Drácula – A História Nunca Contada

“Um razoável novo olhar sobre o Príncipe das Trevas”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Conde Drácula é um daqueles seres que habita o imaginário das pessoas. Imortalizado na cultura pop e no terror pelo romance escrito por Bram Stoker, o Princípe dos Vampiros se tornou um ícone do gênero e também da literatura. A popularização do personagem já lhe rendeu filmes no passado, como Drácula de Bram Stoker, de 1992, e mesmo filmes com vampiros, como Entrevista com o Vampiro, Um Drink no Inferno e (argh!) Crepúsculo.

 As criaturas das trevas nunca despertaram grande atenção em mim, o que talvez explique o fato de eu não ter visto o Drácula de 92 e muitos outros filmes que abordam o tema, ou ter jogado muito (muito!) pouco algum Castlevania. E confesso que meu interesse neste novo filme do personagem era praticamente nulo, mas minha simpatia inexplicável pelo Luke Evans me convenceu de ir conferir o longa.

dracula 4

A trama (e aqui irei acreditar realmente que é uma história nunca contada) conta como o Conde Vlad (Evans), tendo seu reino da Transilvânia ameaçado por uma invasão dos Turcos, decide se tornar um monstro a fim de defender seu reino e sua família de seus adversários. Para isso, ele terá que fazer um pacto com o Mestre dos Vampiros (Charles Dance) para obter seus poderes.

Essa ideia de contar histórias “por trás da lenda” não é novidade. Histórias recentes, como o Robin Hood de Ridley Scoot, e o novo Hércules, são provas disso. Mas esse argumento permanece interessante, sobretudo para instruir pessoas como eu, que não conhecem muito o personagem. Nesse quesito, o roteiro merece reconhecimento em fazer uma introdução rápida e efetiva sobre quem era Vlad antes de se tornar o vampiro, e como se davam suas relações, seja de rei para seu povo, com sua família, ou com os turcos. Os motivos que o levam a aceitar o trato do Mestre dos Vampiros se tornam claros, e o decorrer do filme, de uma forma geral, se dá de forma tranquila, sobretudo porque o filme acerta em não querer ser longo de mais (possui 1h32 apenas).

dracula 3

Porém, nem tudo são flores. OK, o foco do filme tem que ser mesmo no personagem título, mas as relações do personagem, após o início do filme, ficam empobrecidas e quase esquecidas. O desenvolvimento dos personagens, de uma forma geral, também é um pecado do longa, já que eles são perigosamente superficiais, sendo o mais grave desses casos a construção rasa do antagonista do filme, o líder das tropas Turcas Mehmed, vivido por Dominic Cooper. O desenvolvimento do clímax do filme se revela como outro tropeço, como se subitamente o filme tivesse pressa e precisasse resolver as coisas da forma mais simples e até mesmo ilógicas do mundo. Em contrapartida, talvez aproveitando a própria onda do mercado cinematográfico atual, Drácula tem uma construção digna de um herói de quadrinhos, com sua capa vermelha esvoaçante dando inveja a Thor e Superman.

A direção do estreante Gary Shore também possui altos e baixos. Há tomadas de câmeras e cenas interessantes (a luta refletida em uma espada chega a ser sensacional) e acertos também em algumas cenas de ação. O problema está aí. Apenas algumas. A inconsistência entre a qualidade da porradaria prejudica o filme de forma geral, mas o erro mais grave é a sua fotografia predominantemente escura, que atrapalha a obra em diversos momentos (e graças aos céus que o filme não é em 3D, o que deixaria tudo ainda pior). Quem paga mais caro por essa escuridão é o interessante figurino do filme, com destaque para a bela armadura do Conde.

dracula 1

As atuações de forma geral são medianas para baixo, talvez fruto do desenvolvimento fraco. Entretanto, Evans dá conta do recado e se sai como um bom protagonista. Outro que mandou muito bem foi Charles Dance, o Tywin Lannister de Game of Thrones, mantendo o nível do talento demonstrado na série da HBO. Fechando tudo isso, a boa trilha de Ramin Djawadi, também de Game of Thrones, com seus conhecidos tambores e o bom casamento da trilha nas cenas de ação.

Apesar de não ser espetacular, a baixa expectativa se mostrou um trunfo para que Drácula – A História Nunca Contada tivesse espaço para surpreender e se mostrar um filme razoavelmente bom. A indicação de uma continuação fica por conta do quanto de sucesso que o longa será capaz de ter, mas, de certa forma, seria sim bem vinda.

Nota: 7/ 10.

Anúncios

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s