[REVIEW] Trash – A Esperança vem do Lixo

“O cinema brasileiro precisa de mais produções como essa”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Pessoalmente, quando eu penso em cinema nacional, penso em “comédias globais”. É inevitável. Claro que tem muita coisa boa por aí, seja no passado mais longínquo da história do nosso cinema, ou em casos mais recentes, como o nosso excelente representante para tentar uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Hoje Quero Voltar Sozinho. Entretanto, a publicidade gigantesca que essas comédias possuem (quase em sua totalidade, extremamente sem graça), me afasta e desanima de acompanhar o cinema brazuca mais a fundo.

Eis que surge Trash em um cenário inovador (ou talvez não tão inédito assim, mas não tenho notícias de casos semelhantes): uma produção nacional, rodada no Brasil, com boa parte do elenco sendo brasileiros, mas dirigido por um americano, com americanos no elenco. Uma mistura do modo hollywoodiano de fazer filme com os nossos talentos, nossa temática e paisagens, com um tom político. E com Wagner Moura e Selton Mello no elenco! Esse tipo de coisa TEM que ser conferida.

Trash 3

Baseado em um livro, a trama conta a história de três garotos de um lixão que encontram uma carteira de grande valor, pois ela contém segredos e enigmas escritos por José Ângelo (Wagner Moura) que ajudarão a revelar o esquema corrupto de um candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. A partir de então, acompanhamos os garotos fazendo de tudo para resolver os mistérios e fazer o que é certo, enquanto são caçados pelo policial Frederico (Selton Mello).

Comandando o filme, o três vezes nomeado ao Oscar, Stephen Daldry (Billy Eliot, O Leitor). E sua direção merece elogios, não apenas pela fotografia bonita ou a condução competente do filme (apesar de que as 2h de filme são bem sentidas), mas por ele evitar mostrar o Brasil de forma caricata, evitando aquele clima de festa, país tropical, samba (mesmo porque, nem é o foco do filme). E ao mostrar uma realidade tão difícil como a do lixão, não fica batendo o martelo sobre os problemas sociais a todo o momento, dando um tom aventuresco ao longa.

Trash 1

Tom aventuresco que é a marca do roteiro escrito por Richard Curtis (Um Lugar Chamado Notting Hill) ao lado do brasileiro Felipe Braga. Esse clima carrega bem o filme nas costas e não possui nenhum furo comprometedor, apesar de deslizes, como o subaproveitamento de alguns personagens, ou a opção de enfatizar o caráter político do filme (principalmente mais ao fim, linkando até com os protestos de Junho de 2013) do que o heroísmo dos jovens garotos, que ajudaria a dar uma visão diferente e positiva sobre jovens marginalizados pela sociedade.

No campo das atuações, um pequeno contraste: gente como Rooney Mara e Martin Sheen, apesar de sempre estarem bem em tela (e devem ser parabenizados por falarem muitas de suas falas em português), são praticamente participações de luxo, assim como o próprio Wagner Moura, que possui momentos chaves, mas que eu queria aproveitar muito mais, principalmente ao lado de Selton Mello, mas os dois atuam juntos apenas uma vez. O segundo, aliás, também está bem. O ‘roubar da cena’ fica por conta do trio de novatos protagonistas, interpretados por Rickson Tevez, Eduardo Luís e Gabriel Weinstein, que se saem muito bem com a responsabilidade, interpretando personagens que são bons de serem acompanhados.

Trash 2

Finalmente, longe de ser brilhante “Trash – A Esperança vem do Lixo” possibilita uma experiência agradável e diferente, com uma mistura de culturas que pode (e deve!) ser mais explorada. Apresentando esse novo e carregado de potencial horizonte, que a produção sirva para que outras sigam os mesmos passos.

Nota: 7/ 10.

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