[REVIEW] Transcendence

“E ainda não foi o retorno à boa forma de Johnny Depp”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Johnny Depp é um astro único em Hollywood. Mundialmente conhecido, o ator tem na carreira 3 nomeações ao Oscar, além de vários papéis aclamados e personagens marcantes. Entretanto, a linha que separa o amor e o ódio por Depp é bastante tênue e ultimamente o ator vem escolhendo papéis que parecem levar sua carreira ladeira abaixo.

Além do desgaste proveniente de Piratas do Caribe (e aqui, uma breve ressalva: mesmo no 4º filme, o ator nunca me cansou), outras atuações dividem a opinião do público, seja em Alice no País das Maravilhas, Inimigos Públicos, Sombras da Noite e mais recentemente, no desastre de bilheteria O Cavaleiro Solitário. O prestígio acumulado ao longo dos anos estava, mais do que nunca, ameaçado.

Carreira no UTI?
Carreira no UTI?

Transcendence parecia ser uma boa oportunidade para isso. Deixando de lado a costumeira maquiagem pesada que acompanha o ator em muitos de seus trabalhos, o filme marca a estreia do diretor de fotografia de Christopher Nolan na trilogia Batman, Wally Pfister, na direção. A trama conta a história de Will Caster (Depp), um cientista que procura desenvolver a inteligência artificial procurando beneficiar o planeta, contando com a ajuda de sua mulher, Evelyn (Rebeca Hall) e Max (Paul Bettany). Entretanto, o programa criado por Caster (uma inteligência que seria transcendente ao do ser humano) não é bem vista por uma organização religiosa, que planeja um atentado para matá-lo. Gravemente ferido, a última chance de salvar a consciência de Will é upando-a em um computador. Porém, a partir daí, não se sabe mais onde termina sua humanidade e começa o pensamento totalmente racional.

Apesar das boas ideias de ficção científica no filme, que lidam com conceitos de tecnologia e possíveis avanços para a humanidade, e entram em debates filosóficos com implicações sociais e teológicas, a direção do estreante Pfister não colabora para tornar o filme memorável, adotando um clima pesado e arrastado, e que sofre para convencer o telespectador a se importar com o futuro dos personagens. Nem mesmo em sua especialidade, a fotografia, há um trabalho que chame a atenção, salvo algumas raríssimas cenas em slow-motion.

Transcendence 4

O roteiro do também estreante Jack Paglen é outra bola fora do longa. A existência de boas ideias se faz presentes, porém a execução delas não agrada, principalmente por um roteiro que gasta tempo demais explicando conceitos e tecnologias, e não aproveita para desenvolver as personalidades dos personagens, ou ao menos deixá-las dignamente interessantes para o público.

A mediocridade da obra também se faz presente no elenco estrelado. Atores do calibre de Morgan Freeman e Cillian Murphy estão totalmente perdidos no filme, praticamente não tendo o talento aproveitado. O trio (e também embrião de um triângulo amoroso, também mal desenvolvido) composto por Depp-Hall-Bettany também não colabora, com o primeiro fazendo uma atuação abaixo da média (Novamente: ele não está chato. A decepção só existe porque você sabe que ele é capaz de fazer algo melhor); a segunda em um papel insuportável, criando uma antipatia com o público; e o último talvez sendo o mais lúcido do filme, porém incapaz de salvar a obra.

Transcendence 3

Por fim, Transcendence não é o desastre que eu esperava, apesar da bilheteria desastrosa e de críticas negativas pesadas. Entretanto, após 2 horas de filme, a conclusão que se chega é que o filme tem boas ideias, mas as desperdiça em erros amadores. Que tais ideias sejam reinventadas posteriormente em Hollywood por uma equipe mais capacitada.

Nota: 5,5/ 10.

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