

“A vingança é um prato que se come frio.” – antigo provérbio klingon.

Por Matheus Araujo

É numa síntese perfeita das próximas quatro horas que se abre o quarto filme de Quentin Tarantino.

Além da profunda relação com a história que acompanharemos [a da mulher, ex-assassina profissional, que no dia de seu casamento fora brutalmente atacada por seu antigo time, o Esquadrão Assassino de Víboras Mortais, e que depois de 4 anos em coma, desperta com um justo desejo de vingança] , esses dizeres iniciais também evocam a relação com os orientais, isto é, toda a forte participação da arte nipônica/ chinesa, fora a quebra de expectativa com a procedência da sabedoria, que reflete a GRANDIOSA-GALHOFA-REFERENCIAL a seguir.

A obra inicialmente concebida como um único volume, devido à longa duração, foi dividida em duas partes, sendo a primeira delas lançada no outono de 2003 e a outra na primavera de 2004 (estações do hemisfério norte), pois assim era comercialmente mais interessante.

Se comercialmente funcionou, ok. No entanto, essa divisão gera o maior problema de Kill Bill: a inevitável comparação entre as duas metades.

O volume I é composto de uma vingança explosiva, principalmente, por muito se apoiar nos clássicos de kung-fu. A ação é uma constante na primeira metade. Seja na luta inicial de facas, na impecável sequência em anime (a primeira vez que vi Kill Bill foi numa madrugada na Globo, 2008 talvez… Mudando de canais parei justamente porque estava passando “desenho” aquela hora vadia do dia… Sabe quando a recompensa é muito maior do que o esperado? Pois é…), ou na fodástica batalha contra os 88 Crazy, em que a Noiva (Uma Thurman) honra a roupa amarela que usa. Ele até quebra ritmo em alguns momentos, contudo nunca perde certo invólucro marcial. Sei lá.

tumblr_m1cz230Zb51qhlg46o1_500
A sequência em anime… Fantástica!

Se o primeiro é porrada chinesa maluca, o segundo se limita a uma trocação de socos americana. Ou um Western Spaghetti. Existe emoção na ação, mas ela não é tão irada (todos os significados da palavra são válidos aqui). Claramente, a segunda parte não é tão fortemente ligada à cultura oriental quanto à primeira, o que eu considero uma fraqueza, e das piores, visto que o mais forte dela é Pai Mei, o sábio – pasmem! – oriental. É um “filme” que tenta deixar seu lado oriental, entretanto, que fica mais “feliz” quando o reencontra. Às vezes, devido às incoerências, o fato de ser apenas um filme não fecha…

O volume II se distancia ainda mais do I quando perdemos a Noiva. Durante o primeiro, se ela sai de tela, normalmente, você ainda está acompanhando sua visão, mesmo se é uma história que ela apenas ouviu, como a da O-Ren Ishii (Lucy Liu). No segundo, do momento em que o Bill entra em tela, todos outros coadjuvantes do esquadrão têm seus momentos isolados. (E alguns bem desnecessários…)

Outro fator que muito me incomoda em relação à Noiva no Vol. 2: Enquanto no primeiro há uma inversão de assassinatos para obter um clímax supremo, no segundo, somando ao fato dela não se vingar de Budd (Michael Madsen), não existe uma super-insana-batalha entre ela e o Bill (David Carradine). (btw, o encontro deles mais vale pela análise do Superman.) Cadê o cuidado da curva ascendente de vingança? Pô, só eu quero vibrar no final com um filme de kung fu?!

Entre as boas constantes ainda não faladas da confusa unidade de Kill Bill, encontramos o estilo e emprego inconfundível de músicas do Tarantino, que brilhantemente são conjugadas à bonita fotografia; aquela linha não-linear, mas discriminada em capítulos, que é um grande trunfo na organização dos volumes; a virada no final do Vol. 1; e todo elenco, do qual eu não riscaria o nome de um figurante.

10154433_10202976074715912_1746953201_n

Nota Vol.1 : 10/ 10.

Nota Vol.2:  6/ 10.

Nota Vol. Único: 8/ 10.

Anúncios

2 comentários sobre “[REVIEW] KILL BILL (Vol. 1 & 2)

  1. Argumentos muito falhos “Outro fator que muito me incomoda em relação à Noiva no Vol. 2: Enquanto no primeiro há uma inversão de assassinatos para obter um clímax supremo, no segundo, somando ao fato dela não se vingar de Budd (Michael Madsen), não existe uma super-insana-batalha entre ela e o Bill (David Carradine)”
    Isso não é um shounen

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s