[REVIEW] Planeta dos Macacos: O Confronto

“Tão bom quanto seu antecessor, continuação é mais um show a parte de Andy Serkis”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

A franquia Planeta dos Macacos é uma das mais antigas ainda em atividade nos cinemas. Emplacando 5 filmes entre 1968 e 1973, a série se tornou uma das referências de seu tempo, criando uma legião de fãs ao redor do mundo. Ela ainda conta com um filme de TV do começo dos anos 80, um filme dirigido por Tim Burton em 2001, até chegar em seu reboot em 2011.

E foi com este reboot que fui apresentado a série, assim como toda uma nova geração. O filme não poderia ser um cartão de visitas melhor: com uma direção bem feita e um roteiro que soube estabelecer um universo, o filme conta com atuações satisfatórias e é preciso ao montar a origem de Cesar, vivido por Andy Serkis (o Gollum da trilogia O Senhor dos Anéis). Um começo que prometia levar a nova série a novos patamares.

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Devido a qualidade do primeiro longa, a expectativa para o segundo filme era grande. Na trama, 10 anos separam o final de seu antecessor até a continuação. Cesar, ao lado dos símios que libertou ao final do primeiro filme, construiu uma sociedade independente, que caça, pesca, e possuem regras próprias, como “Um macaco não mata outro macaco”. Pelo lado humano, após ter se espalhado pelo mundo todo, o vírus ALZ-113, chamado de “Gripe Símia”, foi responsável por dizimar boa parte da civilização humana. Um grupo imune ao vírus reside em uma São Francisco pós-apocalíptica, liderados por Dreyfus (Gary Oldman). Recursos como gasolina e energia estão acabando, e um grupo liderado por Malcom (Jason Clark) tenta chegar a uma represa hidroelétrica, localizada na mata dominada pelos macacos.

Ao contrário do que chega a ser comum em outras produções, a mudança de direção de Ruper Wyatt para Matt Reeves não impacta negativamente o longa. Pelo contrário, o clima de tensão e suspense do diretor, que ele já tinha mostrado em Cloverfield – Monstro, casa com a direção que esta nova série de Macacos pretende tomar. O diretor proporciona boas tomadas, principalmente em cenas de ação, sem deixar o espectador perdido. Sua fotografia mais escurecida só é atrapalhada pelo 3D, que segue o padrão da maioria dos blockbusters atuais e pouco (ou neste caso, nada) acrescenta. Fica a dica para quem ainda for conferir o filme.

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O clima sério e tenso tem ajuda do roteiro, assinado a 6 mãos por Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver (os dois últimos responsáveis pelo filme de 2011). O “Confronto” não é apenas entre o evidente embate entre humanos e macacos, mas conflitos internos também, nos dois grupos (conflitos fundamentais para o desenvolvimento e o desfecho da obra). O artifício se torna um grande trunfo ao mostrar que, no fundo, humanos e macacos são mais semelhantes do que parecem.

O roteiro também acerta em outros aspectos. Logo no início, quando conhecemos a sociedade símia, é possível perceber a importância de Cesar para a comunidade. O personagem, carismático, é o pilar fundamental da estabilidade de sua família e espécie. Desta vez, com Jason Clark, a relação dele com os humanos é novamente bem explorada. Por fim, o desenvolvimento, não só do personagem, mas do Universo, é acertado, ficando na medida certa.

Encarada mortal do Cesar
Encarada mortal do Cesar

No campo das atuações, um resultado satisfatório de todo o elenco. Dignos de nota: Gary Oldman aparece menos do que eu esperava, mas entrega um bom trabalho; Jason Clark consegue trazer decência para um dos poucos humanos que parece se preocupar com os macacos. Mas os holofotes ficam com Andy Serkis, em mais uma atuação monstruosa. Especialista na tecnologia por captura de movimentos, o ator é responsável por transpor a presença e poder do personagem pelas feições e pela voz. Em todo momento que Cesar comanda suas ordens, tudo ao seu redor emudece (até a trilha!), e a capacidade do ator traz novamente o debate se uma atuação por captura de movimentos pode ser indicada ao Oscar de melhor atuação (que, novamente, seria merecido).

Não só a atuação de Serkis deixa o macaco Cesar na memória. A movimentação do ator/personagem é de um realismo gigante, criando momentos de dúvida se o que se vê em tela é realmente computação gráfica ou real. Realismo aumentado pela qualidade visual do filme, melhorada em relação ao primeiro (que já era excelente) e pela quantidade de atores que fazem a captura de movimentos (o filme com maior número de atores neste quesito), que dão movimentos próprios aos personagens, dando uma verossimilhança maior para eles.

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Por fim, a trilha, desta vez não composta por Patrick Doyle, mas por Michael Gianhinno. A qualidade do trabalho, contudo, é a mesma, com um casamento ótimo entre o que está sendo tocado e as cenas. O trabalho sonoro do filme, a exemplo do antecessor, continua de um nível altíssimo.

É seguro dizer que Planeta dos Macacos: O Confronto é um dos melhores filmes deste ‘verão’. Com um desenvolvimento na medida certa e acertos nos mais variados quesitos, o longa solidifica o retorno da franquia, e caminha a passos largos para se tornar uma BAITA trilogia (se bem que mais filmes, seriam extremamente bem vindos!)

Nota: 8,5/ 10.

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12 comentários sobre “[REVIEW] Planeta dos Macacos: O Confronto

  1. No mesmo nível do antecessor. E que franquia está sendo formada!

    Apesar de um roteiro essencialmente simples e artifícios de narrativa semelhantes ao anterior (como as inevitáveis comparações entre as comunidades primatas, e novamente, destaco o trabalho com a comunicação!), as discussões não são repetitivas. É formidável ver um filme de verão com tantas questões sociais sendo abordadas. Aliás, o filme é absurdamente político (DJ, acertamos na mosca o cunho daqueles posteres!) e nesse aspecto incomum nos blockbusters, interessantíssimo.

    E ainda engrandecendo o roteiro, o fato de sabermos o ponto final da história não atrapalha em absolutamente nada a experiência. Além disso, como é bom o desenvolvimento de personagens e como se elevou este aspecto do anterior para cá.

    Outro ponto que considero interessante, é a relativa independência dele com o anterior. Isso pode ajudar muito na bilheteria.

    Entre as poucas fraquezas, desgosto da extensão do desenvolvimento do filme. Aquele vai e volta na cidade é cansativo…

    Mas o diretor acerta em muitas outras coisas, como numa ação significativa. Os momentos que antecedem a guerra de Koba são tão bem feitos, que não há espectador que não considere o momento de conflito nada além de um show de desperdício de vidas.

    E um último elogio aos artistas digitais… Tantos macacos e todos com suas distinções notáveis, não só de aparência, como de feições e movimentos. Deveras impressionante!

    Do que lembro, é isso. Excelente! Recomendadíssimo!

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