Guardiões da Galáxia

“Recheado de piadas e embalado por hits dos anos 70, maior aposta da Marvel se transforma em grande acerto”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

O ano de 2008 foi um marco na história da Marvel. Naquele ano, a empresa lançava seu primeiro filme próprio, apostando em um herói que, na época, era considerado de segundo escalão. Desnecessário dizer que hoje praticamente todos sabem o seu nome.

A partir daí, a empresa colheu muitos e muitos frutos. Não livre de tropeços e contestações, claro, mas financeiramente, emplacou filmes que culminaram no sucesso vertiginoso de Os Vingadores, de 2012.

Com o time ganhando (e em time que tá ganhando, não se mexe), o que a Marvel poderia fazer de diferente? Além de sequências para os seus heróis conhecidos, o que de inovador, ou ousado, ela poderia fazer?

Bem, ela poderia apostar em um grupo muito mais desconhecido do que o Homem de Ferro era antes de seu primeiro filme, um grupo que foi reinventado também no ano de 2008: os Guardiões da Galáxia.

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“De nada”. Eles previram o sucesso.

O grupo de heróis, na verdade, é bastante antigo: data de 1969, com uma formação completamente diferente do que chega as telonas agora. Os membros que formam o atual grupo, estabelecidos por Dan Abnett e Andy Lanninge, também não são produtos de agora – para se ter uma ideia, Groot apareceu nas HQs antes do Homem Aranha! Porém, graças à nova formação, a equipe teve uma popularidade maior no mundo das revistinhas, mesmo que isso ainda fosse ínfimo se comparado ao total de pessoas que irão ver o filme.

A boa notícia é que as especulações e agouradas podem ficar para trás: Guardiões da Galáxia tem tudo para ser um sucesso, tanto de público quanto de crítica.

Na trama, acompanhamos Peter Quill (Chris Pratt), que se autodenomina Senhor das Estrelas, um fora da lei intergaláctico que rouba itens para revendê-los posteriormente. Contudo, ele acaba roubando a ‘Orbe’, um item que interessa muito Ronan, o Acusador (Lee Pace), um fanático da raça Kree que não tolera o frágil acordo de paz entre sua raça e o povo do planeta Xandar e que, a serviço de Thanos (dublado por Josh Brolin), pretende possuir a misteriosa ‘Orbe’ para por fim ao planeta dos xandarianos, lar da força espacial da Tropa Nova.

Para possuir o item, Ronan envia Gamora (Zoe Saldana), filha adotiva de Thanos, atrás de Quill. Ao mesmo tempo, Rocket Racoon e Groot (dublados pro Bradley Cooper e Vin Diesel, respectivamente) também estão à caça dele, já que um prêmio por sua cabeça foi anunciado por Yondu (Michael Rooker), seu antigo amigo. Após um confronto inicial, todos os quatro são presos pela própria Tropa Nova, e na prisão, conhecem o último integrante do que viria ser a equipe, Drax, o Destruidor (vivido pelo ex-lutador de WWE Dave Baustista).

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Na direção e no roteiro (sendo que no segundo, ao lado de Nicole Perlman, a primeira mulher roteirista da Marvel) temos James Gunn, de Super. Apesar de não ter um currículo de força, o diretor merece elogios por ter conseguido fazer um filme de equipe tão eficiente e bem feito. O fato de existirem dois Quartetos Fantásticos, X-men 3, Liga Extraordinária e até mesmo Watchmen (que acho ótimo, mas é um filme controverso para os que já leram a obra de Moore) provam que a tarefa não é simples. O próprio Vingadores não está tão perto ASSIM de uma unanimidade.

Mas Gunn conseguiu. Explorando à fundo o universo intergaláctico da editora, banhando o filme de referências e detalhes, a obra tem um ritmo agradável, capaz de prender a atenção do espectador, que fica atenta em todo momento. O ritmo aventuresco ganha contornos mais leves com a presença do humor característico da Marvel (Uma pausa: se todo filme do estúdio você sai reclamando porque ‘focou muito na comédia’, Guardiões será um pesadelo. É o modo como eles fazem os filmes, e dificilmente mudarão isso. É perfeito? Claro que não! Mas desmerecer toda a obra por causa disso já está virando um discurso batido. Vira o disco!), e as piadas ajudam a dar vida ao filme. Poxa, como não rir de Quill tentando convencer Gamora sobre a importância da dança apelando para o Kevin Bacon!?!?

