[REVIEW] Clube de Compras Dallas

Por Matheus Araujo

Nada mais natural que para um país “doente” exista a tentativa de remediá-lo, de ampará-lo, através de sua própria produção cultural. Iniciativas como essa implicam na inevitável exploração de histórias de superação. Um tipo de enredo com fontes inexauríveis no legado do orgulhoso povo americano, mas que é considerado por vários enjoativo ou previsível, como a batida “volta por cima” ou a vitória finalmente conquistada através de uma persistência desumana. Somente um conselho ofereço ao cinéfilo que enxerga produções do tipo com certo desdém: pare de ser chato. Afinal, não foi em um período de mazelas semelhantes que ganhamos o imbatível Rocky?

Como devem imaginar, Clube de Compras Dallas é fruto dessa necessidade de um personagem com uma curva dramática ascendente, bonita e edificante. Dessa vez, o resgate do enredo é feito na década perdida, quando uma implacável epidemia era apresentada ao mundo e esse respondia com medo e, infere-se, ignorância.

Percebam que ressaltei a curva de personagem logo acima, pois o nosso protagonista, Ron Woodroof (Matthew McConaughey), é exatamente o ponto mais baixo no qual se pode começar uma, já que é um exímio representante da escória que possuía esse tipo de pensamento preconceituoso. Todavia, ele não é imutável. Quando Ron se descobre com AIDS num país com um temível sistema de saúde público como os EUA, por necessidade vital, torna-se um ser mais esclarecido, e com seus métodos pouco altruístas, acaba ajudando seus semelhantes.

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Uma história de “superação” aliada a um protagonista forte, se bem interpretado, é a tão reconhecida fórmula para o Oscar de atuação. Bem, por aqui, essas exigências foram cumpridas e o resultado foram seis indicações ao prêmio com incontestáveis três vitórias (Melhor ator e ator coadjuvante e Melhor maquiagem). O interessante é perceber como estão relacionadas.

As nomeações de melhor atuação para Leto e McConaughey, somente foram possíveis, porque o roteiro (também indicado) os possibilitou explorar seus personagens, um tanto quanto exóticos (fato que já traz atenção), ao colocá-los em situações extremas, os permitindo – resumidamente – cativar o público.

E relembrando que os personagens são exemplares bem únicos e, ao lado disso, ainda sofrem da degenerativa AIDS, trazemos a indicação que muito os auxilia a externar as chagas: a maquiagem. Se não conhecem outros trabalhos dos atores, procurem algumas imagens e constatem que tanto por eles, quanto pelos profissionais de maquiagem, que a transformação foi sinistra. Um trabalho praticamente irretocável. (Desculpem, mas o trocadilho era imperdível)

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Outra disputa no prêmio da Academia foi em Melhor Edição, um fator não bastante relacionado com o trabalho dos atores ou roteiro ou maquiagem, no entanto, que se bem realizado permite que todos esses outros sejam apresentados ao espectador em boa forma, facilitando a apreciação e, consequentemente, o reconhecimento entre os melhores. Óbvio, toda a exposição é intrinsecamente relacionada ao trabalho do diretor, Jean-Marc Vallée, que, embora não esteja na concorrência para o prêmio que lhe cabe, tem o reflexo de seu exercício competente na indicação de Melhor Filme.

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Clube de Compras Dallas, por fim e por mais que não esteja entre meus favoritos do ano, demonstra a força da temporada de premiações de 2014.

Nota: 8/ 10.

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