[REVIEW] Hobbit: A Desolação de Smaug

“Barris, cenários, aranhas, mudanças na história, amor improvável, dragão e 48 FPS. Os fatores que levam a uma conclusão quase definitiva: Hobbit NÃO DEVERIA SER UMA TRILOGIA!”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Para me ajudar, vou pedir a opinião do Luís sobre o primeiro filme:

“Confesso: se eu achava que estava preparado para O Hobbit, me enganei. O filme é MUUUUUUUUITO melhor de que eu esperava. Parabéns Peter Jackson, pelo trabalho praticamente impecável; Parabéns pelo uso PERFEITO do 48fps, que ao contrário do que os críticos falam, está espetacular (melhor 3D que já vi)!; Parabéns pela equipe de atores, pelo roteiro excelentemente adaptado (nem parece que foram adaptados somente 120 páginas, e o filme esta longe de ser cansativo); Mas acima de tudo, um MUITO OBRIGADO por me levar a Terra Média no cinema. Uma experiência única e inesquecível.
Por isso (e por muitas outras coisas que nem absorvi ainda xD), O Hobbit é o melhor filme que vi em 2012.” (14/12/2012)

(Gostaria de pedir desculpas a qualquer filme que tenha sido melhor em 2012. Era, e continuo sendo, um jovem tolo).

Só acrescento que, na segunda vez que eu vi, eu senti as quase 3 horas de filme, mas não importa

“Uma Jornada Esperada”

Havia todo um hype para ver o primeiro filme, pois afinal, seria a primeira vez que eu veria Terra Média no cinema. Entretanto, analisando de forma mais fria, o filme que eu realmente esperava era esse segundo. Afinal, após a divulgação de que seriam três filmes (ao contrário de dois, como estabelecido antes), conclui que ESTE era o filme que deveria funcionar, e de uma maneira bem melhor que o Duas Torres. Pois ele, provavelmente, seria o que teria menos páginas adaptadas (e de fato foi), e o que teria a maior encheção de linguiça e mudança em relação ao livro (e de fato teve). Não como um fã perdidamente apaixonado, mas ainda sim como um grande fã do livro Hobbit (o meu preferido do Tolkien), isso me apavorava desde o começo.

Como não poderia ter deixado de ser, o hype ao sentar na sala de cinema era gigantesco. Afinal, a 2ª parte da história continha cenas como a fuga do rei élfico, a apresentação da cidade dos homens, Beorn, THE FUCKING SMAUG, e tinha como plus, a trama do Necromante.

Porém… As 2h40 de filme me proporcionaram uma verdadeira montanha russa de emoções.

Hobbit 2

“Aranhas e Cataratas do Barril”

O filme começa logo mostrando o Beorn na forma urso. Neste formato, aprovei ele sem medo (apesar de eu ter achado estranho ele ter sido incapaz de detectar orcs que não pareciam tão distantes). Entretanto, o trato visual na sua parte humana me incomodou, pois está aquém da capacidade do figurino que já vi nos filmes da Terra Média, e a atuação do ator não colaborou em nada. Aliás, a entrada diferente na casa dele (não a dos Gandalf contando a história) também não me agrada muito, mas dá para relevar, já que o primeiro filme foi criticado pela sua lentidão. Por fim, eu achei que a casa do Beorn era muito maior e imponente, não um celeiro com uma copa.

Pula para a Floresta das Trevas. Ali, entrei no modo Clint Eastwood, e fiquei de olhos semicerrados durante toda a parte das aranhas, que ressalto, estavam muito bem feitas, e exatamente por isso, eu fiquei com o cu na mão. Destaco, nesta parte, o poder do Anel sobre o Bilbo, com ele sendo tentado a ser do mal. Foi um trabalho bem realizado e a atuação do Martin Freeman colaborou com isso.

OK, essa cena foi legal
OK, essa cena foi legal

Aparecem os elfos, com Legolas apresentando sua característica principal: surfar em coisas enquanto atira flechas. Não sei porque, mas a fodocidade do Legolas me incomodou pela primeira vez. Sei lá, o cara parece o exército de um homem só, em nenhum momento eu me preocupei seriamente com sua integridade.

Em seguida, há o encontro com o rei Élfico ‘mal’ e a prisão dos anões (um momento que desdobrou-se sem nenhum problema), até que chega a hora da fuga com os barris. Puta que pariu, que coisa bela e foda. Era melhor do que eu esperava. A movimentação, a luta, o conflito de três raças com tipos de luta diferentes, BOMBUR MITANDO COM SEU BARRIL. Foi um pouquinho estendida, é verdade, porém algo que pode ser relevado, já que a sequência encanta facilmente.

