[FORA DE SÉRIE] O cinema está a caminho da televisão?

Por Luís Gustavo Fonseca

Talvez isso ocorra desde sempre, e eu esteja percebendo somente agora, mas já parou para pensar em quantas séries de TV derivadas de filmes estão sendo anunciadas?

De um ano para cá, tivemos, só de exemplo: Agents of SHIELD, com plano de fundo do Universo Cinematográfico da Marvel; depois, foi a vez de Fargo (recentemente vencedora do Emmy de melhor Minissérie), que tem a mesma pegada do filme homônimo dos irmãos Cohen, e já garantiu uma segunda temporada; durante a Comic Con, Sam Raimi anunciou que Evil Dead irá se transformar em uma série de TV; e nesta última semana, foi dito que mais dois filmes ganharão uma extensão para as telinhas: Minority Report, filme de Steven Spielberg de 2002 e estrelado por Tom Cruise; e Ashecliffe, um prequel de A Ilha do Medo, também ganhará vida, com o episódio piloto dirigido pelo próprio diretor do filme, o grande Martin Scorcesse.

Acho que ele não previu isso
Acho que ele não previu isso

Essa “migração” possui vários efeitos. O primeiro talvez seja o próprio modo de pensar em fazer um filme. Se antes se fazia um filme e, com qualquer graninha a mais que ele fizesse, já se falava em uma continuação, talvez agora seja hora de pensar se não há um custo benefício melhor em fazer uma série de TV.  É uma mídia que requer menos recursos financeiros (os orçamentos das séries nem se aproximam dos valores milionários de muitas super produções) e tem mais tempo para desenvolver a história (se em um filme você tem que contar uma trama fechada em cerca de  2 horas, agora você pode ter 10, 12 episódios de 1 hora cada para contá-la, permitindo uma liberdade maior para os roteiristas), além da possibilidade de renovação de temporada. Seria um tiro bem menos arriscado, não?

 Por outro lado, pode-se dizer que essas séries derivadas, geralmente, pecam em um aspecto importante: a falta de identificação com o personagem principal. Afinal, é pouco provável que Tom Cruise ou Leonardo DiCaprio topem um retorno aos seus papéis, já que contar com eles por esse período não deve sair barato. Por isso, há necessidade de mudar o foco, de apenas aproveitar aquele universo (e não reutilizar, de fato, os personagens, como fez Zombieland, que trocou os atores originais que já tinham construído uma relação forte com o público. Conclusão: o piloto foi massacrado e a série, cancelada).

SI 1
Mistérios sobre a ilha irão voltar… YEAH!

Isso não quer dizer, claro, que a TV não tenha excelentes atores, ou que atores mais conhecidos no cinema não possam fazer uma série. É só ver o trabalho (e os elogios!) a Kevin Spacey em House of Cards ou Matthey McConaughey em True Detective.

A pergunta que fica é se esse movimento será apenas uma “febre” passageira, ou algo para valer. Com isso, a vontade dos fãs de conferir algo novo (e com uma regularidade bem maior) de algo que amam pode ser saciada mais facilmente, apesar do risco de não possuir a mesma qualidade (atores, diretores e roteiristas diferentes, e incapacidade de investir da mesma forma em efeitos especiais, dado o orçamento mais limitado). Acho que o único jeito saber sobre isso é, de fato, conferindo.

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