[REVIEW] Êxodo: Deuses e Reis

“Riddley Scott se esforça para dar tons épicos à conhecida história de Moisés”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

A esta altura do campeonato, creio que todo mundo tem uma noção de quem é Moisés. O profeta, reconhecido por três das mais conhecidas religiões do mundo (judaísmo, cristianismo e islamismo), já foi representado de diversas maneiras no cinema, do clássico Os Dez Mandamentos, de 1956, até a animação Príncipe do Egito, da Dream Works, de 1998. Se talvez nem todos conheçam os detalhes (ou a história como está nas Escrituras), pelo menos os grandes momentos, como as Maldições sobre o Egito e, claro, a abertura do Mar Vermelho, estão no imaginário das pessoas.

Exodo 2

Outro bem conhecido é Ridley Scott. O diretor, conhecido por ter produzido para o cinema obras como Alien, Blade Runner e Gladiador, apresenta em seu novo trabalho a sua versão sobre a história de Moisés, aqui interpretado por Christian Bale (o último Batman), em mais uma superprodução hollywoodiana de passagens bíblicas (mais cedo este ano, já tivemos o controverso Noé, de Darren Aronofsky).

Admito logo que não me dou bem com Scott. Simplesmente não consigo achar ele o grande diretor que o nome sugere. Cruzada é franco, enquanto O Conselheiro do Crime é um filme mediano. Blade Runner é um bom filme, mas não acho nem de perto a obra prima que é retratado (primeira heresia do parágrafo). E como não vi nenhum filme da franquia Alien (segunda heresia), não dá para julgar Alien e Prometheus. De querido mesmo, apenas O Gladiador, que considero um baita de um filmaço (terceira heresia?).

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Contudo, em Êxodo, elogio o trabalho do diretor. Na execução de sua visão sobre a passagem bíblica, sua direção foi competente nas cenas de ação (que, infelizmente, não são mais exploradas no longa); na bonita fotografia, que o 3D pouco atrapalhou; e principalmente, ao retratar as Maldições do Egito de maneira única, mostrando com certa dose de realismo os horrores causados ao povo egípcio pela fúria divina. Sem dúvidas, o ponto alto da obra.

Entre outras liberdades criativas, houve acertos, mas uma maior presença de tropeços. Aqui, aproveito para deixar algo bem claro, principalmente para quem ainda não foi assistir ao filme. Observando algumas reações na Internet, percebi que muita gente esperava uma adaptação fiel ao que está na Bíblia. Essa expectativa não foi criada pela minha parte em nenhum momento, afinal, por mais vasta que a audiência religiosa possa ser, o filme pretende atingir outros públicos, tendo que recuperar, de alguma forma, os 140 milhões de dólares gasto na obra. Portanto, não sejam ingênuos ao esperar uma adaptação linha-por-linha do que está escrito. Não é um filme com tantas liberdades criativas como Noé foi, mas ainda sim, é um olhar diferente do material original.

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Pois bem. Se por um lado achei interessante (ou inovador) a representação de Deus no longa (uma criança… Das não mais carismáticas) e da própria versão sobre a abertura do Mar Vermelho (de longe, o momento mais aguardado do filme), por outro, Scott e a trupe de roteiristas falharam no que eu considerava ser a pedra fundamental do filme: a relação de Moisés e Ramsés (Joel Edgerton).

Poxa, se você está empenhado em fazer um filme de 2h30, poderia ter abordado a relação dos dois de uma forma melhor, talvez dedicando o início do filme com os dois ainda crianças (por mais clichê que isso seja). O resultado final foi a história de Moisés com um bom desenvolvimento (seu exílio do Egito; a formação de sua família; a descoberta de seu destino; ele como um agente de Deus e líder de seu povo), enquanto Ramsés foi posto de lado. O ritmo do filme também é inconstante. O início e a passagem das Pragas possuem um bom ritmo, mas o meio do filme e seu clímax parecem feitos com uma urgência anormal.

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As atuações refletem os papéis dos personagens. Não é o melhor trabalho de Bale, mas ainda sim, é uma atuação digna e competente, que consegue criar um vínculo com o público; Joel Edgerton parece um pouco perdido, atuando de maneira estranhamente cômica em alguns momentos, mas com um trabalho satisfatório. Outros nomes conhecidos, como John Tuturro, BenKingsley e Aaron Paul, pouco aparecem e, portanto, pouco acrescentam (A propósito, apesar da reclamação sobre o elenco ser formado, em quase sua totalidade, por atores brancos, ser uma reclamação válida, não acho que as escolhas deslegitimam o filme como um todo.).

Visualmente, o filme agrada, tanto pelos efeitos especiais, com ótimo esmero na retratação das Pragas e na abertura do Mar, mesmo com o 3D acrescentando praticamente nada (procurem sessões 2D!), quanto pelo figurino, que é caprichado e soube aproveitar o que a rica cultura egípcia tem a oferecer. A trilha composta por Alberto Iglesias (O Jardineiro Fiel) fica sumida na primeira metade do filme, mas se destaca positivamente no final, compensando a ausência.

Existe uma beleza inquietante nas Pragas Egípcias mostradas no filme...
Existe uma beleza inquietante nas Pragas Egípcias mostradas no filme…

Finalmente, Êxodo foi incapaz de mudar minha opinião sobre Scott. Apesar de bons momentos e uma boa ideia, o filme não consegue possuir destaques memoráveis e apresenta pesados desperdícios. Uma pena.

Nota: 6,5/ 10.

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