Godzilla

Por Rafael Martins Leite

Por 50 anos o Rei dos Monstros tem trazido todo o seu charme reptiliano para as telas do cinema, teve mais filmes que James Bond, 31 ao todo. Ele já foi desastre ecológico, vilão, herói e até robô. Lutou contra monstros gigantes, mechas e até com o King Kong e o Quarteto Fantástico.

E agora retorna ao seu lugar ao sol, no que deve ser a sua melhor aparição. O filme não está nem perto da perfeição. O fato é que japonês não nasceu para fazer filmes live action, o trabalho sempre fica com efeitos especiais precários, atuação trágica, e plots aterrorizantes. Nos sobram, então,os representantes americanos do monstro, que também não fazem frente a nova produção.

Somos apresentados a um mundo onde a presença de seres gigantes já não é uma novidade. A produção original da franquia japonesa de 1954 é lembrada quando se explica a origem de todos esses fenômenos. E é nas terras do sol nascente, 45 depois, em que a destruição começa. Acompanhamos a família do engenheiro Joseph Brody (Bryan Cranston, eterno WW) e as desventuras dos mesmos envolvendo terremotos, radiação e lágrimas, muitas lágrimas. Quinze anos mais tarde, Joseph ainda busca a verdade escondida na área de quarentena próxima a usina nuclear de Janjira, e com o auxilio de seu filho Ford (Aaron Taylor-Johnson), vão descobrir que a coisa ainda estava por piorar.

É triste e meio contraditório com o que eu disse anteriormente, mas o grande Gojira é um tipo de coadjuvante em seu próprio filme. Cheguei ao cinema com a expectativa de mais um longa que se resumiria a um kaiju destruindo coisas. Depois de 20 minutos de exibição percebi que seria algo muito maior, uma homenagem em vários aspectos. Entretanto, o preço por essa ideia foi que o personagem principal teve seu papel reduzido, dividindo os holofotes com o desenvolvimento de seus inimigos.

Luta entre monstros gigantes é algo incrível, todo mundo gosta, e foi isso que Godzilla fez muitas vezes. Seja por maldade, para salvar o dia ou por puro esporte, eles estava sempre brigando com alguém do seu tamanho. Desta vez ele volta como o mocinho e nos dá mais uma prova do seu poder em campo de batalha e com um diferencial. Um background digno.

O que mais prejudica a obra é o ritmo. O que aguardamos para ver demora a acontecer, as explicações se estendem e o drama se alastra. Até que chega o momento esperado, somos agraciados com o inconfundível rugido da besta que seria seguido de uma batalha épica… Fecha no rosto da criança. Acontece isso o tempo todo. Dois minutos de excitação e aí, um balde de água fria. Acho que isso atrapalhou muito a apreciação da história, quebrou o feeling da ação que estava por vir e voltou pro drama familiar ou pra uma bomba atômica qualquer, naquele momento eu queria ver porrada. A culpa deve ser do Bryan Cranston , porque no Breaking Bad isso acontecia o tempo todo.

Seres se alimentando de radiação em um primeiro momento pode parecer irreal, porém essas aberrações realmente existem. As Geobactérias são micro-organismos capazes de transformar o potencial nocivo de matérias como urânio em eletricidade, isto é algo bem similar ao que os MUTO’s fazem. Talvez esses seres primitivos chegaram a coexistir com os demais que sobreviviam por fotossíntese e fagocitose (ato de uma célula ingerir outra), entretanto, na ficção eles ficaram um pouquinho maiores.

Em relação a atuações e efeitos, para mim estava tudo ok. Foi o suficiente para um total leigo no assunto não se incomodar. Ainda sim gostei bastante do visual dos monstros. A trilha sonora é a padrão, para filmes do gênero. Porém em determinado momento somos surpreendidos com a voz do Rei do Rock, Elvis Presley, cantando Devil in Disguise que por sinal é ótima.

