[REVIEW] A Culpa é das Estrelas

“Adaptação de sucesso escrito por John Green corresponde à histeria dos fãs”

Por Luís Gustavo Fonseca    

 

Como sou um baita de um medroso, o estilo de filme que mais quero manter distância são os de terror. Apesar disso, o estilo que talvez eu mais tenha preconceito ao ir assistir são os romances (seja o filme uma comédia ou não). Os motivos podem ser variados: falta de estímulo e/ou interesse, medo da repressão dos amigos, ou preferir ‘gastar o tempo’ com outros estilos de filme.

Entretanto, vez ou outra, é sempre bom (e não machuca!) ver uma boa história de amor. E aqui falo em um sentido mais amplo: seja na surpreendente comédia romântica misturada com viagem no tempo (!) de Questão de Tempo, lançado no ano passado; seja no modo mais sereno e emocionante do indicado ao Oscar de 2013, Amour; seja o homoafetivo (e que causou polêmica) Azul é a cor mais quente; ou mesmo na relação entre pais e filhos, como em Instructions Not Included, também do ano passado.

Neste aspecto, o favorito no estilo, por enquanto, é (500) Dias com Ela, filme dirigido por Marc Webb (diretor dos novos filmes do Homem Aranha) e que compartilha com Estrelas seus dois roteiristas, Scott Neustadter e Michael H. Weber. O filme marca pelos seus personagens cativantes (atuações elogiáveis de Joseph Gordon-Levitt e Zoey Deschanel), a trilha indie, o modo como a história é contada (ao mesmo tempo em que há uma seriedade, existe uma leveza por todo o filme), elementos que, combinados, o tornam um grande filme.

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Mas retornando: A Culpa das Estrelas é uma das maiores febres literárias dos últimos anos. O livro, lançado em 2012, lidera o topo de vendas no Brasil (e em muitas partes do globo) por várias e várias semanas, isso se já não tiver ultrapassado a marca de 1 ano. Por isso, a expectativa sobre a adaptação da trama que narra o romance entre Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus Waters (Ansel Elgort), tentando superar o obstáculo do câncer, causou grande expectativa dos fãs.

Não li o livro, pois o afastamento com o estilo também ocorre na literatura, mas havia a curiosidade em conferir a obra, em tentar entender o porquê do alarde dela, e se isso se justificava.

Felizmente, justifica. Não sei em questão de adaptação (porém tenho minhas suspeitas), mas Estrelas tem muito de (500) Dias com Ela, justamente pelos roteiristas em comum. Ao contrário do que pode se presumir, o romance adolescente não é um romance dramalhão e recheado de clichês baratos. Lida com os pacientes de câncer (um tema bastante atual) não tentando retratá-los como pobres coitados, condenados a uma espera angustiante pela morte, mas como heróis que procuram, a cada dia, fazer um “bom último dia”. Mas, principalmente, cria personagens cativantes, em uma jornada cativante.

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Ainda com (500) em mente, também é possível elogiar a direção de Josh Broone (Ligados pelo Amor), que manteve o clima de leveza. Os momentos mais críticos ou dramáticos acontecem com naturalidade, sem forçar a barra, semeados por um caminho marcado também por vários momentos engraçados, assim como outros tantos bonitos e significativos, com discursos que, a meu ver, não foram retirados de livros de auto-ajuda baratos.

A cativada na história se deve, em muito, as atuações. Aprecio o trabalho de Shailene Woodley desde quando a vi no ótimo Os Descendentes, mas desde então sentia falta de uma grande atuação (apesar de estar simpática no também simpático The Spectacular Now). Talvez a direção de Broone tenha contribuído para que ela tenha retomado ao bom trabalho. Sua atuação deixa quase impossível não se afeiçoar pela personagem, que demonstra força e sobriedade. Ansel Elgort acompanha Shailene na atuação. Augustus (ou simplesmente Gus) não é simplesmente um “namoradinho perfeito e bonitinho”. O ator soube dar um tom dramático, mas ao mesmo tempo, brincalhão, ao personagem, e a química entre os dois ocorre com facilidade. Porém, suspeito que a atuação que mais me agradou foi a do experiente Willem Defoe, em seu papel de um autor amargurado. Nas poucas cenas em que ele aparece, Defoe esbanja talento.

Finalizando, a última semelhança com (500), que é a trilha indie que combina totalmente com o filme. Pelo menos o que eu ouvi dela. Aproveito, deixo um aviso: se você não é um ULTRA FÃ DO LIVRO, evite as salas neste primeiro final de semana (até mesmo o seguinte), pois a histeria dos fãs extrapolou o nível do aceitável. Espere e procure sessões vazias.

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Apesar de não ter achado espetacular, A Culpa das Estrelas não é, de forma alguma, descartável, e a recomendação para tirar suas próprias conclusões, mesmo que seja para em DVD, permanece. Com um pouco de boa vontade, o preconceito sobre o filme (que aparenta ser um romance bobo da geração Crepúsculo) pode ser superado e a obra, aproveitada. Dei uma chance e não me arrependo. Tente também.

Nota: 7,5/ 10.

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