[REVIEW] Ilha do Medo

Por Matheus Araujo

Edward Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de uma “paciente” na Shutter Island Ashecliffe Hospital, a ilha que serve de casa para os psicóticos mais perigosos dos EUA. No desenrolar do caso, Daniels percebe que sua situação na ilha é um tanto mais complicada.

– SPOILERS consideráveis abaixo –

Num suspense que envolve gente louca, o mais clichê e, consequentemente, mais decepcionante dos plot-twists é a virada do ponto de vista do mocinho, mostrando que o maluco, na realidade, é ele. Quando se começa, portanto, a montar o quebra-cabeça de Ilha do Medo, inevitavelmente, tenta-se encaixar essa peça. Sabendo disso, Martin Scorsese, a.k.a. maior lenda viva da sétima arte, faz um filme que trabalha com esse palpite do espectador, chegando em seu ápice ao construir essa sua intenção no diálogo da caverna, aonde se expõe o pensamento kafkiano, o qual diz que a partir do momento em que a sociedade rotula alguém de louco, todas as ações dessa pessoa serão vistas como fruto de uma mente doentia, independente de sua veracidade. Depois de plantada essa semente, encaramos todos os movimentos de Daniels com a máxima cautela.

Considero a proposta fantástica e, felizmente, sua realização não deixa a desejar. O filme brinca com a insanidade de Daniels em vários momentos e de várias formas: seja na fotografia, com suas cores, por vezes, num contraste absurdo; no figurino, com as nada sóbrias gravata e roupa da esposa; na direção, em suas mudanças abruptas ou sequências pra lá de dúbias, como nas alucinações e sonhos; e até no roteiro, nas impossibilidades de investigação ou na suspeita (clássica) do 67º paciente.

Outro gigante êxito da obra é o personagem de DiCaprio. Absurdamente bem construído, crível e trazido a vida com talento sobrando. Sem falar que todo o contexto pós-guerra, no qual ele pensa e interage, é fenomenal.

Mesmo que excepcional em sua maioria, a obra não é imune a deslizes, entre eles: o didatismo final; Mark Rufallo, sempre o mesmo…

Ainda assim, absolutamente nada que não se possa relevar pela experiência, pelo desatamento dos nós e pela excelente conclusão.

Nota: 8,5/ 10.

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