De Volta ao Jogo

“Ação estrelada por Keanu Reeves talvez seja a melhor surpresa do ano”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Considero Keanu Reeves uma estrela (dá para considerar ele uma estrela?) diferente de Hollywood. O cara foi a estrela principal de um dos filmes mais cultuados de todos os tempos, mas tirando a trilogia Matrix, eu não consigo lembrar dele em outros papéis. OK, ele fez o Constantie, Advogado do Diabo, Velocidade Máxima (LOL), Os Reis da Rua… Mas sei lá. A carreira dele não deslanchou como eu suspeito que deveria ter deslanchado após o sucesso de Matrix. Minha afeição com ele vem muito mais por causa da história de vida dele (sério, se você não conhece, dê uma googlada aí. É tensa.).

E assim como eu evitei 47 Ronins, poderia facilmente ter pulado De Volta ao Jogo (ou apenas John Wick, no original). Entretanto, ao contrário do primeiro, o trailer deste me chamou a atenção: um tipo de ação que não tende para uma mistura com comédia (tipo Os Mercenários), e que não é protagonizada pelo Liam Nesson (que parece ter dominado esse gênero).

John Wick 2

A história apela para uma trama simples e, por isso, eficiente. John Wick (Reeves) é um aposentado dos trabalhos que ele fazia em um ‘mundo negro’, se envolvendo com todo tipo de máfia, bandidos e assassinos possíveis. Entretanto, após a morte da sua mulher, a vida tranquila que ele ia levando é extremamente abalada. O último presente de sua esposa era um filhotinho de cachorro. Contudo, ele tem a casa invadida por Iosef Tarasov (Alfie Allen), filho de um mafioso russo para qual Wick trabalhava. Iosef mata o animal, desencadeado a fúria de Wick, e o obrigando a voltar ao jogo (Bem, tá aí o motivo, caso você estivesse questionando o título do filme).

O filme é dirigido pelo estreante Chad Stahelski, um dublê de Hollywood que, entre outros tantos trabalhos, foi o dublê de Reeves em Matrix. E talvez justamente por ser dublê, que a sua direção acerta na porradaria do filme. Poutz, é isso aí que eu quero ver na tela mesmo: soco, soco, tiro, tiro, sangue. Maneirar nas explosões e em perseguições de carro, e investir tempo nisso. Com isso, a fluidez das cenas de ação acontece de maneira ótima e que agrada o telespectador.

John Wick 3

O roteiro assinado por Darek Kolstad também não é novidade. Na verdade, ele chega a ser clichê. Prova disso é que esse ano mesmo, O Protetor teve uma trama parecida: cara fodástico aposentado que, por algum motivo, retorna a suas atividades para se vingar de um mafioso russo. Mas não importa, já que aqui, menos é mais. A trama simples permite que o espectador compre o filme facilmente, possibilitando uma afeição rápida com o protagonista. Mas um adendo: no filme, o submundo para qual Wick retorna parece interessantíssimo. Cheio de personagens interessantes (de assassinos até um ‘limpador’), existindo até uma espécie de Irmandade dos bandidos, que possuem suas próprias moedas, que devem valer mais do que qualquer quantia em dinheiro. Mesmo que não largamente explorado, esse tipo de background adiciona a história.

Nas atuações, nada de espetacular, mas apenas o necessário para o bom andamento do filme. Keanu Reeves em um dos seus papéis que eu mais curti (ele deveria dedicar mais tempo da carreira fazendo isso); Alfie Allen, o Theon de Game of Thrones, provando que merece sofrer  pelos seus atos em todos os seus trabalhos; Michael Nyqvist, que faz o pai de Iosef no filme, se mostrando um bom mafioso russo; e Willem Defoe em uma participação de luxo.

John Wick 4

Contudo, o que consegue embalar o filme e dar ele a vibe de dark/revenge que o roteiro propõe, é a trilha que mistura uma trilha instrumental com músicas de outros artistas, proporcionando um resultado fantástico. Eu deveria ter suspeitado, mas não há muita surpresa quando o nome de Tyler Bates aparece como responsável pelo trabalho. Já é uma marca do compositor, que repetiu trabalhos tão bem feitos em longas como Watchmen, Sucker Punch e, mais recentemente, em Guardiões da Galáxia, e que cada vez mais se torna um dos meus compositores favoritos.

Por fim, a baixa expectativa por De Volta ao Jogo foi compensada por um filme honesto, competente e bem executado, o que o torna uma das surpresas mais agradáveis deste ano (se não a melhor do ano). É um filme que eu consigo ver atraindo uma audiência, no futuro, no Telecine Action, mas quem tiver a oportunidade, não deixe de conferir na telona.

Nota: 8/ 10.

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