[FORA DE SÉRIE] TV vs Cinema: O confronto existe?

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Ao longo do último século, o cinema se tornou uma das principais fontes de entretenimento do planeta, tornando-se uma das mídias mais consumidas do mundo. Por causa disso, as salas de cinema tornaram-se o lugar preferido para o culto à sétima arte, atraindo sempre uma boa quantidade de público. Mas será que isso está para mudar?

Bem, qualquer um que vá ao cinema hoje em dia sabe que não é um programa barato. Se em um final de semana, um casal resolve ir ver algum filme, os ingressos não ficam menos que 40 reais. Filme 3D? Passa a casa dos 50. E se estiver com aquela fome, pense bem, pois a pipoca e o refrigerante podem saciar o estomago, mas abrir uma ferida ainda maior na carteira. Isso sem contar outros gastos, como locomoção e, em muitos casos, estacionamento, já que a maioria das salas se encontra hoje em grandes shoppings centers. Se for uma família então, os gastos ficam ainda mais exorbitantes. ‘Coroando’ tudo isso, temos a presença (não rara) da morte do respeito na sala dos cinemas: gente conversando durante o filme, barulho de gente comendo, aqueles celulares sendo ligados no meio do filme, com a tela clara iluminando a sala toda enquanto alguém troca mensagens no WhatsApp, a falta de espaço para as pernas, poltronas nem sempre confortáveis… Pois é. Pensando assim, fica até mais fácil entender os números da bilheteria do verão americano desse ano. As pessoas parecem estar perdendo o interesse.

Salas vazias... Seria esse o futuro?
Salas vazias… Seria esse o futuro?

Em contraste a tudo isso, temos o conforto de nossas casas, onde você pode deitar no sofá ou na cama, pausar quando quiser, comer ‘de graça’, enfim, ter todo o conforto de seu lar. As TVs estão cada vez maiores e com qualidades melhores, e iniciativas como o Netflix ou programas on demand permitem que, com alguns cliques no controle remoto, você tenha acesso a uma variabilidade gigante de material de qualidade, por um preço muito mais em conta. Talvez seja por isso que o cinema, de certa forma, esteja a caminho da televisão.

Parece fácil falando dessa forma, mas é claro que as pessoas não deixarão de ir às salas de um dia para o outro. Primeiro porque tem muita, mas MUITA gente que ainda vai. Segundo que uma boa parcela dessas pessoas não vai abrir mão de ir ao cinema assim tão fácil, pois tem paixão por ir às salas. Mesmo porque, a indústria reparou essa ‘ameaça’ e não ficou parada.

 Avatar

Em 2009, James Cameron revolucionou o ramo ao lançar, em uma escala gigantesca, um filme com um 3D de qualidade sem aqueles enfadonhos ‘óculos vermelho e azul’. Avatar se tornou um estrondoso sucesso de bilheteria (não à toa, é o filme de maior arrecadação da história), e a tecnologia serviu como um diferencial, atraindo ainda mais o público para as salas. Infelizmente, mesmo em médio prazo, a estratégia não funcionou muito bem: a combinação de longas com um 3D medíocre (muitas vezes, convertidos) com ingressos ainda mais caros, e a expansão da tecnologia 3D para TVs, com preços cada vez mais acessíveis, fez com que esse diferencial não fosse tão importante assim.

Por isso, mais uma vez, o cinema aposta em telas ainda maiores. O lançamento de Maze Runner na quinta feira retrasada, aqui e nos EUA, marcou também o lançamento de uma nova sala na terra do Obama: a configuração Escape, com 2 telas laterais adicionais, formando uma imagem panorâmica. Mesmo com o filme não sendo filmado especificamente nesse formato, as telas ajudarão na imersão do longa, com a tela central rodando normalmente o filme, e as telas laterais mostrando efeitos visuais adicionais, como aumentando o tamanho do labirinto, por exemplo.

3 telas

A novidade é, no mínimo, interessante. Fico pensando como os diretores irão se aproveitar o novo recurso (será que os filmes do Wes Anderson ainda serão perfeitamente simétricos?), ou mesmo como os filmes em 3D serão afetados por isso. A ideia é válida, mas pelo visto, a novidade deve demorar a chegar em terras tupiniquins. Vale lembrar que a tecnologia IMAX, por exemplo, que já proporciona uma experiência semelhante, está presente em apenas algumas poucas capitais do país.

Pessoalmente, mesmo curioso com a nova tecnologia, acho que é uma atitude um tanto paliativa. A melhor saída para atrair o púbico de volta (além de bons filmes, claro) seria a ideia utópica de redução dos preços. Uma pena que ninguém (estúdios, distribuidoras, donos de salas, atores, etc) vá querer diminuir o que recebe do bolo (pior: podem querer aumentar ainda mais os lucros, e quem paga é o público). Mas medidas mais drásticas podem se fazer necessárias. A verdade é que as coisas estão mudando. Não será algo repentino, mas com o passar das décadas, o modo de experimentar o cinema irá mudar. ‘Trouxa’, continuarei indo sempre que possível às salas… Pelo menos, até o dia que eu possuir uma casa que proporcione filmes interativos com aqueles óculos de realidade aumentada.

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