[REVIEW] Lucy

“Luc Besson nos convida para uma interessante e exagerada viagem sobre nosso cérebro”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Quando eu ainda era pequeno, já tinha ouvido falar em algum lugar do mito que os seres humanos usam apenas 10% do potencial do seu cérebro. Apesar de a informação ser bastante equivocada (e aproveito para deixar o registro que só descobri isso poucos minutos antes de escrever essa crítica), a ideia não deixa de ser, de certa forma, interessante, pois nos possibilita pensar e imaginar sobre a  questão “E se usássemos os 100%?

Bem, praticamente, ESTE é o plot de Lucy. A personagem, interpretada por Scarlet Johansson, é uma mulher comum que, por ironia do destino, acaba se envolvendo com o tráfego de drogas da Taiwan, caindo nas mãos do mafioso Jang (Min-sik Choi). Com um pacote da droga C.P.H. 4 implantada no corpo, Lucy recebe a missão de transportar a droga para outra parte do planeta. Entretanto, após sofrer várias agressões na barriga, a droga acaba derramando na corrente sanguínea dela e… Bem, ela passa a utilizar cada vez mais o potencial do seu cérebro.

 Lucy 3

A direção e o roteiro do filme ficam por conta de Luc Besson, famoso por trabalhos como O Quinto Elemento e o excelente León-The Professional. Partindo do princípio que o espectador acionará uma boa dose de suspensão de descrença para a trama do filme (se for para falar que a questão da utilização do cérebro está errada a todo o momento, não adianta ver), Besson proporciona uma boa “viagem” na trama. Aplicando uma ficção científica própria, onde o desenvolvimento de Lucy permite que ela possa controlar pessoas, objetos, alterar a matéria, controlar energia e campos magnéticos, o diretor aproveita para contar uma história que flui sem problemas, com boa intensidade provinda das cenas de ação bem feitas e temperadas com um ou outro alívio cômico, e que não entedia o espectador. Outro aspecto que chama a atenção é o fato que, permeando a história, há cenas da vida selvagem que dariam inveja ao Animal Chanel (aliás, momento em que a fotografia se destaca da melhor forma), e que estão bem relacionadas ao que está acontecendo no filme.

Lucy

A concentração da trama é toda em Lucy, por isso, o trabalho de Min-sik como vilão, assim como Amr Waked na pele do policial Pierre Del Rio, que auxilia Lucy a evitar que outros portadores das drogas alcancem seus destinos, carece de um melhor desenvolvimento, porém o trabalho dos atores em nada desagrada. Morgan Freeman, que interpreta Norman, um professor que estuda justamente essa capacidade do cérebro (e entra na narrativa de modo a guiar o espectador, explicando cada um dos estágios em que a personagem principal está passando) é um coadjuvante de luxo, também pouco aproveitado. Porém, aplausos para o trabalho de Scarlet. Segura e com presença, chama a atenção à capacidade da atriz se mostrar neutra, sem emoções, à medida que o cérebro vai rumando aos 100%. Afinal, quanto mais racional, menos passional a personagem é, certo? E Scarlet demonstra essa frieza de forma brilhante.

Coroando o filme, a trilha sonora de Eric Serra, que já trabalhou com Besson nos filmes citados acima, e que ajuda a dar ritmo a trama, aparecendo e combinando com o filme em momentos precisos.

Lucy 4

Enfim, aceitando a proposta do filme, a 1h30 do longa causam a sensação de satisfação, gerando um resultado positivo e de dinheiro bem gasto. Essas tramas envolvendo a atividade cerebral me agradam e, assim como Lucy, aproveito para recomendar o Limitless, estrelado pelo Bradley Cooper. Ambos valem a pena.

 

Nota: 7,5/ 10.

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3 comentários sobre “[REVIEW] Lucy

  1. Bem que podia ser o 2001 da nossa geração…
    To falando que é não, mas se fosse um pouco menos comercial cairia bem.

    Filme bem “interessante” e bonito de se assistir. Me surpreendeu. Vai uma nota 8.9

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