[REVIEW] X-men: Dias de um Futuro Esquecido

“No retorno de Bryan Singer, diretor faz bom filme, mas a cronologia…”

Por Luís Gustavo Fonseca

Lá em 2000, o mundo foi presenteado com X-men, filme dirigido pro Bryan Singer (Os Suspeitos) e que foi, provavelmente, o responsável por fazer todos os demais filmes de super heróis feitos desde então existirem. O longa, além de ter qualidade (talvez não tanto técnica, mas em questão de história e atuação), foi rentável, e mostrou que os filmes do gênero poderiam ser um bom negócio.

Três anos depois, tivemos o ainda melhor X-men 2 (o meu favorito da franquia) e, após Singer ter optado por dirigir Superman Returns, a coisa desandou com X-men 3, de 2006. Trilogia ‘fechada’, tivemos o DESASTROSO X-men Origins: Wolverine e ,apesar de uma certa fadiga da franquia, fomos surpreendidos com o ótimo X-men First Class e por último, com o aceitável Wolverine: Imortal.

Nos atenhamos, brevemente, ao First Class. Quando foi lançado, em 2011, se pensou que tratava de um reboot, afinal a trama se passa nos anos 60 e, aparentemente, desconsiderava a cronologia como um todo. Singer estava como produtor, mas o responsável pelo ótimo trabalho foi Matthew Vaughn, do também muito bom Kick Ass. O filme não é apenas bem dirigido, mas conta também com uma trama que prende, dramas pessoais interessantes, trilha que dá gosto, e boas atuações, encabeçado por um trio composto por uma ainda não tão famosa Jannifer Lawrence, um satisfatório James McAvoy, e um dos melhores atores desta nova geração, Michael Fassbender – sem contar o Kevin Bacon.

Então, tivemos o retorno de Singer à direção (o que em parte, lamento). Dez anos após realizar aquela belezura do X-men 2, o diretor prometia algo ousado: juntar a trilogia antiga com os novos filmes, e tudo fazer parte da mesma cronologia.

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Uma pesquisa rápida na Internet, para quem tem memória fraca, será o suficiente para observar como tal tarefa parecia impossível, devido a várias inconsistências existentes nesta linha do tempo, sobretudo devido à entrada do First Class na dança. E como se resolve isso? “Simples”: com uma viagem no tempo.

Dias de Um Futuro Esquecido é um dos arcos mais famosos das histórias do grupo mutante. Publicado em 1981, a trama relata o retorno de Kitty Pride ao passado para impedir que ações levem a um futuro onde os mutantes são dominados pelas temidas Sentinelas, robôs exterminadores de mutantes criados por Bolivar Trask.

O filme se diferencia um pouco disso. Num futuro apocalíptico onde nem mutantes, nem os humanos tiveram um final feliz, uma equipe de mutantes batalha por sua sobrevivência. Porém, com a união de forças de Magneto e do Professor Xavier (Ian McKellen e Patrick Stweart, respectivamente), e devido à capacidade de regeneração, decide-se que Wolverine (Hugh Jackman) volte no tempo, através de uma viagem de sua consciência, feita pela Kitty (Ellen Page) (Eu não sabia que ela tinha esse poder, mas tudo bem), com objetivo de impedir que tudo isso aconteça.

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De volta a 1973, Wolverine encontra um Bolivar Trask (Peter “Tyrion” Dinklage) lutando para ter o projeto Sentinela aprovado pelo Senado, enquanto Mística (Jennifer Lawrence) está em uma cruzada pessoal para assasiná-lo. Enquanto isso, Magneto (Michael Fassbender) se encontra preso, por um motivo bastante interessante e bem bolado, e o Professor Xavier (James McAvoy), andando (!), está profundamente desolado, com o Instituto Xavier não funcionando, e tendo apenas a companhia de Fera (Nicholas Hault) com ele.

