[REVIEW] XScape

Por Matheus Araujo

Desde 2009, quando Michael Jackson morreu e foi lançado This Is It (a primeira obra póstuma de MJ), se discute a pretensão de uma longa carreira póstuma para o cantor. E já esclarecendo algumas dúvidas: trabalho que só é possível devido ao fato de Michael sempre gravar bastante e não ter lançado nenhum álbum inédito desde 2001. As proporções desse acervo são mesmo enormes, tanto é que desde 2009 tivemos cinco novos álbuns e um trabalho em vídeo – que inclusive nos trouxe um clipe completamente novo (!). Legalmente, o contrato do espólio de MJ com a Sony em 2010 prevê 10 trabalhos lançados em 7 anos, ou seja, HÁ material.

No entanto, a cerca dessa iniciativa há uma discussão infindável sobre a “validade” dessas obras e os argumentos são vários. Se de um lado há a manutenção de um legado e uma rara oportunidade de “mais”; do outro, temos o fato de que são versões descartadas ou experimentais (algumas verdadeiros rascunhos).  Minha posição: nada, por melhor que seja, será um trabalho legítimo de Michael. Com isso em mente e respeitando MJ, tudo é válido.

As conturbadas variáveis já renderam algumas polêmicas, principalmente quando ligadas à ganância da Sony, que já até mesmo finalizou trechos de música com vozes de outros cantores. Ato desrespeitoso e muito repudiado ao ponto que XScape dista mais de 3 anos da última tentativa de inéditas com alguma produção além do que Michael havia deixado.

De lá pra cá, numa tentativa de esquecer Michael (2010), LA Reid assumiu o comando e apenas trocou TODOS os produtores. Além disso, tentando mostrar sua fidelidade ao trabalho que Michael deixou, XScape consta com as costumeiras (depois do desastre em 2010) versões demo, uma versão rascunhada da música completamente feita por Michael. Saída respeitosa aos fãs, ao artista (?) e que ainda atende as necessidades comerciais da Sony.

Analisemos, enfim, XScape:

1) Love Never Felt So Good: O primeiro single e música de XScape abre numa balada mais rapidinha, baixo maravilhoso, guitarra discreta no refrão e vocais melódicos ao melhor estilo Michael Jackson na Era Disco, quase que denunciando sua data de concepção.

A demo que acompanha é a minha preferida pela presença de Michael na faixa, sendo desnecessária qualquer imagem (não que o clipe não tenha a certa validade, mas vocês me entendem…). Amigo, apenas ouça. Aquelas palmas falam por si! Como chamam os cartazes de XScape: Hearing is Believing.

  • A versão com Justin Timberlake é competente. O distanciamento do original proposto por Timbland é um tanto genérico, mas efetivo e o os vocais de JT, por vezes, atrativos.

Videoclipe:

2) Chicago: Sofro de um trauma de Michael (2010) com o vocal demasiadamente anasalado. Vocal que ainda mais desgosto quando em contraponto com uma voz mais irada, um tanto desequilibradas nesse dueto. Chicago, com direito a sons de pato, monta-se a desordeira música do álbum. No entanto, ótimos momentos existem (“Whyyyyyyyy…”), principalmente, a aquele(a) que se entregar à faixa e se levar pela estilo “Who is It?” da faixa.

A demo é mais concisa, apesar da versão finalizada não se distanciar tanto da original.

3) Lovin’ You: Simplesmente gostei. Tão simpática quanto “Best of Joy” ou singela quanto “(I like) The Way You Love Me”, as grandes exceções do ruim álbum de 2010.

A mixagem discreta da versão final trata-se de apenas uma contemporização e a torna uma das mais coerentes com a demo.

4) A Place with No Name: Engraçado que a música já baseada em “A Horse with No Name – America” recebe uma base de “The Way You Make Me Feel” em sua re-imaginação. A fusão funciona e a repaginação surge em uma de suas clássicas. Grande sacada!

A demo é bem diferente, mantém a base de “A Horse with No Name”, numa versão interessantíssima. Lembra um pouco a tendência de Invincible, não permitindo por pouco um MJ acústico.

5) Slave to The Rythm: Essa era uma das mais esperadas por mim. Aliás, uma das estratégias dos produtores foi lançar músicas que já estavam com os fãs, músicas “vazadas” ao longo dos anos, com as devidas modificações.

Enfim, a mudança para XScape desagrada por perder a essência da versão “vazada” que gostei e se focar na voz. Uma música intitulada “Escravo do Ritmo” não merece um foco nos vocais, mas, sim, no … Adivinha?

Ao assistir o documentário presente na versão Deluxe, até que se entende a decisão, pois a música era uma das com mais gravações, consequentemente, mais riqueza de vocais. No mais, essa música é incrível independente da roupagem.

E mais uma coisa! A música ganhou uma apresentação ao vivo com um Michael Jackson holográfico. Confira minhas impressões aqui e o vídeo mais abaixo:

6) Do You Know Were Your Children Are: Sofre de mal semelhante a Slave to The Rhythm. Gosto mais da versão “vazada” há anos atrás que atual… E curioso que a faixa sofre em sua produção o contrário de (I Can Make It) Another Day em Michael (2010), ao desvirtuarem o estilo musical sem motivo aparente.

Infelizmente minha versão com uma guitarra grave inesquecível também não é a versão demo selecionada.

7) Blue Gangsta: Outra bastante difundida entre os fãs.  Diferente das duas acima mantém as origens da primeira versão ouvida em 2007 e as modificações apresentam-se dentro de um espectro esperado. Trabalho bem feitíssimo, mas a longa duração da música e a falta de letra para todo esse tempo geram justamente seu único defeito.

 A versão atual é tão boa que torna a experiência da demo enfadonha.

8) XScape: A música homônima é icônica. Ela possui uma pegada menos ousada que 2000 Watts e meio que se soma à excelente Jam. Pra quem adora as duas músicas como eu, o resultado é fantástico!

Uma ótima curiosidade sobre a faixa é que Rodney Jerkins, produtor dessa música e parceiro de longa data de Michael, também foi o produtor de sua versão original, a versão demo presente.

Em suma, o “segundo” álbum de inéditas póstumas é melhor e mais consistente que o anterior. O esmero dos produtores e a presença de Michael são mais que perceptíveis. Peças únicas como A Place With No Name mais que justificam o projeto. Aliás, dentre todas, rara é aquela que se identifica como “música para compor/encher álbum”.

As músicas descartadas de Michael ao longo da carreira rendem a música seus últimos suspiros.

Nota: 8,5/ 10.

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