Zumbi vs Morto-vivo

Por Rafael Martins Leite

Desde 1968 com o lançamento de Night Of The Living Dead, de George Romero, eles infestaram o cinema e as demais mídias populares. Com o passar do tempo, os zumbis só ganharam mais fama e reconhecimento, seja por cenas grotescas e sem sentido ou por críticas sociais e teorias sócio filosóficas complexas. Devido ao grande sucesso, vários autores e roteiristas criaram o seu próprio apocalipse-zumbi, o que diversificou muito o conceito do que é essa “raça” de monstro.

Os dicionários em português definem a palavra “zumbi” como sendo “um fantasma pertencente à cultura afro-brasileira que só vaga durante a noite”. Por outro lado, a palavra “zombie” em dicionários ingleses interpretam a criatura em questão como sendo o corpo de uma pessoa morta que foi reanimado por uma força sobrenatural, desprovido de fala e vontade própria. É evidente que o primeiro caso deriva da lenda de Zumbi dos Palmares, aquela que todo mundo ouviu nas aulas de História (e que infelizmente não vem ao caso agora). Entretanto, o que se pode afirmar, é que o ícone da cultura pop se apossou de uma palavra na nossa língua. Esse fato é comprovado uma vez que a primeira coisa que vem em mente quando ouvimos essa expressão é a imagem de um cara comendo vísceras.

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No entanto, todo o material já produzido sobre essa existência fictícia também contraria de certa forma a descrição mais fiel dos dicionários. Durante esses 46 anos, os zumbis já tiveram varias origens: magia, radiação, infecção, mutação genética, hipnose, com a lista se estendendo indefinidamente. Porém, nem todas estas causas sugerem que o indivíduo em questão seja um morto-vivo. Focando na contaminação de um vírus (que parece ser o caso mais comum), por exemplo, isso exige que o indivíduo esteja vivo, uma vez que nenhum vírus pode parasitar células mortas, e pode até implicar na existência de uma cura. É importante lembrar ainda que, nesse caso, o hospedeiro morreria em determinado momento, sem influência exterior, seja pelos danos que a infecção causa ao corpo, o apodrecimento dos tecidos ou fome.

O que une todo zumbi já apresentado a nós é o fato de serem seres movidos apenas por um certo motivo, seja ele instinto ou ordens de um terceiro. Isso implica que qualquer tipo de contato ou negociação com humanos é impossível. Além disso, significa que nem todo morto-vivo é um zumbi. Podemos ter como exemplo qualquer personagem da raça undead em World of Warcraft, Solomon Grundy, Spawn a.k.a Al Simmons e até mesmo Jesus Cristo.

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Em suma, levando em consideração todas essas ideias, podemos chegar a duas novas definições que facilitariam o entendimento do assunto.

Zumbi: ser desprovido de vontade própria que só se movimenta por certa razão.

Morto-vivo: indivíduo que ganha vida após ter morrido uma vez.

Então concluímos que, nem todo zumbi é um morto-vivo e nem todo morto-vivo é um zumbi.

É claro que essas definições, mesmo fazendo sentido, não passam de pura conjectura. Todo escritor tem plena liberdade de chamar o seu “zumbi” do que quiser, ghoul, necromorph, infectado, white walker ou até mesmo gatinho manhoso da Chechênia. Se a história for boa, a gente vai ficar satisfeito com qualquer um deles.

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7 comentários sobre “Zumbi vs Morto-vivo

    1. Pablo, boa pergunta. É bem complicado a questão do Eu sou a lenda, mas eu acredito que não se trata de zumbis. Os infectados se tornam extremamente violentos com os demais humanos e se alimentam do sangue deles, mas ainda sim tem a capacidade de raciocínio e, ao que o filme indica, sentimentos. É impossível saber se os indivíduos organizaram se em uma sociedade e até que ponto de desenvolvimento a mesma chega.
      Lembrando que os meus argumentos se baseiam no filme, pois eu não li o livro e tenho ciência de algumas discrepâncias.

      1. De qualquer forma, eu não sei exatamente como categorizar os infectados. O termo vampiro é muito relacionado a toda um misticismo e podemos dizer até que a raça possui uma cultura própria.
        Um termo mais genérico para ser usado seria “mutante”. Entretanto, não acho que seja o ideal, pois sugere mutações de DNA, o que acredito não ser o caso.

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