[REVIEW] Sin City

Por Matheus Araujo

A estética sempre fora o mais atraente de Sin City, o que indubitavelmente é mais mérito de Frank Miller, autor e ilustrador do material original. Sin City é, caso não saiba, original da arte sequencial – das histórias em quadrinhos. As quais, até o presente momento, jamais me passaram pelas mãos, o que imediatamente lhe faz concluir, nobre leitor, que em momento algum discutirei o filme como adaptação nas próximas e poucas palavras. Ou não.

Sin City é a adaptação de diversas das histórias de Miller. Um apanhado do que, segundo o próprio autor, que participa ativamente do filme, em conjunto com o cineasta Robert Rodriguez, traduz o espírito de sua obra. A composição em seu todo, a menos em minha percepção, não mais tem que pequenos laços de uma para outra história, todas caracterizando diferentes quadros da decadente Basin City.

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Miller deve ser o quadrinista menos frustrado com a adaptação de seus trabalhos.

Ter o próprio Miller na direção e roteiro facilita a adaptação. Mas tenho lá minhas dúvidas… O Miller tem certa linguagem cinematográfica em suas HQs (novamente, não li Sin City, mas conheço outros de seus trabalhos), contudo, essa é uma linguagem que, se transposta literalmente em frente às câmeras, não flui exatamente como um filme. Exemplo disto é a narração.

Este que é um elemento fortíssimo nas artes escritas, não sai sem cometer alguns pecados por aqui (vamos ser francos… eu precisava fazer esse trocadilho em algum momento). Há estranheza no excesso de narração. Elas interrompem o caminhar já cadenciado da obra. Poucas são as vezes que não nos sentimos como se parássemos a tal história sendo contada para ouvir o protagonista da vez soltar seus comentários. Ah, sim! O filme possui vários narradores. O que é um problema, pois a narração que poderia resultar numa maior afeição a certo personagem, não reforça quaisquer emoções justamente por a termos com outro, situação que é agravada por sequer minimamente terem aproveitado isso para observarmos subjetivamente de diferentes pontos de vista alguma situação ou algo parecido. O cinema não tem apenas uma forma de se comunicar, muito menos uma “voz” por história. E num filme com esse elenco… Isso é um pecado. (ops, I did it again!)

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Assisti à versão estendida e sem cortes.

Bruce Willis, Jessica Alba (comentário machista: no seu auge!), Elijah Wood, Michael Madsen, Michael Clarke Duncan, Rosario Dawson, (entre outros) estão, dentro de suas limitações, bem. No entanto, há uma “desvalorizada” em seu trabalho quando Mickey Rourke, com um personagem melhor (sejamos justos), entra em cena. De longe o mais carismático! E se você conhece Robert Rodriguez e achava que ia passar por um filme dele sem toda costumeira galhofa… Você foi bem ingênuo. Com Rourke tudo aquilo de mais cartunesco até o momento que você havia relevado vai privada abaixo.

Além dele, Clive Owen e Benício Del Toro, especialmente na cena dirigida pelo diretor convidado Quentin Tarantino, melhor entregam as melhores linhas do texto. É incrível como tudo é superado nesse específico segmento. Não só a atuação, mas o diálogo cresce; a fotografia também; a cena consequentemente te interessa mais; e até o som, que até o momento mal recebia destaque, é bastante valorizado.

Ao fim do filme, você vê o potencial desperdiçado, evidenciado pelo pouco bem aproveitado. Percebe que assistiu a histórias que (por algumas suposições) funcionariam melhor em sua mídia original. E, após quase 10 anos, sente que todo o apelo estético pelo qual o filme chamou e chama tanta atenção, envelheceu mal. E o pior. Talvez a culpa seja do próprio Frank Miller.

Nota: 6,5/ 10.

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