O roteiro também é competente ao estabelecer rápidos backgrounds para os protagonistas, mesmo que de forma apressada e não muito aprofundada.  O desenvolvimento da relação dos personagens, apesar de um tanto clichê, é bem executado e conta como um ponto positivo do longa, já que é feito de maneira orgânica e crível.

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Porém, não é um filme isento de falhas em sua narrativa, uma vez que algumas decisões dos personagens, principalmente estratégicas, são bastante equivocadas, e simplesmente não fazem muito (ou qualquer) sentido. A coreografia das lutas e cenas de ação não são tão bem feitas como em Capitão América: O Soldado Invernal. Porém, o mais preocupante e grave é o trabalho com o vilão Ronan. A exemplo do que acontece em outros filmes da Marvel (que demonstra ter dificuldade em emplacar um vilão, talvez por isso Loki seja tão querido), o antagonista é sub aproveitado, assim como Nebula (Karen Gillan). E isso nem é por causa dos trabalhos dos atores, que não prejudicam em nada a produção. Porém, a trama chega em um determinado momento em que você pensa “Ixa, agora já era”… Mas… Não. O problema é resolvido de forma até simplória, e toda a teórica força ‘insuperável’ do vilão se mostra um blefe, diminuindo o impacto dramático de sua presença. É algo parecido do que ocorreu com o Malekith em Thor: O Mundo Sombrio. Suspeito que isso se deva a uma certa aparição no decorrer do longa.

Problemas no elenco, porém, são inexistentes. Chris Pratt leva o filme nas costas tranquilamente, com características que lembram Han Solo, mas com um pouco do jeito de pensar do capitão Kirk (perigoso por estas duas franquias tão perto assim, mas falem isso pro JJ Abrams), e acaba sendo um personagem bem carismático, nossa referência no meio das diversas espécies coloridas do espaço; Zoe Saldana tem uma presença badass, proporcionando uma Gamora maneira, apesar de, às vezes, desperdiçada; Davi Baustista dá conta do recado e na hora da pancadaria, mostra o porquê é um profissional; E Bradley Cooper e Vin Diesel correspondem às expectativas e criam uma sinergia ótima entre Rocky e Groot. Cooper com diálogos melhores e sendo mais engraçado do que na trilogia de Se Beber, Não Case inteira, e Diesel… Prometeu e cumpriu. Realmente, há diversas maneiras de se dizer “I’m Groot”.

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Visualmente, o filme também acerta. Efeitos especiais de ótima qualidade, combinados com um figurino variado e colorido, criando diversas raças de alienígena, o que lembra a cena do Space Bar em Uma Nova Esperança. Essa variedade de tonalidade das espécies colaborou com a bonita fotografia do filme, que, felizmente, não é atrapalhada pelo 3D. Entretanto, o formato também não é aproveitado ao máximo, e quem optar pelas versões 2D, não estará perdendo muita coisa.

Por fim, criou-se uma baita expectativa pela trilha sonora, composta Tyler Bates (responsável pelas trilhas de 300, Watchmen e Sucker Punch) que foi sendo divulgada durante os trailers, e que em cena, combina perfeitamente com o clima do longa. A mistura de uma ótima parte instrumental com hits dos anos 70 e 80 andam de mãos dadas com o filme, ajudando a criar ótimos momentos cômicos no percorrer dele, dando uma ambientação única a produção.

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Apesar das ressalvas Guardiões da Galáxia supera os desafios e se estabelece fortemente com uma franquia, tanto que um segundo filme já tem data de estreia para 2017. Com humor, personagens carismáticos e uma ótima trilha, o filme é a prova que a Marvel ainda não errou (ao menos, de forma desastrosa)… E acho que não será em Avengers: Age of Ultron que isso acontecerá.

Nota: 8,5/ 10.

P.S.: A cena pós créditos (só há uma, a depois de TODOS os créditos) não trabalha em nada a questão da história, ou faz ligação com algum outro filme. E nem é uma prévia de Os Vingadores 2. Porém, a participação especial é EXCELENTE!

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39 comentários sobre “Guardiões da Galáxia

  1. Superou minhas expectativas, não que isso seja um grande feito, mas o filme é muito bom. Não conheço as HQs (novidade), mas pra mim o humor já faz parte dessa nova franquia e espero continuar vendo isso nos próximos filmes.
    Não gostei do tal Peter, achei repetitivo, prefiro o Groot hahaha. Os personagens são tão bons juntos que o plot passou a ser uma desculpa pra tudo acontecer. Então, foda-se o vilão.
    Minha nota para o filme é a mesma que a sua DJ, mas acho que os nossos 8,5 não são os mesmos.

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