O Protetor

“Denzel Washington poderia ser até o Batman após esse filme”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Com o fim do Verão Americano, e enquanto vai surgindo no calendário um ou outro filme que possa mirar uma premiação no início do próximo ano, surge espaço para os filmes de ação. O gênero, que antes tinha muito mais espaço em termos de exposição e divulgação (antes de perder terreno ao ser substituído pelo boom dos filmes de super heróis, distopias adolescentes e ficções científicas), agora se encontra em uma posição mais tímida, sem filmes capazes de chamar grande atenção.

Desse cesto sai, eventualmente, coisas boas e ruins. E O Protetor, felizmente, está no primeiro grupo. O longa marca o reencontro entre o diretor Antonio Fuqua e Denzel Washignton. O encontro anterior, em Dia de Treinamento, foi responsável por render a Washington um de seus 2 Oscars. Mas a nova empreitada almeja algo bem menos ambicioso.

The Equalizer - 2014

Com um roteiro um tanto superficial, a história acompanha Bob (Denzel), um funcionário ‘comum’ de uma loja de construção disposto a ajudar os amigos. Por sofrer de insônia, ele lê durante as madrugadas em um pequeno restaurante da esquina, onde faz uma leve amizade com Teri (Chloe Grace Moretz, em uma participação de luxo, tendo pouco tempo para demonstrar seu trabalho), jovem que entrou no mundo da prostituição. Após ser duramente espancada por um dos seus cafetões, o espírito de vingança se desperta em Bob ele utiliza suas habilidades do passado para ‘balancear’ a situação (justificando o título do longa em inglês, The Equalizer).

 A falta de ambição vem de encontro à proposta do filme, que serve quase para que o Fuqua tenha tempo (e quanto tempo: o filme tem mais de 2 horas!) para atender seus anseios por uma filmagem mais estética, com a presença de vários close-ups em slow motion. E não que eu esteja achando ruim, pois quando o assunto é porradaria, o diretor não decepciona e nos entrega grandes momentos. De certa forma, ele procura até embelezar a violência presente, já que os métodos utilizados por Bob para derrotar seus adversários são dos mais variados, indo do uso de um saca rolhas até uma furadeira.

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Contudo, esses momentos de quebra-pau estão dispersos no filme, não acontecendo com a devida frequência que deveria. Poderia ser apenas um mero tropeço do roteiro, mas a situação se agrava ainda mais pela longevitude do filme, dando a ele um caráter bem arrastado, e pela falta de desenvolvimento dos personagens, tornando-os meramente superficiais. O passado de Bob fica praticamente todo obscurecido, algo que poderá ser solucionado com uma continuação, já que ele deixa essa possibilidade bem escancarada. É quase como se fosse um piloto de uma série. O ponto positivo desse aspecto mora na relação entre os livros que Bob lê durante o longa e a própria trama contada pelo roteiro. Uma sutileza que ajuda a incrementar a obra.

A atenção do espectador não é dispersa ao longo da obra pela ótima atuação de Denzel Washington. Impressionante que mesmo ‘despretensioso’, o ator ainda consegue entregar um trabalho de extrema qualidade, justificando vários de seus trabalhos nesse tipo de filme. Com grande presença e uma frieza no olhar impressionante, Denzel poderia até ser mesmo uma mistura de Batman com Justiceiro, seja pelo ataque nas sombras, ou pela variedade de ataques. E para rivalizar essa frieza e fodocitude, o filme foi feliz ao por Marton Csokas no papel do vilão Teddy, típico antagonista clichê da Máfia Russa, mas que não por isso prejudica a obra, conseguindo criar uma boa rivalidade com o papel de Washington.

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Por fim, O Protetor se destaca justamente por se trajar como “mais um filme de ação genérico”, mas conseguindo ir mais longe, tornando-se uma ótima pedida para quem quer bom entretenimento no cinema ou mesmo depois, quando o filme estiver nas locadoras (ainda existe?) ou na Netflix.

Nota: 7,5/ 10.

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