[REVIEW] Jobs

“Primeira biografia póstuma do visionário do mundo da informática talvez seja o filme que precisávamos, mas não é o que Steve Jobs merece”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Começo a crítica deixando claro que não tenho gosto algum pela Apple. Vou além: eu tenho até um tipo de ódio pela empresa. Não vejo muito problema nos produtos (é inegável a qualidade de grande maioria deles), mas na última década, o hyperismo e o fanboysismo de seus fãs mais assíduos é de encher o saco. Meu Deus, tudo é Apple, tudo Apple é melhor, bla bla bla, etc e tal. Caralho, me dá na telha isso. É verdade que todo fanboy é assim, mas os da Apple são especiais. Não tenho vontade alguma de comprar nada da empresa (que aqui no Brasil, é um assalto… Como todo o resto), mas se eu receber de presente, também não vou jogar no lixo (aí já é vandalismo!).

Apesar disso, a persona de Steve Jobs é, no mínimo, interessante, e digna de conhecer um pouco mais sobre. Com isso em mente, conferi a cinebiografia do homem por trás da maça de bom grado, porque o cara era um gênio, ponto. Acompanhei alguns detalhes da produção, fiquei surpreso quando escolheram o Ashton Kutcher para o papel principal porque veio a minha mente a imagem dele em Two and a Half Men, e pensei “LOL, mas tem nada a ver”.

Me enganei...
Me enganei…

Um olhar mais atento mostra que ambos tem uma certa semelhança natural, que foi ESPANTOSAMENTE lapidada pela equipe de figurino do filme, tornando-os idênticos. Desde o primeiro close em Ashton, com um Steve mais velho (em 2001), já salta aos olhos a qualidade da produção técnica do filme neste sentido. Nota 10/10.

O próprio Aston ajuda muito nessa caracterização, quando se torna evidente o esforço do ator em personalizar Jobs, reproduzido sua maneira de andar e, principalmente, de falar. Novamente, palavras como ‘clone’ vem à mente de quem vê, tamanha similaridade. Aqui, entretanto, a qualidade estética destacada não se repete, havendo momentos em que Kutcher sai desta personalização e acaba lembrando outros papéis. Aston, inevitavelmente, rouba cena, já que o filme é focado na sua imagem. Portanto, é a única interpretação que é bem explorada, e ele excede, levemente, boas expectativas. O resto do elenco não chega a ser um problema, mas devido a superficialidade do roteiro, acaba ficando meio de lado.

Jobs 4

O roteiro do filme, assinado por Matt Whiteley (estreante em Hollywood) não é tão bem feito como o figurino. Apesar das duas horas de duração, o filme é bastante corrido, dando saltos temporais descontrolados, jogando frases de efeito sem necessidade vez ou outra e deixando perguntas sem resposta no ar. Acerta, sim, em momentos de como mostrar a genialidade difícil do personagem, sua relação com as outras pessoas, mas se esforça, ao máximo, em mostrá-lo mais como um herói, do que alguém que para alguns, tem mais de vilão. O que mais me deixou triste, contudo, foi a completa ausência da abordagem entre Jobs e a Pixar, assim como o tempo curto de um momento chave, que é o seu retorno à Apple. Há também a ausência dos últimos anos de Jobs, projetos posteriores ao iPod (como o iPhone), que sem dúvida, foram produtos que consolidaram a imagem da empresa na recém criada cultura do século XXI.

Considerações finais, é a fotografia do filme, que mesmo não sendo das mais espetaculares, me agradou, e o mesmo digo da trilha de John Debney (Homem de Ferro 2). É certamente um filme que fica abaixo da imagem de Steve Jobs (outro filme, baseado na biografia oficial, parece estar nos eixos para uma produção), mas que não ofende também.

Nota: 7/ 10.

Jobs 1

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