De forma geral Godzilla teve um retomo merecido a mídia. É um filme coeso, complexo, até onde o é permitido, e divertido. Entretenimento, não foi o seu intuito no primeiro filme de 54, que é mais uma crítica, por outro lado foi o motivo de sua existência até hoje. E realmente podemos dizer que esse cara é o lagarto gigante mais divertido do cinema. Porra cara, ele tem um motherfucking halito atômico que decepa a cabeça dos inimigos! Isso é foda!

Nota: 7/ 10.

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14 comentários sobre “Godzilla

  1. Godzilla é uma fusão de gorila com baleia (gorira+kujira=Gojira) que resultou em um “dinossauro”. É um marco para a cultura pop atual. Foi o inicio de todo monstro gigante destruidor de cidades. É irmão mais velho do Ultraman, uma vez que Eiji Tsuburaya foi o principal responsável pela criação destes dois ícones.
    O filme realmente é uma bela homenagem a obra e mesmo deixando uma vontade de ver mais, espero que o espirito mercenário das produtoras deixem o gigante descansar mais um pouco.
    Continuem com o bom trabalho!
    Nota: 7,5/ 10.

  2. O filme parece estar dividindo opiniões, mas no geral, sai do cinema satisfeito. Está aquém do que eu esperava, mais aquém ainda se tiver na mente Pacific Rim. Porém, estou contente.

    O filme de fato se perdeu muito em dramas humanos, que eu acho que não deveriam ter sido o foco da parada. O filme quis ser sério, ao invés de entreter, e acho que por isso ele pegou o caminho. A preferência por mostrar os montros em meio a fumaça e névoa, além de, na maioria das vezes, em cenas noturnas, também prejudicou a obra.

    As lutas entre os montros é sensacional e muito bem feita. Godzilla provavelmente será o melhor herói do ano. Cada rugido da fera, mesmo em um cinema não IMAX, era de arrepiar. A trilha também se destaca positivamente.

    Porém, atuações não chamaram a atenção. Personagens clichês (principalmente o do “Kick Ass”), e gente do talento do Bryan Cranston (gigante que eu conheço pela fama, mas não tenho nostalgia de Breaking Bad) sendo subaproveitado deixam todo o plot humano ainda mais desinteressante.

    Um detalhe sutil, mas que eu fiquei muito feliz, foi o que a primeira vez que o lagartão teve seu nome dito na película foi com seu nome nipônico, e não o ocidental. Detalhe que, ao lado de outras referências e homenagens, deixam a obra mais bonita.

    A maior decepção com o filme fica por conta do 3D, porco, que nada acrescenta e deixa um filme naturalmente escurto ainda mais escuro, além de pesar mais no bolso. Optem pelo 2D.

    Finalmente, mesmo não sendo a badalação que eu suspeitava. Godzilla é um entretenimento válido. Para fãs de longa data ou novatos como eu, a conferida nas telonas é recomendada.

    7/10

  3. Godzilla: monstro alto pra cacete que não consegue dormir de costas; de excelente garganta; de nicho ecológico indefinido; e excelente nadador.

    Tão excelente nadador que é disso que o bichão do título faz em 75% de suas aparições.

    Ok, o diretor maluco quis não seguir o padrão blockbuster (vai ver nem pensou em fazer um) de um bom ritmo, uma ação distribuída… Quis construir as coisas, construir um momento máximo, um clímax… Ok, mas do que seria feita toda essa construção é muito importante. O problema é que se para um blockbuster essa construção não convencional não funciona, para um filme, em teoria, mais trabalhado, mais preocupado com história/ personagem/ monstro / coisa lenta da por… ele também não funciona.

