[FORA DE SÉRIE] DOCTOR WHO

Allons-y! (francês para “vamos começar a falar de Doctor Who!”)

Quais são as razões para se ver Doctor Who? Por que a grande maioria dos fãs (os whovians) é ultra-apaixonada?

Por Matheus Araujo

Sem delongas, minha primeira razão para ver Doctor Who (DW) é sua premissa fantástica e flexível, como bem demonstrou o passar do tempo. O programa inglês em seus primórdios, nos longínquos anos de 1963, pretendia utilizar-se da ficção científica, que explodia no momento, a fim de “tampar um buraco” entre a programação jovem e nobre do canal BBC, agradando dois distintos públicos. O carisma para conquistá-los cabia aos protagonistas: a neta do Doutor, a personagem para o público jovem; seu avô enigmático, responsável pela conexão com o público mais maduro; e ainda dois professores intrigados da menina, que eram o canal pelo qual se pretendia ensinar história pelo advento das viagens espaço-temporais.

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Os primeiros.

Claro que só a sinopse da série clássica está longe do substancial para explicar a paixão dos whovians ou mesmo a longevidade da série. Ou talvez seja. “Viagem no tempo-espaço”, se depreendendo todos os significados, sejam fictícios ou não, basicamente permite dizer a qualquer um quaisquer mensagens. Minha companhia de leitura, são 50 anos de viagens… Pense nas possibilidades! As limitações, mais do que em qualquer outra obra, são exclusivamente o desejo e a criatividade do criador.

Deslocando-se livremente no espaço-tempo, uma das únicas constantes da aventura é o Doutor. E, ainda assim, nem ele é tão fixo, já que tem lá suas 13 encarnações! O que gera uma excelente consequência, se pensarem por um momento. Uma enorme complexidade para o personagem, já que cada versão do Doutor tem suas particularidades, cada ator o interpreta com seus trejeitos. São 13 personagens que convergem num só, 13 personagens que interferem numa história contínua e até mesmo interagem entre si. Repito: as possibilidades são e foram magnânimas.

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All the thirteen!

Do outro lado da complexidade gerada pelas atuações, ao se analisar a composição do Doutor, vê-se uma essência pautada na simplicidade e, deveras, lúdica. Vamos a exemplos:

  • Sua “arma” é uma chave de fenda sônica – um objeto não para destruir, mas consertar (e concertar também, lembre-se: é sônica!).
  • A aparência da TARDIS, sua espaço(tempo)nave, deveria se transformar de modo que melhor a escondesse no ambiente. No entanto, esse mecanismo de camuflagem quebrou no meio dos anos 60 e para sempre a “condenou” à forma de uma cabine azul policial. Abstraia suas frustrações militares e terá nela um símbolo de proteção, segurança. Outro detalhe, na TARDIS está escrito: PUBLIC CALL. Logo, a última coisa que veremos o Doutor fazendo é virar as costas a um pedido de ajuda.
  • E ainda relacionado à TARDIS, tem-se uma das mais frequentes linhas de diálogo da série: Ela é maior por dentro! Preciso mesmo explicar?
  • Até mesmo o nome do herói, Doutor, significa uma promessa para sua vida de eterno auxílio.
  • Não bastasse tanto, o alienígena mais britânico de todos possui DOIS CORAÇÕES! Reitero, a simplicidade da composição é um artifício, além de genial, belíssimo.

Ademais de atuar em qualquer tempo e qualquer lugar, o mais simpático dos Senhores do Tempo (a espécie do Doutor) também explora qualquer estilo, qualquer formato para suas peripécias. A flexibilidade de Doctor Who permite que qualquer um goste do show, pois caso você tenha suas divergências com “algo”, é improvável que este se repita. Pelo menos, em uma freqüência tal que você se aborreça ao ponto de desistir. Mudança é um dos temas mais recorrentes de DW.

É um tanto óbvio que por tanto mudar, que sem a condução certa essas possibilidades poderiam ser um desastre. E aconteceu! De 89 a 2005 Doctor Who sumiu da grade de programação. No entanto, DW tem/ teve grandes colaboradores que mais do que compensaram as tragédias de outros. Sir Ian McKellen, John Hurt, Douglas Adams, Neil Gaiman e até Simon Pegg, são exemplos de grandes nomes que já deram suas contribuições à série. O que não é raro, visto que DW existe a tanto tempo que, há gerações, talentos são influenciados e vários até escolhem sua carreira  em decorrência do Doutor. A importância cultural de DW, logo, cresce geometricamente. Então, não se espante em ver referências ao Senhor do Tempo. Elas estão em TODA parte.

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Maior por dentro. Um pouco de tecnologia britânica!

Outro excelente dos motivos é a infantilização do espectador. A grande verdade é que a maioria de nós era mais feliz quando criança. E, novamente brincando com artifício espaço-temporal neste texto, digo que o Doutor nos permite mais essa viagem. O programa em si é uma TARDIS e te devolve a mais tenra época da vida.

Enfim, esses são alguns dos principais motivos que me fazem whovian e, principalmente, aguentar os pavorosos efeitos especiais – a mais comum das reclamações dos iniciantes e meu motivo final para você se tornar um companheiro do Doutor.

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Slitheen, a pior de todas as coisas  no retorno de 2005. Felizmente, como eu antes disse, tudo na série passa.

Sim, eles são terríveis. Mas aguente firme! Com o tempo você passa a gostar. À medida que a série amadurece, eles melhoram. Mas não é, de fato, a melhora que te faz gostar. É o seu envolvimento com a série, que nunca deixa de aumentar, que permite que aprecie o trabalho minucioso, quase artesanal, dos artistas visuais que com tanto cuidado, carinho e pouquíssimo dinheiro, fazem a série que você gosta.

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E mais outra coisa: É bom demais ver efeitos práticos ao invés de computação gráfica. Questão de gosto, claro. Por mim: melhor e nostálgico.

Molto bene (italiano para concluir algo de Doctor Who), essas são minhas principais razões e, como percebem, a maioria nem é tão racional assim.

A oitava temporada chega no próximo dia 23. Quem vai assistir? Quem?

Allons-y?!

Se interessou por Doctor Who e não sabe por onde começar? Descubra aqui.

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