[FORA DE SÉRIE] Análise: Músicas da Terra Média cinematográfica

Por Matheus Araujo 

Este post é apenas um comentário transformado em textículo pela facilidade da exposição e comparação no formato blog. Dito isso, a premissa da análise: Penso que as, de certa forma, músicas mais “importantes” de cada trilogia da Terra Média (ou ao menos as músicas a cerca das jornadas de cada trilogia) captam o sentimento e representam todo o conjunto que compõem.

Antes de entender o raciocínio, uma consideração é necessária: não estou comparando os méritos musicais das composições.

A representante da nova trilogia de Tolkien é a hypada The Misty Mountains Cold, que figura em Uma Jornada Inesperada. A canção claramente tem o fim de preparar anões e espectadores para a aventura a seguir, enaltecendo o desbravar do caminho. Perfeita para a história. Créditos a Tolkien, já que dele é a autoria dessa música e ideia.

Todavia, graças ao uma vez talentoso Peter Jackson, não há como deixar de se estranhar a passagem no longa metragem, sobretudo, porque a cena é deslocadíssima. Ela vem de supetão, mas de forma que tenta dar mais um pontapé “inicial” ao filme (talvez para ver se ele de fato comece… É preparação demais para uma jornada i-nes-pe-ra-da). Melhor dizendo, ela tenta fazer uma transição. Contudo, se ela não existisse, essa tentativa de transição não se prejudicaria, já que pouco se agrega com ela. The Misty Mountains Cold, portanto, nada mais é que um vídeo clipe perdido da noite de ingressão de Bilbo à comitiva dos anões.

Assim como a maior parte da trilogia nova, a canção é desnecessária e de pouquíssima afinação com a narrativa. Além de pouco dizer, tem se que a presença, apesar de possuir certas qualidades individuais, prejudica o todo. E aonde mais nesses filmes d’O Hobbit observamos isso? O subplot do Necromante como um todo; o relacionamento Kili&Tauriel; o enrolar calhorda na Cidade do Lago;  95% dos elfos em cena; os planos mirabolantes contra Smaug, etc.

Ai, ai… Para que adaptar um livro de 300 páginas em 8h/ 9h de “cinema”? Não aceito ganância hollywoodiana como resposta. Tem que ter uma sacanagem além… Tem que ter.

Mas isso é assunto para outra hora. Voltemos às músicas.

O reflexo da trilogia do Um anel se faz por A Walking Song d’O Retorno do Rei.

A diferença dramática entre as obras é do tamanho de um olifante. Nessa passagem do capítulo conclusivo da trilogia clássica, num âmbito de personagens, Pippin é confrontado brilhantemente, enquanto Denethor continua a se compor em tela. Desenvolvimento de personagem em uma só música. Desenvolvimento de personagens… Quesito que muitos justificam ser passível de vista grossa na nova trilogia, apesar dela pecar em até como articular o líder dos anões. Contudo, devo me conter antes que fique demasiado embaraçoso para Escudo-de-Carvalho e companhia já que esse desenvolvimento nem mesmo é o foco da canção d’O Retorno do Rei.

O principal objetivo dela é o próprio andar da trama com a batalha da queda de Faramir, filho desprezado pelo pai que banqueteia ao som de Pippin. Uma cena tão belíssima no primor de sua funcionalidade narrativa quanto em suas virtudes áudio e visual. Qualidades jamais vistas lado a lado no parnasianismo sem fim de O Hobbit.

A trilogia do início do milênio tem um afinco como adaptação e cinema, mostrando o quão fundamental é manter os dois fins sempre juntos. A nova, por vezes, se esquece de ser cinematográfica e, em outros tantos momentos, do próprio material original – esbanjando como The Misty Mountains Cold, um total descompasso. À la A Walking Song, os primeiros filmes jamais se esquecem que, antes de adaptações, são filmes. Películas que possuem obrigações artísticas em si e, por conseguinte, não se portam como um amontoado de imagens desorientadas sem saber como contar sua história. E quanto à adaptação, é a mais querida e compreensiva que poderíamos exigir.

Ah! Como foi a simplicidade d’O Hobbit tanto se complicar e a complexidade d’O Senhor dos Anéis, não?!

A Batalha dos Cinco Exércitos chega aos cinemas brasileiros em 11 de dezembro. Caso você tenha assistido ao trailer, notou a feliz presença de A Walking Song. Profundamente espero que este seja um sinal de que Peter Jackson tenha voltado a trilhar caminho certo.

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