[FORA DE SÉRIE] Consertando O Hobbit

Por Matheus Araujo

IMPORTANTE: Este é um texto vindo diretamente do alto da minha descomedida petulância.

Não sou um grande fã do trabalho de Peter Jackson em sua trilogia O Hobbit, como alguns já tiveram o prazer (?) de descobrir através desta sucinta análise comparativa entre suas obras. Todavia, sou apaixonado por sua primeira retratação da Terra Média e me deleito refletindo nuances da criação original de Tolkien. Em decorrência de tudo isso, por muito me incomodarem esse novos filmes, aí vão três principais correções para os novos filmes:

(OBVIAMENTE, SPOILERS! E linguagem chula.)

1 – Retirar o plot de Dol Guldur

Todos os momentos que se relacionam a essa side quest, independente de sua qualidade, são fortemente desassociados da principal história contada. As justificativas para a existência dessa historinha de Necromante já seriam o suficiente para que eu desejasse o seu corte, no entanto, isso também divide o filme em dois frontes, matando o ritmo da jornada dos anões.

Se fosse para existir, que fosse em um filme solo chamado “O Conselho Branco”. E, mesmo assim, que não tivesse Radagast, o personagem mais irrisório da Terra Média.

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2 – Matar Kili no primeiro filme

Só pra lembrar, essas correções não estão ordenadas por maior ou menor necessidade, já que se estivessem, o topo não poderia ser diferente. Kili é o maior problema. Além de visualmente bastardo, o anão é responsável por um subplot bastante enfurecedor. E não fossem também apenas as cusparadas no material original… Poxa, a Tauriel é um personagem bacaninha, uma das únicas desenvolvidas (ao menos, confrontada) e uma das melhores encarnações élficas da hexalogia. O que definitivamente acaba com a personagem é o romance mal construído com esse anão merdeiro. Não há ser que compre aquele amor à primeira vista.

Além de muita satisfação, a morte de Kili daria uma importância dramática ao primeiro filme e a si mesma. No terceiro, com as mortes sucessivas (a dele e as de Fili e Thórin), todas elas são apenas mais uma entre várias. O peso seria maior se a profanação da linhagem de Dúrin fosse feita por Azog em parcelas, crescendo em Thórin e no espectador um ódio pelo orc albino que culminaria na batalha final.

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E adiciono a esta uma ideia derivada. Já que Kili seria o anão a morrer e dar ainda mais valor a aventura, então, que fosse ele um dos anões a ser desenvolvidos no primeiro filme. Explico: um dos maiores pecados da nova trilogia é não explorar os mais de 450 minutos para diferir a comitiva em além de seu figurino. Se eles optassem por desenvolver os anões, mesmo que só pinceladas, algo viável, de três em três anões por filme, poderíamos ter uma construção satisfatória da maioria deles. Com o pouco que existe, precisamos nos contentar com os mal trabalhados: Thórin, Kili, Bálin e resquícios de Dwalin.

3 – Cortar Beorn

Beorn é um dos meus personagens favoritos da Terra-Média. Um bruto de bom coração que adora dilacerar orcs em sua forma de fera. Como não amar? Mas se o Peter Jackson pretendia explorá-lo a profundidade de um cu de hobbit, que ele não aparecesse e eu apenas ficasse puto pela ausência. PORRA! Ele tá em cena por cerca de 20 segundos no terceiro filme!

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Evidentemente que com essas correções uns bons minutos seriam cortados, o livro seria no máximo divido em duas partes e, consequentemente, vários segmentos seriam – pelo bem maior, espero ter sido claro – aniquilados. Em dois filmes, momentos inúteis, como a intragável enrolação na cidade do Lago (a maioria devido ao, agora, falecido Kili) ou a ininteligível batalha contra o dragão em Erebor, escafeder-se-iam; um senso de urgência, ausente em toda trilogia, se faria presente e os 40 minutos de introdução para uma jornada inesperada, com direito a música de arrumação de louça, seriam reduzidos; e a estruturação de um filme (o mínimo de início, meio e fim) seria possível e, assim, não haveria a menor chance de um coito interrompido tal qual o fim d’A Desolação de Smaug.

É isso. Na minha opinião, essas são as correções mais necessárias e que mais forte impactariam para que O Hobbit no cinema ME agradasse mais. Mas, claro, como fã chato sou, ainda gostaria de alguns outros ajustes.

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E mais uma consideração: Todos esses apontamentos foram feitos se pensando dentro projeto que já temos. O que eu profundamente gostaria de ver era O Hobbit de Guillermo Del Toro, o qual ainda podemos vislumbrar entre um design e outro mais criativo, ao invés de um festival de referências à obra prima de outrora e a megalomania dos doentes por ouro de Hollywood.

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12 comentários sobre “[FORA DE SÉRIE] Consertando O Hobbit

    1. Muita gente prefere o Bombadil onde acabou ficando, hein…

      Fiel por fiel, o Senhor dos Anéis, além de cortar, modificou muita coisa e ainda assim foi considerado um puta filme e adaptação.

      Fora isso, o próprio Tolkien já reescreveu O Hobbit. Não por completo, mas em algum momento ele tinha esse projeto em mente.

      Tem cortes/mudanças que vem pro bem.

  1. Cara, na moral, vc leu o livro? Como assim tirar o Beorn? iria cortar uma parte importante e necessária da história. E também, matar um dos anões da comitiva no primeiro filme, que sentido tem isso? Iria desvincular demais da obra original com uma morte prematura, que na boa, não precisava. A opinião é sua, mas pense melhor antes de sair escrevendo qualquer coisa 😛

    1. João, na moral, se você leu o livro sabe que a participação do Beorn no filme não respeita a importância que ele possui. Se tirássemos Beorn dos filmes o que realmente mudaria na história?

      E sobre o Kili… No texto, eu disse que o principal motivo para matá-lo é que a presença dele é um desrespeito completo com a obra original. Se é pra deturpar, que ao menos exista um motivo narrativo para tal.

      Sei que a minha opinião não é das mais ortodoxas e você tem todo o direito de discordar, mas ela não foi escrita sem o mínimo de pesquisa e de estudo.

  2. Eu acho que a pessoa que escreveu esse monte de asneiras não leu o livro…
    Como você gostaria de matar o Kili no primeiro filme?
    Como cortar Beorn sem prejudicar a entrada da Companhia de Thorin na Floresta das Trevas?
    Você citou Azog, o Profano? Sinto em lhe dizer que ele NÃO ESTÁ N’O HOBBIT, mas quem está no livro é o filho de Azog!!

    Eu acho que sua crítica é baseada nos filmes e em algumas resenhas feitas em Youtube

  3. Acho que a turma não entendeu o intuito do post. O “consertar” não é fazer da trilogia uma adaptação mais fiel e sim pegar três filmes de merda e tentar pensar em uma forma de torna-los uma melhor narrativa. Mas ainda sim seria uma péssima adaptação.
    Eu ansiava por uma adaptação digna, mas todo mundo sabe que essa não foi a vontade dos produtores do filme. Então fiquem de boa, porque não tem como piorar esta cagada.

  4. Você não leu a PORRA do livro???? A importância do Kili é fundamental no livro e no filme, como seria nossas vidas sem um romance lixo entre um anão e uma elfa que não fazem nada produtivo para a narrativa do filme? Além disso, os cinco segundos de tela do Beorn no terceiro filme são essenciais. -.-

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