Transformers: A Era da Extinção

“Uma franquia que claramente pertence a Michael Bay”

 

Prezado Sr. Michael Benjamin Bay,

Em 2007, você apresentou (ou melhor, relembrou) ao mundo a série Transformers. Pelos seus olhos, toda uma geração pode ter contato com um universo recheado de robôs que se transformam em carros velozes, que muitos sonham em um dia ter, e mais, robôs que se degladiam até as últimas engrenagens entre si! Acrescente a isso o sexy appeal de Megan Fox e toneladas de explosões (literalmente, toneladas) além de ação desenfreada, e tenha certeza que você criou um dos mais clássicos pipocões dos últimos tempos.

Bons (?) velhos tempos
Bons (?) velhos tempos

E apesar dos erros do primeiro filme (que se tornariam crônicos na franquia), há uma espécie de consenso sobre ele ser bom, se não for muito bom ou com adjetivos melhores. E justamente por termos visto esta qualidade inicial (ou simplesmente, pelo fato de ser uma novidade) é que o público, apesar dos números, odeia cada vez mais as sequências.

Estranho, não acha? Cada novo Transformers supera a bilheteria do anterior (apesar das minhas dúvidas que o novo supere O Lado Oculto da Lua mundialmente), e por isso, você é responsável por dirigir uma das franquias mais lucrativas da história do cinema (e repare que são raríssimos os diretores que dirigiram 4 filmes de uma mesma série). Entretanto, o contato que eu tenho com as redes sociais e amigos revelam cada vez mais um desgaste (e um desgosto) com os filmes. Não é mais novidade. Não é mais revolucionário – sem nenhum suporte de conhecimento, afirmo que o primeiro Transformers seja um dos mais importantes e emblemáticos da última década, no que tange aos efeitos visuais.

O segundo, lançado em 2009, eu particularmente detesto. É o tipo de filme que eu preferia esquecer, e no qual troco de canal se está passando na TV. Engraçado. Ele tem muitos aspectos do primeiro, mas me causa um sentimento praticamente oposto. Talvez isso ajude a explicar.

E por não gostar nenhum pouco do segundo, é que eu acho o terceiro satisfatoriamente bom. A princípio, eu me recusava a vê-lo no cinema, pois não queria pagar por algo que pudesse ser igual (ou pior!) que o segundo. Porém, um dos trailers, aliado a ‘novidade’ do 3D (convenhamos: 3D e seu modo de fazer cenas de ação, com milhares de explosões… O que poderia dar errado?) me convenceram de assisti-lo, e mesmo ainda estando bem aquém do primeiro, é melhor que o segundo, o que acho um belo lucro.

Um robô gigante com uma escopeta e uma espada… Não há quem resista.

Mas, Michael Bay, o jogo mudou. O 3º longa ultrapassou 1 bilhão de dólares de bilheteria (e isto é uma baita vitória… Ou não), mas a crítica e o público ainda continuaram batendo forte. Sem contar a fadiga natural da franquia, que assim como a maioria de todas as outras, depois do terceiro, chega forte. Ademais, ano passado, Guillermo Del Toro nos apresentou (e o povo adorou) os seus robôs gigantes, porém desta vez batendo em monstros gigantes (o que é igualmente ótimo de se assistir, diga-se de passagem), apesar de que Pacific Rim, ironicamente, não chegou nem perto da ter a bilheteria do Transformers que menos fez dinheiro.

Pressionada, a saga necessitava de uma reformulação. Sai Shia Labeouf e John Turturro (a Megan Fox já havia pulado fora do barco antes), entram Mark Whalberg e Stanley Tucci. Permanecem os robôs… E outros velhos problemas.

TF 4 2

Em A Era da Extinção, você nos apresenta Cade Yeager (Whalberg), um inventor de fundo de celeiro do interior do Texas que sonha em um dia ter sucesso e dar uma vida boa à sua filha Tessa (Nicola Peltz), mas que se encontra em uma posição difícil financeiramente. Paralelamente a isso, o empresário/cientista Joshua Joyce (Tucci), dono da KSI, inventa o transfórmio, um metal orgânico que compõe o código molecular dos Transformers, e com isso, ele planeja criar os seus próprios robôs. E para tanto, ele precisa da Semente, motivo pelo qual a CIA e o governo estão caçando todos os alienígenas, não diferenciando entre Autobots (bonzinhos) dos Decepticons (vilões).

Ah, Michael Bay… Todas as características suas estão lá: a câmera filmando os personagens de baixo pra cima; momentos bregas; o por do Sol bastante presente na primeira meia hora de filme; o slow motion; câmera girando; e explosões seguidas de explosões. E eu não acho ruim. Muitas dessas características eu gosto, e julgo que o modo pelo qual você pôs no filme não é algo que atrapalhe a narrativa. É a sua marca, sua assinatura. Infelizmente, não é mais inovador. Pior: chega a ser cansativa essa sua vontade de tudo ser grande, essa megalomania irrefreável. Não há momento para pausar a ação, criar uma expectativa por as coisas no lugar. Tudo tem que estar no máximo. Sempre.

