[REVIEW] Homens, Mulheres & Filhos

“Jason Reitman nos mostra o abismo entre o mundo real e o tecnológico”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Jason Reitman é um diretor curioso. Ele não é espetacular, não possui uma filmografia repleta de filmes conhecidos, e talvez não seja conhecido pelo grande público. Mesmo assim, apesar do seu modo ‘quieto’, ele é bastante competente e, até agora, não errou comigo, o que já o torna um dos meus favoritos.

É estranho, ao mesmo tempo em que é engraçado. De sua curta filmografia no cinema (este é o seu sexto filme), havia visto filmes como os bem comentados Juno e Amor sem Escalas (que já até falaram sobre aqui no Filmaiada!). E mesmo que nenhum deles estejam na minha lista de preferidos, são duas obras ótimas, repletas de boas qualidades, e merecedoras do buzz que causaram.

Este ano, estavam programadas duas novas obras de Reitman: Refém da Paixão (que deixo recomendadíssimo) e, justamente pela empolgação que essa trinca de filmes me causou, Homens, Mulheres & Filhos. O novo filme narra à história – ou melhor, histórias diferentes – de um grupo de adolescentes de um colégio nos EUA, e como cada um deles esta lidando com essa fase. Mais: relata como eles lidam um com os outros, com seus pais e, principalmente, com as novas tecnologias.

MEN, WOMEN & CHILDREN

Gosto mais do Raitman roteirista do que diretor. Não que a direção dele desagrade, claro. Mais uma vez, é segura, tranquila, competente e adequada. O uso dos balõezinhos de conversa das mais diferentes redes sociais, que pipocam na tela, deixa tudo mais fluído e, principalmente, divertido.

Divertido porque o roteiro (que conta com a ajuda de Erin Cressida Wilson) permite isso, apesar do tom sério. E talvez essa seja a melhor qualidade do filme. Ao mesmo tempo em que permite uma linguagem jovem e coloquial, já que as novas tecnologias são peça chave na história (PAUSA: é SENSACIONAL você ver que o personagem digitou um “pussy” no celular e aparecer “xoxota” na legenda. Sério, a legenda desse filme é algo fantástico! Prestem atenção), ele dialoga com várias coisas atuais e sérias, como o bullying, a depressão, a solidão, a pornografia (até de menores) na Internet, traições de casais, descobertas sexuais, aborto… É uma gama de assuntos interessantes, e tão bem intricados, que não tem como não elogiar. E curioso perceber que é uma problematização diferente da apresentada em Juno (tudo bem, o Juno procura trabalhar todo um outro viés, que é a gravidez na adolescência, mas o universo dos dois filmes são semelhantes), que não tem nem 10 anos! É interessante como a trama apresenta pessoas tão ligadas no mundo virtual, mas, em contra partida, distantes na vida real… Um cenário que cada vez mais ganha força.

Estamos sempre conectados...
Estamos sempre conectados…

Além do acerto na escolha dos temas a serem discutidos (nem que sempre, aprofundados), pode-se destacar no roteiro também o diálogo que ele estabelece com a importância – ou seria a falta dela? – que os humanos têm no Universo. Nossos problemas, conflitos, diferenças, estabelecendo um link direto com o texto do astrofísico Carl Sagan, Pálido Ponto Azul. É também um link visual, já que em vários momentos é mostrada a sonda espacial Voyager, que leva consigo várias das informações da civilização humana… Mas informações de 1977. E o quanto mudamos nas últimas quatro décadas?

Apesar dos acertos, não são apenas elogios ao roteiro. Por vezes, achei a história arrastada (o que é estranho para um filme com menos de 2 horas), e alguns momentos CLIMÕES que foram adicionados na trama que não ficaram bem encaixadas. Sobretudo, justamente por abordar tantas histórias e subtramas paralelas, algumas ficam mal desenvolvidas, como é o caso da menina quase anoréxica. Um controle maior na escolha dos temas poderia ter ajudado a resolver isso.

la_ca_0901_men_women_and_children

Outra característica que gosto de Raitman é sua direção de atores que, mais uma vez, se sai bem. Não há atuações espetaculares (novamente, devido ao excesso de personagens), mas a maioria dos trabalhos está ótima! Adam Sandler (ele mesmo!) em um papel dramático (SIM!) é um dos destaques, mostrando um marido que passa por problemas conjugais com sua esposa, vivida por Rosemarie DeWiit, que também está bem na trama; Jennifer Garner faz uma das mães mais controladoras que eu já vi (e que, certamente, ninguém gostaria de ter), e também se sai bem, assim como Judy Greer (que interpreta uma mãe que faz um portfólio de fotos sensuais da própria filha!); Kaitlyn Dever, que interpreta a filha de Garner no filme, tem a timidez e o jeitinho que Ellen Page tinha (e ainda tem) em Juno, enquanto Ansel Elgort (sim, o queridinho de A Culpa é das Estrelas) está em um papel bem mais contido e que exige menos dele, mas não é menos competente. Há desperdícios também, como é o caso de J.K Simons, que por coincidência, interpreta o pai da menina anoréxica (Curioso que ele também já havia sido desperdiçado em Refém da Paixão).

Novamente, não é um trabalho que no todo é impecável, mas que me agrada muito, mais uma vez. Com seu jeito contemplativo, seus bons diálogos e histórias interessantes, Reitman acerta novamente. Já posso esperar pelo novo filme do diretor?

Nota: 7,5/ 10.

 

Acredite: tem diálogos bem mais estranhos
Acredite: tem diálogos bem mais estranhos

 

Anúncios

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s