Talvez Singer não volte no melhor de sua forma, mas não há motivos para reclamar de sua direção. Apesar do retorno de quase todo mundo da trilogia antiga, o diretor foi sábio em usar esses personagens em momentos bem específicos, e foi uma baita utilização. Focando definitivamente no passado, ele conduz muito bem o filme com a dualidade de pensamento entre Xavier e Magneto, a exemplo do que já havia dado certo no filme anterior. As cenas de ação estão ótimas (poutz, ele provou que um filme do Portal seria DO CARALHO!), queimou minha língua com as cenas que tem o Mercúrio (um dos melhores mutantes do longa. Mesmo que aparecendo pouco, visualmente sua movimentação impressiona, e o personagem é engraçado), uma boa edição no clímax do filme, intercalando cenas de passado e futuro (apesar de que o espectador tem a certeza de que tudo dará certo, no final), e deu explicações simples, mas razoáveis, para o Professor caminhante e o Fera sem pelos. Aliás, a resolução do filme me pareceu até simples também, mas nada que estrague a obra.

De negativo, acho apenas que o mau uso das Sentinelas do passado (enquanto as do futuro ficaram muito boas) e a temida cronologia. Agora, refletindo, acho que o negócio é largar essa história de trilogia antiga pra trás e pronto. O filme corrige os erros? Corrige. O argumento da viagem do tempo funciona. O problema é que Singer (ou os produtores da FOX) conseguiu criar outro problema. Agora ele tem ali um período de tempo para contar novas histórias, de mais filmes, mas a resolução estabelece uma “regra” para diversos personagens. E, no último suspiro do filme, nos últimos 3 segundos… Outra mancada. Felizmente consertável, mas totalmente desnecessária. Talvez a solução final de tudo isso só venha quando essa linha temporal alcançar a data do filme 1.

As atuações também deixam o filme bonito. Hugh Jackman, GRAÇAS AOS CÉUS, não é a estrela principal, mas não por isso deixa de fazer um ótimo papel. Impressionante como hoje é impossível desassociar o personagem do ator, que mesmo nos momentos mais sombrios, não decepcionou. James McAvoy me pareceu ainda mais a vontade no papel de Xavier, e agora que temos Stewart na fita também, fica claro como o ator se esforçou para demonstrar a mesma pegada ética do personagem, porém sem parecer uma cópia barata do veterano.

Outro que não é cópia, e aqui polemizo, é Michael Fassbender. Ian McKellen é um excelente ator, deveríamos agradecer sempre suas contribuições para o cinema, principalmente por suas encarnações como Magneto e de Gandalf. Porém, cada vez mais o Magneto definitivo se torna Fassbender. Que ator sensacional. É de uma qualidade impressionante, e muito provavelmente, será o melhor vilão do ano. Se de um lado temos aquela cena sensacional de McKellen desviando a Golden Bridge, aqui temos Fassbender carregando UM FUCKING ESTÁDIO pelos céus de Washington. É para aplaudir de pé.

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#NãoVaiTerCopa

Talvez não tão incrível, talvez não tão apaixonante, mas novamente muito bem no papel, é a Mística de Jennifer Lawrence, aqui com mais destaque do que a antiga personagem na trilogia inteira. Gosto do caminho que estão construindo para ela neste momento, e a atriz não deixa nada a desejar, agregando a obra. Outro que também não incomoda é o Fera de Nicholas Hault, acho que com um pouco mais de tempo em tela aqui.

Não espere um Tyrion, mas tenha certeza que cada minuto em tela de Dinklage vale a pena. Boa introdução entre os atores, assim como Evan Peters demonstrou-se bem à vontade como Mercúrio, e agora (quem diria!) fico feliz pelo seu retorno no próximo longa. Interpretações de outros personagens, como Homem de Gelo, Kitty, Tempestade, Xavier e Magneto velhos, também estão muito boas.