Observem a alegria dele em filmar tudo explodindo ao seu redor!
Observem a alegria dele em filmar tudo explodindo ao seu redor!

A ‘manutenção’ dos defeitos continua sendo o maior dos problemas, que são os mesmos. OS MESMOS! Direção de atores? Fraquíssima, e o termômetro para isso é o Mark Whalberg. Ele não é a nata da atuação, mas geralmente tem papéis satisfatórios, mas o ator, do qual eu esperava muito mais do que o fraco LaBeouf, fica quase no nível do protagonista anterior, em uma atuação apagada. E a parceria de vocês dois foi tão acertada no “No Pain, No Gain”. O que aconteceu? E com Stanley Tucci, também não há um bom trabalho. Ele grita e tentar ser engraçado em muitos momentos, mas o seu talento também é desperdiçado. No caso desses dois, não consigo culpar (ao menos, totalmente) os atores. Já no caso de outros, como Nicola Peltz, além do seu namoradinho Shane (Jack Reynor) e dos dois vilões humanos, vividos por Kesley Grammer e Titus Welliver, atuações fracas e/ou apagadas, em personagens caricatos que nada acrescentam.

O roteiro (se é que existe, e isso é algo que mesmo no primeiro filme é criticado) continua péssimo. Em termos de narrativa, não havia NENHUMA necessidade de ir para a China, e fazer quase mais 1h de filme por lá. E poxa, os diálogos estão terríveis! As piadinhas (que tanto no Transformers como em outras produções, nunca me incomodaram) estão quase todas mal posicionadas, ditas no momento errado, e por isso, elas acabam não surtindo efeito, salvo raras exceções. O núcleo humano também é mal desenvolvido aqui (provavelmente, foi o que mais atrapalhou os atores), e foi incapaz de criar qualquer empatia pelos personagens. O ritmo desenfreado, que segue as características da direção, também não colabora.

Porém, há acertos… Ou melhor, ideias plantadas que podem ser bem utilizadas no futuro. Entre elas, a expansão da mitologia dos Transformers; o retorno de um antigo personagem, que ainda deve fazer muito barulho; o fato dos humanos tentarem criar Transformers também não é de se jogar fora, sem contar que trouxe um debate, no mínimo curioso, sobre os robôs.

Visualmente, digo que o senhor acertou muito, mais uma vez. Não vejo como pode ser algo criticado, a não ser por ser maçante. Isso certamente é pelo fato do filme ser muito, muito, muito, MUUUUUUUUUUUUUUUITO e desnecessariamente muito longo. Já o 3D, que no 3 foi um acerto, neste me parece desperdiçado… Havia maior potencial, mas ele é menos utilizado, chegando nem a valer a pena o ingresso mais caro.

 TF4

Contudo… Por mais que estes erros pesem e tampem o que o filme tem de bom, eu não consigo odiá-lo à exemplo do segundo. Talvez seja pelo fato que, assim como quase todas as crianças do mundo (e outros tantos adultos que ainda possuem uma criança interior), eu fui ao cinema para ver um robô montado em um dinossauro robô bradando uma espada e destruindo outros robôs, além de vários estereótipos, que incluem máquinas fumante de charutos e a presença de um samurai. Realmente, para que roteiro? Para que o núcleo humano? Não é para isso que pagamos o ingresso para ver o filme? Não é isso que queremos ver desde o primeiro minuto? Esta é a verdadeira magia do Transformers… E é isso que nos faz não largar a série.

Por isso tudo, Michael Bay, pela franquia ser esse ‘mal necessário’, e mesmo sabendo que nunca lerá isso, quero deixar registrado minha admiração por você. Brinco com amigos (com um fundo de verdade) ao chamá-lo de um “gênio incompreendido”. Alguém com uma visão tão única e diferente sobre o que é fazer cinema, que o reconhecimento pelo trabalho não vem com facilidade. Suponho que você já esteja cansado da franquia (ao menos como diretor), e ela, caminhando para o 5º filme (quantas alcançaram esse número?) necessite de uma revitalizada no modo de ver as coisas, no modo de contar a história. Porém, seria o Transformers que conhecemos? Ou o do que (nem que seja minimamente) gostamos?

Qualquer semelhança é mera coincidência...
Qualquer semelhança é mera coincidência…

Finalizando, saiba que por maiores que foram os tropeços existentes nestes quatro filmes, eu ainda quero, muito, ver um 5º longa, e estarei lá para conferi-lo. Porque o cinema, querendo ou não, PRECISA deste tipo de filme. Porque você, Michael Bay, é o cara que amamos odiar… E odiamos amar.

Atenciosa, respeitosa e bombasticamente,

Luís Gustavo Fonseca

Nota: 6/ 10.

Anúncios

6 comentários sobre “Transformers: A Era da Extinção

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s