Whiplash – Em Busca da perfeição

“Tensão e superação marcam busca pela perfeição no jazz”

Por Luís Gustavo Fonseca

Em Janeiro já começa a maratona de premiações mais conhecidas pelo o público, como o People’s Choice Awards (que aconteceu nesta quarta-feira), e o Globo de Ouro, que ocorre no próximo domingo (11) e aí, aproveitando a onda, começam a ser lançados vários possíveis indicados e vencedores dos prêmios, aqui no Brasil. Não que esta lista já não possua alguns nomes de peso, como Garota Exemplar, O Grande Hotel Budapeste e Boyhood, mas, daqui até o fim de Fevereiro, será uma verdadeira enxurrada de longas.

E puxando a fila, temos Whiplash, drama musical estrelado por Miles Teller (Divergente) e o veterano J.K Simons (o eterno JJJ da trilogia do Aranha de Sam Raimi). Na trama, Teller vive Andrew, um baterista apaixonado por jazz e que encontra a oportunidade de fazer parte da principal banda de uma das melhores escolas de música dos EUA, maestradas pelo rigoroso e temido Fletcher (Simons), em busca de seu sonho de se tornar um dos maiores bateristas que já houve.

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Na direção e roteiro, temos Damien Chazelle, que faz um trabalho preciso e seguro com as câmeras, preocupando-se em captar a performance dos músicos e dos instrumentos em close ups acertados, mostrando por vários ângulos o que ocorre durante o jazz, tendo seu ápice na sequência de tirar o fôlego no fim do longa. As filmagens também pelas costas de Teller, como se evidenciassem o peso sobre o garoto, também é outro acerto.

Mas Chazelle tem mérito maior no roteiro, ao por frente a frente o conflito entre duas personalidades diferentes e proporcionar um interessante desenvolvimento na relação entre aluno e professor, que passa por diversas humilhações, constrangimentos e xingamentos. Relação que por sua vez, levanta a questão do politicamente correto, e de como uma geração mimada e super protegida deve lidar com pressões extremas. A oscilação emocional de Fletcher (às vezes, extremamente vil; outras, ‘apenas’ querendo salvar o jazz e transmitir uma lição importante) também é um dos pontos altos da trama.

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E essa dualidade funciona sobretudo pelas excelentes interpretações do longa. Por um lado, Miles Teler se firmando cada vez como um bom ator, alternando entre franquias conhecidas (como Divergente e, em breve, o novo Quarteto Fantástico) e filmes menores, como o satisfatório The Spectacular Now e o próprio Whiplash, onde, sem dúvidas, tem seu melhor desempenho. E outro que está fenomenal é J.K Simons, talvez em seu melhor trabalho dos últimos anos, praticamente um sargento Hartman da música, o que justifica sua indicação a Melhor Ator Coadjuvante em Comédia/Musical para o Globo de Ouro (e, por que não, consiga também para o Oscar?). A química da dupla funciona perfeitamente.

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Por fim, a trilha de Justin Hurwitz ajuda a sacramentar as qualidades do filme, com o jazz que embala todo o longa (inclusive a composição Whiplash, que dá nome à obra). E talvez mesmo que Whiplash não consiga se tornar lembrado pelos acadêmicos nas premiações que estão por vir, ficará, sem dúvidas, marcado como pontos altos das carreiras dos atores que o protagonizam.

Nota: 8/ 10.

 

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15 comentários sobre “Whiplash – Em Busca da perfeição

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