Os efeitos estão muito bons, eu destaco aqui as Sentinelas do futuro, que pelas imagens eu julgava um bocado estranhas, mas em tela funcionam que uma beleza. Porém, tenho dúvidas em relação ao 3D. Tirando uma cena ou outra, para mim não fez diferença, assim como quase todos os filmes de heróis que optaram pelo uso da tecnologia.

A trilha de John Ottman (X-men 2) está muito boa e condizente com o filme, colaborando com a obra. Contudo, QUE PECADO foi ele não reutilizar o tema do Magneto criado no First Class pelo Henry Jackman, um dos melhores temas de vilões já feitos. Confesso que me decepcionei com este “detalhe”.

Finalmente, X-men: Dias de um Futuro Esquecido é um excelente filme, que dá fôlego para a franquia. Origens e X-men 3 fazem parte agora de um passado sombrio. Talvez justamente pela questão da cronologia (provavelmente pelo fato da trilogia estar tão ligada na minha memória), irei optar um pouco mais pelo First Class, e ambos atrás do 2º filme. Talvez, intimamente, eu ainda preferiria Matthew Vaughn tocando o barco, mas Singer voltou bem e para ficar. Agora é hora de ir ao cinema e se divertir, novamente, com os mutantes mais queridos pelo mundo.

Nota: 8,5/ 10.

Comentário Pós Crítica: Pense no Thanos na cena pós créditos em Os Vingadores. Agora pense no título do próximo filme. 😉

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26 comentários sobre “[REVIEW] X-men: Dias de um Futuro Esquecido

  1. Peter Dinklage é o cara velho, mas o papel não ajudou. Na minha opinião o Trask é muito mal desenvolvido, ele é só o cara que faz sentinelas para matar mutantes. E a motivação de “unir uma raça contra um inimigo comum ” é idiota e infundada, nenhum produtor de armamento tem a capacidade e nem a permissão de pensar assim.
    Xavier foi a bola da vez. Todo professor um dia foi aluno, e isso foi muito legal no caso dele. A imagem do velho careca que transpira autocontrole e confiança, confrontada pelo jovem cabeludo e rebelde sem causa.
    Quanto a linha do tempo. Eu acredito sim que este filme poderia ter consertado a cronologia, mas não aconteceu. Três pontos importantes me veem a mente. O recrutamento da Jean no X-men 3, com Xavier andando junto com o Magneto, ambos velhos. Logan com garras de adamantium no futuro, as mesmas que foram cortadas no Imortal. Xavier vive no futuro, mas não é explicado o porquê, nem como ele ressurgiu.
    De agora em diante temos uma linha do tempo resetada, e todos os filmes que vieram antes do First Class e o Imortal deixaram de existir. Agora é só esperar o Apocalipse.

    PS: Curti demais.
    NOTA:8,0/10.

  2. Bom passatempo, irrelevante no contexto. Não valeu a pena, já que desfigurou a trilogia antiga, fazendo-a apenas “Dias de um futuro esquecido”.
    Nota: 6/10

  3. -Primeiramente gosto muito do “favor” que a franquia First Class fez para os antigos X-Men ao colocar um ponto final na antiga história. Quanto a “favor” me refiro ao fato de justificarem a nova linha, não apenas dizendo “é um reboot”, mas tendo o carinho com a franquia em justificar. São os roteiristas mostrando seu valor e fazendo frente à gananciosa Fox.E fazem sem ser gratuito, já que trabalham coisas de sua “própria” história.

    -É necessário comentar sobre o excelente Mercúrio. Comentei no cinema que ele faz a cena Marvel do filme, aquela mais engraçadinha, sabe? O que é ótimo pela compra da briga. Pelo Godzilla, digo que só o Whedon pra fazer o casal vencer do carisma do Evan Peters.