Até aqui (o filme devia estar próximo de 1 hora de duração), tudo estava excelente. O ritmo do longo me agradava muito, a história do Gandalf estava de vento em popa. E aí fomos pra Cidade do Lago e…

“He cannot see beyond his own desire!”

A imagem DEFINE essa trilogia
A imagem DEFINE essa trilogia

A Desolação de Smaug tem alguns problemas, uns menores, outros bem maiores. Mas todos os problemas (todos não…95% deles) estão enraizados em um único: PJ, WB ou seja lá quem for, decidiu por fazer uma trilogia. E não foi para fazer um melhor trabalho, ou saciar os fãs… Não não não… Foi EXCLUSIVAMENTE para fazer mais dinheiro, afinal, um filme desse rende no mínimo 800 milhões. Pessoal safado e interesseiro.

Quando saiu a notícia, lá na metade de 2012, houve uma certa euforia, já que o povo pensou “Ótimo! Mais filmes! Quanto mais, melhor. Afinal, PJ e Terra Média: o que pode dar errado?”. Eu não partilhei desta euforia por completo, pois querendo ou não, uma pulga ficava na orelha “Mas… Pra quê? 9 Horas de 300 páginas? Isso soa tão errado! Vai ter muita encheção de linguiça, vai mudar muita coisa… Dois filmes estava perfeito, eu conseguia ver tudo ocorrendo sem problemas!”

Veio o primeiro filme, embabasquei (juro que tinha pensado que havia passado apenas 1h30), e pensei “AHHHH, ENTÃO É ASSIM QUE ELE VAI FAZER 3 FILMES! EXCELENTE! TAMO ~XUNTO~, MESTRE PETER!”

Porém, ao decorrer de 2013, essa animação deu uma esfriada, pois pairava no ar uma dúvida crucial: “Onde eles dividiriam a porra do filme?”. O primeiro adaptou cerca de 120 paginas (também, com 40 minutos no Condado, né?), esse segundo, pelas minhas contas, ficaria em algo em torno de 80 (e acho que ficou por aí mesmo). Deviam cortar um pouco antes ou logo depois da destruição da Cidade do Lago.

Cidade do Lago…

Felizmente, o visual desse filme não está no nível do roteiro
Felizmente, o visual desse filme não está no nível do roteiro

A coisa começou a desandar quando eles chegaram ali. O que dizer sobre o confronto político da cidade? Super destoado do filme. E aquele rei e seu servo, que me lembram, principalmente visualmente, o rei de Rohan e seu servo Língua de Cobra? Precisa mesmo viver desses links, dessas referências, à antiga trilogia? Qual a dificuldade de criar algo mais autônomo?

E QUE HISTÓRIA É AQUELA DA BALISTA???

Claro, que clichê! A única flecha gigantesca que sobrou, vai ser a que vai matar o dragão… E o fato ÉPICO do Bard ter sido capaz de ter matado o Smaug com uma ‘flecha normal’, está reduzido a migalhas!

Voltando a Cidade: neste momento, o filme cadenciou demais, ficou estranhamente arrastado, por meia hora mais ou menos, e isso bagunçou o filme por completo. Aí a encheção de linguiça começou a ficar séria. Além do teor político que a cidade ganhou, eles tiveram A CORAGEM de dividir os anões só para ter uma batalha de orcs e Legolas e Tauriel.

Tauriel…

Hobbit 8

Um problema que me incomodava desde mais cedo era o CLIMÃO entre a personagem (inexistente nos livros) e o Kili. O fato da barba rala do Kili pra mim era o de menos. Mas depois que eu me toquei que a elfa não seria um peguete do Legolas, mas sim uma tentativa de imitar a relação “impossível” do Aragorn com a elfa da Liv Tyler… Nossa, isso me deixou muito puto. Ficou ainda mais escancarado essa tentativa de por a Tauriel como a Arwen, quando  ela cura ele e o anão vê ela brilhando, tal como o Frodo! EU JURO QUE TEM UMA CENA PARECIDA EM ALGUM LUGAR DA SOCIEDADE DO ANEL! PQP! E sabe o que essa relaçãozinha de bosta acrescenta a história??? Isso mesmo, NADA!

