[REVIEW] O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

“A merecida despedida da Terra Média”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Descobri a Terra Média um tanto tarde. Não pela idade, já que considero que a leitura de  Senhor dos Anéis seja mais apropriada (ou talvez, seja mais apreciada) quando você tem seus 13, 14 anos do que quando mais novo, mas porque não vivi a febre que foram os filmes. Não apenas pela falta de oportunidade (passei a ser um visitante constante das salas de cinema muitos e muitos anos depois), mas simplesmente por que não gostava de Senhor dos Anéis.

Coisas de criança, né? O motivo não poderia ser mais infantil: minha ode pelos livros de Harry Potter eram (e ainda são) tão grandes, que eu não conseguia suportar a ideia que Senhor fosse superior. O que não faz muito sentido, já que é possível gostar de ambos e, se parar para pensar, os elementos das duas sagas pouco se relacionam (tudo bem: temos o vilão maléfico que volta do mortos; a aranha gigante; o protagonista órfão; o melhor amigo ruivo; o mago barbudo fodão; a ideia do que o vilão só pode ser vencido se objetos dele forem destruídos…). Mas como ambos os filmes foram lançados na mesma época, essa rixa inexistente foi criada na minha cabeça.

THE HOBBIT: THE BATTLE OF THE FIVE ARMIES

Felizmente, anos depois tive a oportunidade de ver a trilogia em DVD e, acho que como muitos novos fãs da obra de Tolkien, me apaixonei pela história e, principalmente, por aquele Universo. Aí depois conferi os livros (e gostei mais ainda) até que, como parte do pacote, li O Hobbit, que considero, em minha não relevante opinião, o melhor livro de Tolkien.

Dado o carinho com a obra, e essa carência de nunca ter visto O Senhor dos Anéis no cinema, quanta expectativa criei para a adaptação de O Hobbit.  Era realmente a oportunidade de viver, experimentar aquele mundo, como todos os fãs tinham experimentado 10 anos antes. Veio o primeiro filme, em 2012, que eu PIREI (e não revi desde que assisti no cinema. Talvez meu carinho por ele até hoje se deva a essa expectativa criada); o segundo, que considerei uma decepção (e de qual já abordei os acertos e os erros aqui); e agora, o terceiro e derradeiro episódio da Terra Média.

XXX HOBBIT-BATTLE-FIVE-ARMIES-MOV-JY-1157-.JPG A ENT

Dado a mágoa com o segundo filme, não criei muitas expectativas com esse. Talvez seja a birra de criança atacando novamente, já que nessa última parte temos a aguardada Batalha dos Cinco Exércitos, e isso já era motivo suficiente para empolgar qualquer um. Os desfechos com ares de epicidade das tramas de Bilbo (Martin Freeman), Thórin (Richard Armitage), Bard (Luke Evans), Tauriel (Evangelina Lilly) e todos os demais personagens.

Se o segundo filme pecou pelos excessos, o terceiro promete ir direto ao ponto, já que é o mais curto dos 6 filmes, e dedicava 45 minutos de batalhas ininterruptas. E batalha envolvendo grandes exércitos é algo que Peter Jackson SABE fazer. And He did it again! O espectador não fica perdido, há vários focos de batalhas, passando por diversos personagens, com um balanceamento correto entre elas, e mesmo quando ocorre com os menos carismáticos, a dinâmica criada não cansa. O 48fps deu uma nova dinâmica às cenas de luta, a princípio causando estranheza (e não será a primeira nem a última vez que o formato irá proporcionar estranheza. Ainda há cenas que eu acho que foram tiradas de um videogame), mas depois de se acostumar, dá um ritmo bacana as cenas.