    -Já que você teceu comentários a respeito de sua preferência pelo Fassbender… Bom, o Magneto First Class nesse filme tem uma vantagem de tela e roteiro enorme em relação ao Magneto sênior. Ian McKellen teve aqui sua participação mais discreta da franquia, enquanto que o Fassbender (e toda sua pirraça que deixa revoltado – pra quê emburrecer o personagem daquele jeito? Ele não é o Wolverine pra ser tão impulsivo…) quase que se mantém como vilão – ao menos a oposição ao lado do Xavier, o que não existe no futuro.

    Em relação aos demais filmes. Não sei se você sabe, mas nos tempos em que o X-3 foi lançado muito se falou sobre um filme de origens do Wolverine e do Magneto. As origens do Wolverine foram estritamente lançadas, mas as do Magneto foram transformadas no First Class, o que é bem perceptível no filme. Sendo assim, o Fassbender quase que protagoniza um filme, o que não foi dado ao McKellen, colocando o Sir em posição de desvantagem. Desvantagem ainda maior quando se compara a exploração de emoções dos personagens, já que os “dotes” do Fassbender são melhores explorados num Magneto mais explosivo, e os do McKellen contidos na sensatez da fase do seu personagem.

    Dentro do espectro do trabalho de cada um, ambos fazem um trabalho ótimo para suas respectivas fases. Particularmente prefiro a fase McKellen, quanto a interpretação não consigo me posicionar.

    -Que ótimo filme de equipe. Sinto uma boa participação do Xavier, Mística, Magneto… Até o Wolverine soube se “coadjuavantizar” bem… Aliás, o fechamento dele é tão bacana, que não quero um terceiro Wolverine. Se for para aparecer, que seja auxiliando como nesse contra o Apocalipse.

    -Por fim, Bryan Singer. Ótimissimas cenas de ação – nem parece o Bryan Singer do primeiro filme… Ok, comparando os recursos, é injusto.

    Sem falar na ótima demonstração de um plot, em tese, complicado. Em relação a esse plot, só comento que fiquei perdidão nos poderes da Kitty. Ela tem esse poder de atravessar a consciência no tempo nas HQs? Pra mim faria mais sentido se o Xavier fizesse a parte de deslocar a consciência e a Kitty atravessá-la no tempo. Seria bastante abstrato, mas faz mais sentido na minha cabeça.

    Por um bom desenvolvimento de personagens em equipe; atuações competentes; linda fotografia; ótima trilha sonora; grandes cenas de ação (não tinham cenas assim na franquia desde a saída do diretor em X-2 – minto a sequência do experimento em Wolverine Origens é animal); e um plot complexo, mas tranquilamente explicado, além roteiro simples, mas bem desenvolvido…

    Nota: 9/ 10 – e os heróis em 2014 chutaram bonito a bunda dos de 2013.

  4. Lendo toda as criticas de vocês e suas notas eu penso que querem acreditar que o filme é bom, mas não é bem assim.

    Muitos grandes atores com pouquíssimo espaço o que levou a atuações medíocres. Isso resulta numa trama sem sal, a velocidade e falta de apresentação dos personagens deixa o filme totalmente seco.Não tem apego pelos personagens o filme não tem base e se deixa totalmente embasado pelos outros filmes. Ta até ae ok, mas se você vai se embasar em outros filmes você tem que considerar tudo e não mastigar o que presta, afinal não me contaram o que eu deveria saber.
    Filme só se preocupou em tampar buracos e deixou muito a desejar no quesito ser um filme.
    Pode parecer que eu queria todas as informações mastigadas, mas muito pelo contrario, eu não gostei das explicações existentes e senti falta de coragem pra arriscar um pouquinho em um final mais sombrio.

    Mas nem tudo é ruim, existem tomadas muito boas, principalmente as lutas no futuro. Mas, sinceramente na hora que o Magneto levantou o estadio eu dormi de tão sem fundamento que estava aquela sequencia de fatos.

    Filme medíocre
    Nota 6/10

    ps: não gostei do Apocalipse, muito mirradinho.

  5. Pingback: Filmaiada

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