[REVIEW] No Limite do Amanhã

“Tom Cruise em mais uma boa ficção cientifica” 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Tom Cruise é um dos rostos mais conhecidos e carismáticos de Hollywood. Fato. O três vezes nomeado ao Oscar tem fãs espalhados pelo mundo todo, e a carisma do ator reforça apenas o bom trabalho que ele já fez em tantos filmes, como Top GunVanilla Sky, na (por enquanto) quadrilogia Missão Impossível, e também em outras ficções científicas, como o ótimo Minority ReportGuerra dos Mundos e Oblivion.

Outro fato que se destaca no ator de 52 anos (não parece) é ele dispensar dublês. Não importa o perigo da cena, ou o ‘rostinho bonito’, Cruise está sempre disposto a arriscar sua integridade física para realizar um bom cinema. E é impossível não se empolgar com isso quando vem a mente a excelente cena gravada no Buri Khalifa, em Missão Impossível: Protocolo Fantasma.

Por isso, quando é dada a notícia que ele estrelará uma nova ficção científica, desta vez correndo (claro!) em um exoesqueleto pesado ao lado de uma Emily Blunt carregando uma espada gigante, já temos motivos de sobra para ver o filme.

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No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, no original) não é uma adaptação direta, mas bebe diretamente da light novel de Hiroshi Sakurazaka. Apesar de não ter lido a obra do autor japonês, tive a oportunidade de conferir a adaptação em graphic novel feita pela dupla Nick Mamatas (adaptação) e Lee Fergunson (desenho).

Brevemente sobre a HQ: a história é curta, porém fácil de ser compreendida, e o mundo onde se encontram os personagens é interessante. Não há muito espaço para aprofundar os personagens, mas isso não chega a prejudicar a obra. Os desenhos de Fergunson são satisfatórios, apesar da ação, por vezes, ser confusa.

Aproveitando o cenário e alguns nomes, No Limite do Amanhã nos traz a história futurista de uma Terra sendo invadida pelos mímicos, raça alienígena que parece ser invencível, já que ela é capaz de antecipar as táticas das tropas do mundo. A raça humana parece condenada ao seu fim, quando o major Bill Cage (Tom Cruise), após ser acusado de deserção e ser rebaixado a soldado, é enviado para o fronte de luta na França, ficando sob os comandos do sargento Farrel (Bill Paxton). No campo de batalha, após sofrer um acidente alienígena, ele morre e acorda novamente, entrando em um loop no tempo, que o retorna sempre para um dia antes da grande batalha. Em posse desse ‘poder’, ele acaba treinando, diariamente e infinitamente, pela melhor soldado do Batalhão das Forças humanas, a heroína Rita (Emily Blunt), enquanto procuram uma forma de entender e reverter a vantagem dos mímicos.

A direção do longa está a cargo de Doug Liman, responsável por A Identidade Bourne. O trabalho do diretor merece destaque, pois aproveitando-se da estrutura de repetição contínua, ele acaba por criticar as guerras. Espelhado na ideia dos checkpoints dos jogos de tiro de hoje (o jogador repete a mesma situação até conseguir superar aquela parte), ele evidencia que a vida dos soldados, sobretudo os pontas de lança em uma invasão, são ‘dispensáveis’ e não passam de contagem de cabeças. Soldados que, na maioria dos casos, estão lá por obrigação e necessidade, e não por vontade.

As cenas de ação do filme são boas, apesar de que, a princípio, confusas e corridas. Perdoável se pensar que, em uma invasão e um confronto envolvendo milhares de soldados, são muitas coisas que ocorrem simultaneamente. O visual dos mímicos é interessante, e os efeitos do filme também não decepcionam.  O 3D não prejudica a obra, e é bem utilizado em algumas cenas, mas não torna-se necessário para conferir o longa.

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Liman também aborda uma sátira política, ao mostrar que, no fundo, todas as guerras são iguais. Entretanto, o roteiro, escrito a seis mãos por Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworh, também ganha espaço para trabalhar bem a trama em outros aspectos. O argumento de repetição colabora para, literalmente, prender o espectador, seja pela forma cômica (as repetidas vezes que Cage morre de forma boba, como parte de seu treinamento para melhorar), seja pelo desenvolvimento da história, que tem um tom acertado, não cansa, e proporciona dois personagens possíveis de criar algum afeiçoamento, mesmo que não tendo o devido aprofundamento deles no percorrer do filme.

Outro bom ponto do filme são as atuações. Não é o melhor trabalho de Cruise, claro, mas o “na média” dele já vale o ingresso, e a mistura de um soldado sério com algumas situações cômicas que ele passa mostram a versatilidade do ator, que funciona em ambos  os jeitos. A “Full Metal Bitch” (suponho que um claro trocadilho feito por Sakurazaka) Rita de Emily Blunt não deixa por menos. A atriz provou que consegue suportar cenas de ação (cada fatiada com sua espada gigante é bonito de se ver), e paga totalmente as memórias não tão boas de seu papel em Looper. Bill Praxton mostra um lado engraçado e um tanto cínico no papel do Sargento Farrel, o que colabora para a sustentação da obra. Se por um lado, nenhuma outra atuação acrescenta, nenhuma prejudica também.

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Por último, a trilha de Chrstopher Beck (trilogia Se Beber, Não Case!), mesmo não sendo memorável, agrada os ouvidos e colabora com o filme. O figurino de guerra dos exoesqueletos também é outro ponto positivo, assim como o visual do filme, de uma forma geral.

Finalmente, No Limite do Amanhã é uma ficção científica recomendada, principalmente para aqueles que já cansaram de um circuito inchado de filmes de super heróis.  Não gostei tanto como Oblivion, mas quem tiver a oportunidade, não deixe de conferir no cinema mais próximo.

Nota: 8/ 10.

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