    Começam num drama. Ok, o filme será pautado por esse drama, então. NÃO. Eles jogam o drama fora. Qual a relação da parte do Bryan Cranston com a do filho? Fora o sangue e o motivo para separar o Kick-Ass da família, nenhuma. Se o drama de não cometer o erro de seu pai no papel existe, ele é impedido pela infelicidade da escalação do Aaron Taylor-Johnson. Esse cara fez dois filmes bons (Kick-Ass e o Garoto de Liverpool) e expirou a validade. Carisma zero. Vontade que ele morra durante as cenas? Mais de 8000.

    Ok, mas se eles não vão desenvolver a pancadaria do monstro (mano, quantos coitos interrompidos… é falta de dinheiro? de criatividade?), não vão desenvolver o drama, como eles vão construir personagens pra sustentar esse filme aparentemente sem conteúdo? Pois é… Não vão.

    Pense nos personagens? Se tem um que conclui de forma válida sua participação é o do Bryan Cranston. Ele tem um ponto e prova esse ponto. O Godzilla, como você disse, é subaproveitado; o Kick-Ass só faz o papel de acompanhar e sofrer pelos monstros; todo mundo sabe que os militares não vão conseguir nada; e o Watanabi, o cara que entende o bichão, faz absolutamente NADA. Só sabe falar esse desgraçado.

    Se não desenvolvem personagens para desenvolver por tabela o rei dos monstros (entendi que esse fosse o motivo do filme do Godzilla não ser focado no Godzilla – até porque, seria difícil colocar um drama pra ele), o que os personagens fazem? O assistem nadar. É isso.
    Comparo muito com o Hulk do Ang Lee, que se preocupa DEMAIS em construir o “em torno”, ao invés de trabalhar de fato com o “objeto de estudo”. As diferenças são em que em Hulk há ação, e ação boa, no decorrer do filme; e que o clímax de Godzilla entrega mais do que a lutinha do gigante esmeralda (que péssima alcunha). Godzilla mal sabe entreter até os 10 minutos finais.

    O desenvolvimento do monstro se restringe a parte do Bryan Cranston (que inclusive possui as melhores partes do filme, ou pelo menos aquelas que você ainda não encheu o saco de ver, já que não tinha nada antes), quando o personagem questiona os acontecimentos do acidente como não forças da natureza como divulgado publicamente; e na contra-afirmação do personagem de Ken Watanabi, que diz que o nicho ecológico/ a profissão do Godzilla é o de trazer o equilíbrio de volta, justamente atuando como uma força da natureza. E fica por aí mesmo.

    Aliás, o roteiro além de fraco tem um furo (ou uma desatenção grave minha) razoavelzão. O Godzilla era um dos monstros que se alimentava da “energia” da Terra diretamente e que por conta da escassez foram pra baixo do oceano pra ficar mais perto dessa energia. Quando os outros monstros afloram por aqui, ele vem encher o saco por quê? É o protetor da humanidade? Sério que é isso mesmo? Os caras se referem a ele quase que como um predador natural daqueles bichos… Mas por quê? Se aqueles bichos competem com ele por energia, eles virem para a superfície é um favor que fazer pra ele; se o Godzilla é atraído pela energia que produzimos com umas biribinhas atômicas aqui em cima, por que ele só vai atrás dos bichos? ; se os bichos são a presa do Godzilla e ele se alimenta delas, porque ele mata e vai embora? Eu realmente devo ter dormido.

    Outra coisa. Apesar de fodona, aquela vomitada final na boca do bichão é bizarra. O Godzilla, o Godzilla aquele monstro de proporções celestiais (trocadilhos com o autor à parte), fez um ATAQUE FURTIVO. UM ATAQUE FURTIVO.

    O filme pode ser relativamente bem feito e respeitoso, mas, pra mim, não se sustenta. De bom temos Bryan Cranston; o visual e o som; as locações, achei maneiríssimo ser São Francisco o palco da batalha final, uma cidade da junção do oriente e o ocidente; e uns raros momentinhos com o Godzilla, o que talvez prove que se o filme tivesse maior participação do monstro, seria melhor (para mim, ao menos).

    Nota: 3/ 10.

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