[REVIEW] Game of Thrones: A Telltale Game Series – Iron from Ice

E no finzinho de 2014 somos presenteados com o primeiro dos seis episódios de Game of Thrones: A Telltale Game Series.

Por Matheus Araujo

A proposta é, como em outros point-and-click da Telltale (em especial o valorizadíssimo The Walking Dead), inserir o jogador no mundo de uma grande franquia através de uma história paralela a que já acompanhamos por outras mídias. Dessa forma, sem conhecer o enredo a ser trabalhado, é possível que se desenvolva um sistema escolhas em que cada ação/decisão do jogador impacte no desenrolar da trama. E, já nessa premissa, mora minha primeira decepção com o jogo.

Como já conhecemos Game of Thones e o que de fato impacta fortemente em Westeros, toda vez que mechemos com um “cachorro grande” desse mundo, sabemos que nossa interferência em sua vida é mínima, visto que a casa que utilizamos, a Casa Forrester, apenas é brevemente mencionada nos livros de Martin. Nem mesmo quem apenas viu a série escapa desse sentimento de onisciência, já que o jogo se situa a partir do Casamento Vermelho. Aliás, começar de um dos momentos mais memoráveis da guerra pelo trono é fantástico ao mesmo tempo que excludente. O fato é que esse jogo não foi feito para quem não conhece a franquia.

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Os Forresters são uma família nobre vassala dos Starks, conhecidos por sua produção com madeira de ferro (ironwood), um material extremamente resistente que os torna excepcionais aliados em uma guerra. Neste primeiro episódio, Iron from Ice (o lema dos Forrester), controlamos alguns membros da Casa Forrester. Os personagens principais são: Gared, um escudeiro dessa família e um dos raros sobreviventes à emboscada dos Frey; Ethan Forrester, o jovem e atual senhor de Ironrath (a terra dos Forrester), já que seu pai e irmão morreram na noite em que os Bolton assumiram o Norte;  e Mira Forrester, irmã de Ethan, que mora em Porto Real e serve a futura rainha Margaery Tyrell.

Gared é a causa de todos os problemas, pois além de não salvar seus senhores, na volta para casa, ao encontrar o Norte governado pelos Bolton, assassina um dos soldados deles que havia profanado seu lar. Os Bolton, mas principalmente seus associados vassalos de Whitehill, interessados no poderio da Casa Forrester, vão até eles e cobram seu direito pelo assassino. Todavia, Gared era muito querido e em prol de sua proteção é sentenciado a servir à Patrulha da Noite. Sem qualquer experiência, o garoto Ethan deve barganhar com o detestável Ludd Whitehill, que possui ao seu lado o apoio e ameaça de Ramsay Snow, o bastardo Bolton. Enquanto isso, em Porto Real, Mira Forrester tenta negociar com Margaery algum apoio real para sua família diante do eminente conflito.

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A parte mais mundana, muito divertida na franquia em geral, apenas cumpre seu papel (diferente de TWD, no qual era bem maneiro sobreviver em combate também). Mesmo no Casamento Vermelho, não há sequer traços da sanguinolência apresentada no material original, o que desaprovo. Na ação, a sensação de limitação, de simplesmente estar assistindo ao jogo, é grande e pouco relevante é a proposta de ação e reação. No fim, apenas rola em tela algo como um quick time event ruim.

A única e melhor faceta do jogo é entrar na pele de um lorde ou servo e fazer parte da política de Westeros. Isso, sim, é muito divertido. Especialmente, entre personagens conhecidos. Por sinal, ser pressionado por Cersei é uma experiência bem interessante.

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Visualmente, os personagens jogáveis possuem pouca identidade, o que é um tanto coerente com a proposta de serem pessoas de segundo, terceiro plano no jogo dos tronos e, portanto, não chamarem tanta atenção. Mas, infelizmente e talvez em consequência disso, eles não são personagens que cativam.

A arte do game é bonita e os personagens mais conhecidos possuem sua aparência fidélissima a da série, o que somado a dublagem do elenco da HBO, faz com que a experiência seja bastante imersiva.  O roteiro, aliás, utiliza bem esses personagens. Os diálogos são bem maneiros e realmente parecem ter sido retirados do material original. Todavia, a trama, por mais que tenha sucesso em emular o original (como no desfecho ou na dinâmica de trocar de um personagem para outro), tem pouca liberdade, o que é decisivo para o valor atribuído ao jogo.

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Os cenários não chamam tanta atenção, mas percebo que estão melhor estruturados em relação ao jogo do The Walking Dead, no qual, apesar de não frequente, existiam “paredes invisíveis”. Entendo que boa parte dessa mecânica se relaciona com limitações tecnológicas ou orçamentárias, mas em um jogo de exploração de cena, considero um pecado grave. Especialmente, quando em GoT se tem tais situações escondidas por um layout mais inteligente, seja por elementos, seja por um posicionamento de câmera. Não é perfeito, mas já é melhor.

Chega-se ao fim sem tanta empatia, no entanto, motivado os próximos episódios. Proporcionalmente, não repete os feitos da série ou livro em qualquer instância, mas possui certo sucesso em emular aquela atmosfera e, dentro de suas limitações conceptivas, repito que é uma experiência proveitosa SE você já gosta da série.

Nota: 6/ 10.

Se você gosta de Game of Thrones em mídias não convencionais, confira também:

[Review – Guerra dos Tronos – HQ Vol. 1]
[Fora de série – The Red Vipe x The Mountain]

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