[REVIEW] Sin City: A Dama Fatal

Por Matheus Araujo

Os fãs de quadrinhos devem ser proibidos de serem felizes. Num ano que ia tão bem! Sério. Há quanto tempo os erros são tão poucos como nesse último? Um ótimo filme do CAPITÃO AMÉRICA(!); o mais aguardado e não decepcionante dos X-Men; até um bacana Homem-Aranha; além do coroado Guardiões da Galáxia (que jamais deixará nossos cabeçalhos!). Por que compensar essa balança, “Sin City 2”? Por quê?

No comando do segundo Sin City continua a dupla Frank Miller e Robert Rodriguez (não leu nossa resenha do primeiro filme? Se espera por algo mais positivo, palavras mais gentis, é aqui que você deve definitivamente clicar), mas não necessariamente continua a história do anterior. O confuso roteiro de Miller entrelaça três histórias que se situam cronologicamente de forma bem estranha: antes, entre e depois em relação ao primeiro – não me esforcei para entender a cronologia. Caso você tenha, deixe aí embaixo nos comentários. Talvez o filme nem seja tão ruim assim – além de realmente não deixar claro seus motivos por entregá-las em conjunto. Vingança motivar os personagens, talvez? Não quis mesmo pensar mais sobre essa obríssima de arte.

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Um das três histórias escolhe por continuar com Nancy (Jessica Alba) após os acontecimentos do Bastardo Amarelo. Miller resolve trabalhar as consequências com a personagem, o que é interessante e entrega um mínimo de articulação emocional que faltava no longa-metragem antecessor. E faz isso ao despertar o desejo de vingança contra Roark (Powers Boothe), o grande vilão de sua vida e Basin City. No desenrolar, Alba acompanha a melhoria de seu personagem e chama a atenção por além de uma bela dança, mas nada de grande destaque. Ainda melhorando seu “pedaço” do filme, seu envolvimento com Marv (Mickey Rourke) – o coadjuvante de luxo de “Sin City 2” – torna as coisas mais divertidas. Outro coadjuvante ilustre da história é Bruce Willis. Suas aparições discretas como John Hartigan adicionam ao personagem nem tão bacana no primeiro filme e a pequena frase que justifica sua aparição é maneiríssima.

A segunda das histórias assim como a de Nancy não é responsável pelo tom depressivo do começo do texto e é protagonizada por Johnny (Joseph Gordon-Levitt), personagem até então desconhecido do público. Johnny, basicamente, é um sortudo que, assim como Nancy, pretende trocar desavenças com o senador Roark. O rapaz está bem e é um grande adendo ao elenco (que já não era ruim). Carisma sobra com Gordon-Levitt. No mais, suas cenas possuem um apelo visual bacana pelas cartas e seus momentos no filme conseguem ser os mais agradáveis.

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Na outra das histórias acompanhamos Josh Brolin encarnando Dwight, antes vivido por Clive Owen. Apesar de não perder em como encarnar o personagem, Dwight em si está mais chato. Ele se simplificou. Não há sua dualidade de “Sin City 1”. O cara simplesmente é submisso a Ava (Eva Green). E quem não? A sinopse da mais longa das histórias da obra e a que designa seu subtítulo também é a mais medíocre. Se ainda não pegou: Ava manipula Dwight dando lhe uma suculenta chave de b*ceta. O tonto faz algo por ela. E este algo não é bem o que parecia. Então, o tolo Dwight almeja mais vingança na mesa.

E se a sinopse do principal dos enredos já é triste, o roteiro fica aquém disso. O personagem de Eva Green não é nada senão desejosos traços curvilíneos. Até que poderia ser bacaninha ter uma vilã gostosa e manipuladora, mas reduzir tudo ao sex appeal… Não estou reclamando da nudez de Eva Green em 85% de suas cenas. Longe de mim, blasfemar desse jeito! Mas a redução de longos minutos a isso é de uma pobreza narrativa horripilante.

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Ademais e no geral: os créditos iniciais são bonitos; o som por vezes está melhor que no primeiro, mas a música do filme é inconstante. Em alguns momentos é mediana, em outros, deplorável; o excesso de narração ainda enche o saco e o seu conteúdo piorou consideravelmente; apesar dos efeitos especiais meio que acompanharem a evolução da última década em relação ao primeiro Sin City, eles estão longe do aceitável e as cenas de ação são inacreditavelmente ridículas; o visual tão atraente do primeiro filme, apesar de presente, compõe uma fotografia menos significativa; o longa é montado de uma forma bizarra; e a maquiagem é uma bosta. É cômico (para não dizer trágico) quando um dos personagens diz em tom sério a Dwight que ele tem um bom cirurgião.

Ai, como eu queria que a Eva Green aparecesse pelada num filme que eu tenho vontade de rever!

Nota: 3,5/ 10.

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