[REVIEW] O Grande Hotel Budapeste

“Simplesmente, Wes Anderson… Mais uma vez!”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Meu primeiro contato com as obras de Wes Anderson foi em meados do ano passado, com Moonrise Kingdom, filme na época elogiadíssimo e que vinha de uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro, entre outras importantes premiações. Foi amor à primeira vista. De forma  difícil de descrever, houve uma certa magia no filme que me fez encantar de imediato com o modo de fazer o filme e contar a história do diretor.

Neste mês, estreou no Brasil a sua nova obra, O Grande Hotel Budapeste. A expectativa era grande, pois além de contar com um elenco estrelado, no último ano aproveitei para conferir outros trabalhos do diretor, como o muito bom Os Excêntricos Tenebaums (2001), o bom A Vida Marinha com Steve Zissou (2004) e (e aqui irei cometer uma heresia) O Fantástico Sr. Raposo (2009), que acho que poderia ter levado o Oscar de Melhor Animação de UP, mas isso não é conversa para agora.

Budapeste 4

A trama de Budapeste é contada pelo “Autor” (vivido, na versão mais velha, por Tom Wilkinson), quando este, mais jovem (interpretado por Jude Law) encontra com Mr. Moustafa (F. Murray Abraham), já no decadente e quase abandonado hotel do título. Em um jantar, Moustafa conta como acabou virando dono do prédio: décadas antes, ainda um menino sem família, e chamado de Zero, ele começa a trabalhar como mensageiro do hotel, sob as ordens de M. Gustave (Ralph Fieenes), o concierge que faz com que tudo lá dentro funcione de maneira praticamente perfeita.

Todas as características estéticas de Anderson estão presentes no filme (e o motivo pelo qual gosto do estilo dele): a câmera estática que filma os personagens de perfil; a simetria precisa dos quadros; o giro de 90° da câmera nos cenários; a fotografia colorida e delicada do artista; e claro, o travelling que passeia na mudança de um cenário para outro, uma de suas mais conhecidas marcas. Todos os atributos que, novamente, foram executados impecavelmente, mantendo o alto nível de seu trabalho.

Budapeste 1

No roteiro, que ele também assina, o tipo de humor característico do diretor também está presente. A partir de uma trama ‘manjada’ envolvendo mistério e assassinatos, Anderson cria boas linhas de diálogo, e faz com que o contraste entre o jeito pomposo e poético de M. Gustave com falas recheadas de palavrões crie efeitos cômicos instantâneos. A história acaba se tornando um passeio leve e delicioso, fazendo com que a resolução do mistério não seja o foco nem o mais importante.

Claro que com um elenco tão grande, o equilíbrio do tempo em cena seria uma tarefa difícil, mesmo porque a história é centrada em Gustave e Zero, presentes na maioria absoluta das cenas. Porém, a ótima direção de atores é outra característica de Anderson, e mesmo que com participações especiais, como as de Bill Murray, Owen Wilson, Edward Norton, Jason Schwartzman, William Defoe (todos já haviam trabalhado com o diretor antes), Léa Seydoux, entre outros, acrescentam à obra, tornando cada cena singular. E os protagonistas não deixam por menos: Tony Revolori vive Zero, e conseguiu mostrar competência e talento ao ser um dos pilares principais da obra. Sua atuação é no máximo ofuscada por Ralph Fiennes, que merece aplausos. Atuação vívida, engraçada e competente,  digna de prêmios, no possível melhor papel da carreira do ator, que perceptivelmente entregou-se ao personagem.

GHB_9907 20130130.CR2

Os cenários bem construídos e ricos em detalhes, o figurino merecedor de atenção e a trilha leve e adequada de Alexandre Desplat (que já trabalhou com Wes em Kingdom e Raposo) coroam a obra, tornando o filme um dos melhores deste ano. Apesar de tudo isso, a obra não causou a mesma magia que outros trabalhos de Anderson, como os já citados Moonrise Kingdom e O Fantástico Sr. Raposo. Obviamente, é um fato que não desmerece em nada o trabalho de Budapeste. Aos leitores, a recomendação de que procurem ver o filme no cinema, para que esse tipo de filme não blockbuster continue tendo trabalhos tão bem feitos como esse.

Nota: 8,5/ 10.

Anúncios

10 comentários sobre “[REVIEW] O Grande Hotel Budapeste

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s