[REVIEW] Festa no Céu

“Visual estonteante e trama divertida são trunfos da animação da Reel FX”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Naturalmente, costuma-se criar uma grande expectativa das animações dos estúdios mais conhecidos, como Disney, Pixar, Dream Works, ou mesmo a Blue Sky e a Illumination, devido tanto à qualidade de suas obras, como o grande alcance que suas produções conseguem com o público. Por isso, quando uma nova animação é anunciada por um desses estúdios, vira notícia e já gera uma expectativa positiva do público.

 Festa no Céu provavelmente não trilhou exatamente este caminho, já que ela é a nova produção da pequena Reel FX, sendo a segunda obra do estúdio (a anterior foi o recente Bons de Bico). Contudo, a animação me chamou a atenção desde seu primeiro trailer por dois motivos: o tema do longa e a produção de Guillermo Del Toro.

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O famoso diretor mexicano é conhecido, sobretudo, pelo seu visual arrojado e bem feito, vide obras como Labirinto do Fauno, Hellboy e Círculo de Fogo. E convenhamos que, ao saber que ele terá influência em uma animação, PRECISAMOS ver o que vai sair. Mistura-se isso com o tema do filme, uma história em torno do conhecido feriado mexicano do Dia dos los Muertos, e temos um belo potencial para algo de qualidade.

 Com a direção e roteiro do também mexicano Jorge R. Gutierrez, o filme pensado por Del Toro ganha vida pelo seu visual diferente. Sai o conhecido visual das animações 3D que dominam o mercado hoje, e entram personagens caricatos, que ganham forma de bonecos de madeira, e imediatamente chamam a atenção pelo estilo. Assim, Gutierrez acaba por misturar três histórias (e estilos) em um filme só, já que uma guia de museu conta a um grupo de crianças a história da disputa amorosa dos amigos Manolo e Joaquim pela mão de Maria, em uma aventura que levara o protagonista até o mundo dos mortos.

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O filme serve de porta de entrada para conhecer mais sobre esse importante feriado mexicano, sendo didático ao exaltar a importância que ele tem para o povo do México, que acredita que a morte não é o fim, mas uma celebração da vida que termina. Porém, como a existência pós-morte só seria possível com os vivos lembrando-se de quem fomos, o filme trabalha muito bem essa ideia de lembrarmos de onde viemos, de nossas tradições e, sobretudo, de quem somos, aceitando o nosso jeito de ser.

Mesmo com um plano de fundo aparentemente batido – o do triângulo amoroso, que aqui ganha o interesse extra de ter uma aposta envolvendo as entidades Morte e Xibalba – a obra desenvolve uma trama simples, divertida e fácil de acompanhar. Tem méritos, também, em trabalhar temas mais atuais, que precisam ter a atenção das crianças, como o lugar da mulher na sociedade. Esse lado é idealizado em Maria, que não é simplesmente uma mulher ‘que cuidará da casa e do marido’ ou mesmo uma princesa em perigo, mas se torna alguém independente, capaz de lidar com problemas e situações adversas como qualquer outra pessoa. Também confronta a ideia das touradas, uma herança cultural recebida da Espanha, e que hoje divide opiniões justamente entre os que exaltam esse papel de cultura e tradição da prática, com o fim da crueldade e morte dos animais.

A música composta por Gustavo Santaolalla ajuda a dar a vida e a animação necessária para a obra, com um ritmo bem mexicano (eu sabia que os toques de violão me lembravam algo… O compositor também é responsável pela trilha sonora de Last of Us). E a música combina, sobretudo, com a melhor coisa do filme, que é o seu visual de encher os olhos. Cheio de cores, com uma riqueza de detalhes nos figurinos dos personagens, assim também como em suas feições (reparem bem os olhos do Xibalba), o quesito se sobressai pela sua qualidade. O 3D aproveita para dar profundidade ao conteúdo, mas não tem seu potencial utilizado ao máximo.

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Divertido, didático e vívido, Festa no Céu é recomendação certa para todas as idades. E felizmente, esse tema tão legal ainda será recorrente em um futuro próximo, já que a Pixar também pretende fazer um filme sobre o Dia dos los Muertos. É, nunca foi uma época tão boa para se estar vivo!

Nota: 8/ 10.

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