[REVIEW] Hércules

“Uma interessante reconstrução do famoso herói grego”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Mesmo com o passar de 2 milênios, muita coisa da cultura grega continua ligada ao imaginário das pessoas de hoje. Seja pelo fato de você ter estudado que a Grécia foi o berço da democracia (e depois ter descoberto que ela não era TÃO democrática assim); seja pelos seus famosos filósofos; ou mesmo a presença de 4 em 4 anos dos Jogos Olímpicos.

Mas é claro, o que talvez mais se destaque e é lembrado é a rica mitologia grega, que vez ou outra volta a ‘ficar na moda’. Releituras, como a de Percy Jackson, acontecem e ajudam a popularizar ainda mais os mitos e as lendas desta mitologia. E em uma época em que se aponta para uma “crise de criatividade em Hollywood”, com vários reboots e remakes sendo feitos, por que não apostar em um dos mais famosos heróis gregos?

HERCULES

Hércules ganhou, este ano, não só uma ou duas, mas TRÊS representações para os cinemas. Porém, a que me chamou atenção desde o começo sempre foi esta, estrelada pelo simpático Dwayne “The Rock” Johnson. Não havia grandes expectativas, na verdade, até certo receio. E justamente por isso que a sessão se tornou satisfatória.

O rumo escolhido pelo roteiro assinado por Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos é o grande ponto alto do filme. Ao invés de focar em uma passagem conhecida, como os “12 Trabalhos de Hércules” (que inclusive, é contada rapidamente na entrada do filme, servindo para apresentar o personagem de forma rápida e eficiente), a trama trabalha para dar uma nova roupagem. Não quase um deus, filho de Zeus, mas um homem que, com a ajuda de leais amigos e guerreiros, conseguiu construir uma imagem tão grandiosa. Ao lado deles, Hércules, mostrado como um mercenário, tenta fugir de fantasmas do passado, e, em um último trabalho, decide fazer parte da guerra civil que toma conta da região da Trácia.

hercules 2

Além dos acertos da introdução e na roupagem, o roteiro acerta ao determinar o ritmo tranquilo do filme, que é inteligente ao não querer ser longo e, por isso, não cansa. As cenas de ação aparecem no momento certo, temperadas por um humor que ajuda a tornar o filme mais divertido. É questionável a falta de aprofundamento dos personagens (talvez salvo o principal) e alguns plots previsíveis. Porém, o ponto mais negativo se daria a falta de um trabalho mais bem feito com a parte antagonista do filme, que é mostrada de forma bem caricata.

A direção de Brett Ratner (sim, o diretor de X-men: O Confronto Final), se não possui brilho, ao menos não prejudica a obra. Boas cenas de luta entre exércitos, e uma fotografia que não conseguiu ser estragada pelo 3D (que até esforça em fazer isso, mas atrapalha nesse sentido em apenas alguns momentos. O recurso, aliás, pouco acrescenta). Se por um lado, pela classificação, o filme peca em quase não utilizar sangue (algo que é, para quem gosta de 300, indispensável), é digna de parabéns também a decisão de construir os cenários utilizados no filme, o que ajuda a proporcionar uma imersão ainda maior ao filme. No fechar das contas, um bom “arroz com feijão”.

Além dos grandiosos cenários, o figurino também é elogiável. Seria apenas uma ‘obrigação’ desse tipo de filme, mas os coletes vermelhos, que marcam a presença visual dos exércitos da Trácia, ajudam a deixar este trabalho ainda mais destacável. Outra ‘obrigação’ era a trilha sonora, fundamental em filmes de guerra. A princípio, o trabalho da dupla Johannes Vogel e Fernando Velázquez (Mama, O Impossível) não chama a atenção, mas se recupera ao decorrer do filme e termina com um saldo positivo.

 HERCULES

As atuações vão pelo mesmo caminho. Mesmo nunca tendo feito uma aparição “Meu Deus, merece um Oscar”, é sempre notável a determinação e empenho de Johnson em seus papéis, e aqui não é diferente, marcando mais uma boa participação do ator. A sua trupe de amigos, cada um com uma especialidade (facas, arco e flecha, ‘bestialidade’, prever o futuro e até mesmo discurso) também não está mal, e mais importante, a química entre os personagens funciona. Novamente: nada de excepcional, mas o suficientemente bom.

Por fim, a satisfação ao final de Hércules é a marca de uma boa surpresa e de expectativas superadas. A grande sacada do longa é realmente a releitura acertada do herói, algo que se tivesse acontecido com o Robin Hood do Ridley Scoot, teria gerado um resultado bem melhor. Recomendado.

Nota: 7,5/ 10.

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