[REVIEW] SandLand

Por Matheus Araujo

SandLand é um mangá lançado por Akira Toriyama (o autor de Dragon Ball) no ano de 2001 e que considero uma obra atípica na bibliografia do sensei por três principais motivos: primeiramente, porque é curtíssimo (14 capítulos, totalizando um pouco mais de 200 páginas); em segundo lugar, porque é bastante crítico; e, por último, porque é ruim.

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A história de SandLand envereda-se num mundo no qual a água foi praticamente extinta, juntamente, claro, com boa parte da vida. A água, ainda que essencial, se tornou um produto luxuoso que é vendido a partir de um monopólio real a preços mais do que inacessíveis. Desconfiado do governo, um experiente oficial vai até o príncipe dos demônios, Beelzebub, em busca de ajuda para salvar a humanidade. Os demônios, não mais mazelas da raça humana, concordam e a jornada é iniciada. Era certo que por esse pano de fundo, os objetivos de Akira estão voltados para um lugar muito diferente do puro entretenimento, foco de suas mais célebres obras. No entanto, o que muito prometia possui resultados, se muito, medianos.

A começar que a história de SandLand tarda a convencer no desenvolvimento e suas premissas nobres possuem soluções aquéns da mediocridade. Como é que um drama que assolava a humanidade por tanto tempo pode ser resolvido em sete dias? Pior, findar-se num final de semana? Por contrastar com a proposta, as resoluções, até que esperadas de Toriyama e aceitáveis se ele estivesse em sua zona de conforto, não agradam principalmente por falta de trabalho, por falta de tempo.

Consequentemente, os personagens estão mal trabalhados, já que o espaço para crescerem ou serem realmente expostos é quase inexistente. Aliás, não há ideia em SandLand que, pela falta de tempo, não morra no deserto. Entre elas, a que mais me entristece é o mau aproveitamento do universo demoníaco, um artifício muito bem representado no primeiro capítulo, mas posteriormente esquecido.

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Entretanto, se há algo de excepcional (fora o ponta-pé inicial), são os desenhos. Nunca vi Akira tão inspirado (ou seja, pouco preguiçoso)! Há uma riqueza de detalhes, cenas tão trabalhadas e uma clara vontade de desenhar que impulsionam o leitor a continuar, apesar da desmotivação por parte do roteiro. Mesmo assim, ainda abriria uma ressalva ao design dos personagens, que por opções humorísticas, recebe um tom equivocado.

Aliás, não só no visual dos personagens, mas no geral, o humor decepciona. É tão triste ver o sensei não acertando no seu forte e tão grave que falta vontade para escrever mais…

SandLand é uma faceta que não desejo rever no mestre Akira Toriyama.

Nota: 4,5/ 10.

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