O filme, que lá nos barris eu tava dando um 9 com um sorriso bem largo, aqui já estava um 8 e indo ladeira abaixo. A história do Gandalf ainda estava maneira (ele FINALMENTE aumentou os mana points, hein? Nunca usou tantas skills na vida), apesar de que a parada do corpo do Sauron aparecer no centro do olho me incomoda muito. Essa imagem (que provavelmente é uma metáfora), não sai da minha cabeça, e a sensação de eu ter sido enganado por 3 filmes achando que aquilo era a pupila mesmo do olho, é inquietante. Por outro lado, a ideia de poupar o Azog se mostrou um acerto, já que não desgasta o personagem.

O Imponente Smaug

Hobbit 6

No primeiro filme, cada anão tinha um poster pra si, e pelo que eu lembro, o balanceamento dos anões foi até satisfatório. Nesse filme, esquece. Os anões que recebem o destaque foram o Thorin (CLARO), o anão sábio, Kili e seu amor de bosta, Bombur na cena épica, e o anão careca resmungão. O resto? Pffff

Aliás, rapidamente as atuações: ninguém me chamou a atenção, nem mesmo o velho Ian. Somente o Martin Freeman, que ganhou mais espaço a partir da chegada da montanha pra frente, e o Benedict Cumberbach, que esteve ótimo na dublagemSmaug.

Smaug…

Não havia me incomodado com o fato dele ter sido revelado nos trailers, mesmo porque eu sabia que no filme ficaria melhor. E como ficou. Porra, Smaug fantástico! WETA did it again! Achei os detalhes dele muito bem feitos, a movimentação, a voz, as rajadas de fogo… Tudo belíssimo!

Hobbit 3

O problema não era Smaug. Era a porcaria da ideia de 3 filmes. Se fossem só 2, o dragão conversaria com o Bilbo, ficaria furioso, tentaria achar eles fora da Montanha e, frustrado, teria ido atacar a cidade. Isso, bem feito, gastaria nem 20 minutos no filme. Mas não… São 3 filmes, TEM QUE ENCHER MUITO A LINGUIÇA!

E aí PJ vai e me põe os anões dentro da caverna.

Eu JURO que, no meio daquilo tudo, da confusão toda (com destaque para o Smaug com déficit de atenção: toda hora que vai atacar um grupo de anões, é atraído por outro), suspeitei que eles iam arranjar um jeito de matar o dragão ali mesmo. Mano, que merda é aquela do rio de ouro derretido? O CARRINHO DE MÃO ERA FEITO DE ADAMANTIUM??? Mas, já que o filme EXIGIA um clímax (por mais gorduras que o roteiro já possuía), exigia ação, fizeram essa patotada na Caverna. Só não foi mais inútil que a história da elfa com o Kili.

Como se não bastasse, o corte do filme é super mega broxante. A frase “I’m fire. I’m death!” é até legal, mas putz, a saída dele da montanha chega a ser ridícula. O que me dói mais é lembrar como o Deathwing sai no trailer do Cataclysm de uma forma muito mais épica e ameaçadora.

Deathwing
ASSIM que se sai de uma Montanha!

A essa altura do campeonato, eu já estava triste e decepcionado com esse corte, a trama Kili-Tauriel, o fato de serem 3 filmes, e até mesmo a traminha do Gandalf: Porra, sei lá, mas me parece tão ilógico ele ter ficado vivo depois da Luta, em mais uma referência a ele preso em Orthanc. É sério que o Sauron deixaria ele vivo??? Desceu bem não.

Por tudo isso, o grande trunfo do filme, para mim foi o 48 FPS. Meu Deus, que tecnologia maravilhosa. Em 2012, eu estranhei, mesmo tendo adorado, achei as imagens um pouco “mentirosas”, mas desta vez, parece bem melhor. Ta belíssimo a movimentação dos personagens, achei tudo aquilo incrível (tem hora que parece footage de um vídeo game). O 3D em si achei mais fraco, mas o 48 FPS, pelo menos na mão do PJ, vem se firmando como uma coisa que eu quero ver mais por aí. Aliás, a estética do filme, de um modo geral, me agradou pra cacete.

Escrevi muito mais do que eu esperava, mas é isso. O pior de tudo é que agora eu estou em um all-in: ou essa batalha dos 5 exércitos cala minha boca e é DIVINAMENTE ÉPICA, ou PJ irá concretizar a destruição da própria reputação que criou.

Nota: 6/ 10.

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