[REVIEW] Versos de um Crime

“Atuações são ponto alto de suspense poético”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Em um final de semana com poucas grandes estreias, o que é curioso, se for notar que haverão outros com mais de uma grande estreia, e com o interesse da população voltado para a Copa do Mundo, Versos de um Crime (Killing Your Darlings, no original) é o filme que entra em cartaz que mais chama a atenção.

Chama a atenção pois um dos protagonistas do longa é nada mais, nada menos que Daniel Radcliffe, o eterno bruxinho Harry Potter, no papel de Allen Ginsberg, narrando a história baseada em fatos reais do poeta, que no ano de 1944, entra na Universidade de Columbia, e acaba conhecendo amigos que também se tornariam poetas famosos, como Jack Kerouac (Jack Houtson) e William Burroughs (Ben Foster), além de se envolver com Lucien Carr (Dane DeHann, o Duende Verde dos atuais filmes do Homem Aranha) e David Kammerer (Michael C. Hall), todos posteriormente envolvidos em um crime.

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O filme marca a estreia do diretor John Krokidas em seu primeiro longa, onde, além de dirigir, também roteiriza ao lado do também novato Austin Bunn. Mesmo não sendo a melhor das estreias, o trabalho não é de todo ruim. O filme apresenta certa dificuldade em estabelecer seu ritmo, tendo seu primeiro ato uma dinâmica mais lenta e que demora a arrebatar o espectador, engrenando positivamente posteriormente. Outro fator que incomoda é que a relação entre Allen e seus pais (vividos por David Cross e Jennifer Jason Leigh), que no inicio parece ser um dos pilares da trama, é deixada de lado depois dos primeiros  20 minutos de filme, tendo seu desfecho uma importância bastante pequena.

Krokidas desliza no roteiro e também comete alguns erros na direção. O close fechado no rosto dos atores (técnica que pode ter sido utilizada devido ao investimento curto na produção) é, em alguns momentos, um trunfo, já que aproveita o trabalho dos atores, porém  o uso de uma lente que em diversos momentos não tem um foco nítido atrapalha. A edição do filme também é algo a ser colocado no lado negativo da balança, com os fatos completamente opostos se encaixando de modo estranho na película.  Uma última ressalva, talvez justamente pela proposta dos jovens poetas no filme (que é de romper com um círculo vicioso, de quebrar as normas da poesia), faltou ao diretor a ousadia de quebrar o modo de fazer um filme, de utilizar certa metalinguagem no contar da história, algo que poderia ser deveras interessante para o filme, se fosse aplicado corretamente. Quando se pensa, porém, que isso foge um pouco da trama central do filme, e que é o primeiro trabalho maior do diretor, a ideia vira apenas um detalhe.

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O ponto alto de Versos de um Crime está em seu elenco, onde todos os principais atores fizeram um bom trabalho. Foi o primeiro trabalho de Radcliffe que vi desde o fim da franquia Harry Potter, e apesar dele estar longe de ser um grande ator, a sua entrega e seu desempenho no filme devem ser destacados, provavelmente em seu melhor papel até o momento, em um trabalho mais desafiador. Agrada ainda a atuação pelo fato da química com Dane DeHann ter funcionado muito bem, com o segundo ator em bom papel. O relacionamento homoafetivo dos dois se desenvolve sem problemas, e aqui aproveito para destacar a audácia de gravar uma cena de um dos representantes da nova geração beijando outro homem, porém não sendo forçado em nenhum momento.

Nunca tendo visto Dexter, qualquer elogio feito a Michael C. Hall se torna evidente quando o ator entra em cena. Fechando o quesito, Ben Foster, com seu poeta mais solto e modo de falar característico, mas de certa forma, ainda pragmático.

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Os dois últimos pontos a se destacar do filme seria sua fotografia, bem utilizada, que dá um tom mais clássico a trama, e a trilha composta por  Nico Muhly (O Leitor), que mistura o jazz com ótimas composições instrumentais.

Versos de um Crime pode até não ser um filme “Preciso ver no cinema”, mas pela temporária falta de opções, pode compensar uma ida em um dia de promoção. Ou quem sabe para um “Dia de achados” quando passar na Netflix.

Nota: 7/ 10.

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