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Algo que eu gostei (e talvez eu tenha reparado isso tardiamente) e o filme destaca, são os diferentes modos de luta das raças: os elfos com seu estilo gracioso e parecendo que estão dançando, tudo devidamente coreografado; os anões com seu jeito mais bruto e raçudo; os humanos um tanto desorganizados dado a situação dos homens da Cidade do Lago; mas sem dúvidas, o mais interessante de se observar são os orcs. Putz, como eles são CRIATIVOS! Eles cortam suas mãos para colocarem armas no lugar; transformam os corpos em catapultas; e derrubam muros sempre de forma homérica (sério, é SENSACIONAL como eles invadem a Cidade do Valle nesse filme). E como não lembrar da cena do ataque ao Abismo de Helm, em As Duas Torres, com o orc levando a tocha de forma ~heróica~ até a muralha? Tão de parabéns as estratégias de guerra dos orcs.

Dá para dizer que no roteiro, Peter Jackson também acerta. OK, ele tinha que contornar alguns problemas que ele mesmo criou, como a relação Kili/Tauriel (que graças aos Céus, não toma tempo do filme igual seu antecessor), ou mesmo o que fazer com Alfrid (Ryan Gage), o ‘projeto de Língua de Cobra’ que auxiliava o Mestre da Cidade no Lago, e neste filme acaba por se tornar um alívio cômico bastante forçado. Mas as coisas fluem, possuem foco e um maior aprofundamento. O melhor exemplo disso é a loucura do ouro causada em Thórin, que foi devidamente explorada no longa. O roteiro também se aproveita do vazio no livro (já que nele, Bilbo desmaia durante a luta e perde tudo) para tomar liberdades narrativas muito mais bem vindas do que observadas durante a trilogia. Mas, ainda há liberdades narrativas questionáveis e talvez, desnecessárias.

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As atuações, de modo geral, estão boas. Martin Freeman continua executando bem o papel de protagonista (apesar de julgar que ele é melhor aproveitado na TV, como em Sherlock e Fargo); Ian McKellen mais uma vez sendo o mago que todos amamos; Benedict Cumberbatch mandando bem na dublagem no curto tempo que tem em tela; Orlando Bloom mais uma vez proporcionando cenas de fodocitude exageradíssimas, mas que o povo pira (o fato do Legolas praticamente não errar me incomoda. É legal de ver, mas poxa, nem dá para se preocupar com o personagem. TUDO dá certo para ele); Christopher Lee estrelando a cena mais foda do Saruman em 6 filmes; contudo, o maior destaque fica com Richard Armitage, que não tinha tido um trabalho tão elogiável nos outros dois filmes, mas que aqui aproveita o momento mais crítico de seu personagem e aparece em excelente forma em cena, dramatizando bem as diversas emoções do rei anão.

De resto, tudo dentro dos conformes, seja do figurino (as armaduras dos anões, o visual FODÁSTICO do primo do Thórin), o 48fps (apesar de julgar que o 3D em si, não foi devidamente explorado), e a trilha de Howard Shore, que é boa, mas eu cometi o ‘erro’ de escrever essa review ouvindo a trilha da trilogia original, e vi que a nova trilha não chega aos pés da OBRA PRIMA que é o outro trabalho.

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Finalizando, a trilogia d’ O Hobbit (que reafirmo, não deveria ser uma trilogia) termina de forma bastante satisfatória. E acho que uma frase do Bilbo resume bem o sentimento: “I’ll remember everything. The good. The bad.”. Não foi uma caminhada perfeita, mas ao subir dos créditos (aliás, com desenhos lindos), a certeza de que foi uma boa caminhada, uma boa ride nessa montanha russa chamada Terra Média. Principalmente, o maior mérito do filme (ou dos filmes, no caso) é criar aquela vontade de ler (ou reler) a obra de Tolkien, e gastar o máximo de tempo possível naquele mundo. Porque a melhor coisa da Terra Média… É a Terra Média. E por toda aventura e bons momentos que ela foi capaz de criar, eu agradeço à você, Peter Jackson… E claro, também a você, J.R.R. Tolkien.

Nota: 8,5/ 10.

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