[REVIEW] Os Pinguins de Madagascar

Por Matheus Araujo

Ao fim de Os Pinguins de Madagascar, a certeza de que o filme não se trata de um bom trabalho da DreamWorks desaparece na presença da reflexão: Ainda sou capaz de me divertir como criança?”

“Pinguins” sintetiza o que penso da DreamWorks (DW). Eles tentam muito (já lançaram até 3 filmes por ano!), mas sem se empenhar tanto em cada tentativa. Ao menos, é isso o que se constata ao comparar seus números com os de sua principal concorrente.

De 95 até o momento, a Pixar lançou 14 longas-metragens. A DW começou três anos depois e Pinguins é seu 30º filme. A arrecadação da Pixar por filme é mais alta que a da DW (talvez, por isso, ela compense em número de lançamentos) e, além de maior envolvimento com seu público, a companhia da Disney possui o amor da crítica: são 11 Oscars por seus 14 longas, enquanto a DW possui apenas 3 estatuetas.

Nota-se que o aproveitamento relativo da Pixar é bastante superior, o que pode ser fruto, reitero, da filosofia mais centrada, mais um passo de cada vez, inexistente na DW. Todavia, defendendo um pouquinho, isto nunca impediu que a companhia dos sonhos apresentasse seu real potencial. A seguir uma lista com algumas obras de ouro que poderiam bater de frente com qualquer concorrência: O Príncipe do Egito, Shrek, O Caminho para Eldorado, Spirit, Madagascar, Fuga das Galinhas, Kung Fu Panda, A Origem dos Guardiões e a franquia Como Treinar o Seu Dragão. A partir dessa lista, prova-se que facilmente existe nessa filmografia, produções que, se melhor fossem selecionadas, deixariam a competição mais acirrada e, mais importante, nos poupariam do excesso de sequências e falta de originalidade tão frequente.

Uma observação: não penso que a Pixar esteja imune desse viés de ganância. Carros 2, na minha opinião, é um requinte para uma análise de pobreza criativa e foi concebido apenas para fazer dinheiro.

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Enfim, Os Pinguins de Madagascar é reflexo disso tudo. O quarto filme da franquia é mais um de roteiro genérico com o simples fim de te fazer rir. Nada mais. E seguindo os passos da DW até aqui, entre um emaranhado de mediocridade, vê se alguma coisa boa.

Poxa,  Capitão, Kowalski, Rico e Recruta são incontestáveis coadjuvantes nos filmes anteriores de Madagascar. Mesmo nas sequências, não há quem os julgue um ponto fraco. E não que estejam ruins nesta nova empreitada, por sinal, ainda que protagonistas, eles continuam figurando entre os pontos fortes. No entanto, com tanto tempo em tela, tantas oportunidades, estão mais suscetíveis às falhas.  Tristemente, eles entram em conflito com outra das qualidades da película e elas se enfraquecem. A dinâmica do quarteto é  prejudicada em detrimento do competente enredo focado no Recruta.

Ao lado dessas, outras qualidades inabaláveis herdadas de outras aventuras se fazem presentes. Ainda adoro o traço caricatural; tecnicamente tem-se a qualidade que se espera do estúdio; e a trilha sonora é interessante em vários momentos.

O maior problema está na falta de criatividade. A história não me agrada desde a sinopse: Cansados dos velhos parceiros de zoológico e da incessante “I like to move it, move it”, os pinguins, após um prequel hilário da infância dos mesmos, vão viver suas próprias aventuras. No entanto, eles são surpreendidos por um inédito vilão do passado, Dave, que pretende destruir os pinguins da forma que os conhecemos. No embate com Dave, eles acabam se esbarrando com o grupo secreto Vento do Norte, que já perseguia o vilão.

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Devo estar velho. É tudo muito bobo e exagerado, como desenhos mais infantis normalmente são. Vejo tudo como uma caricatura não engraçada. Por exemplo, não compro a simplicidade do vilão. Entendam, compraria se ele fosse simplesmente mal, mas tentam vender algo como uma vingança tosquíssima (quase o oposto do que acontece em Como Treinar o Seu Dragão 2), e que acaba por atrapalhar o fim de diversão proposto no início. Fora que as adições no elenco não me apetecem. John Malkovich, como Dave, me perde pela megalomania e chatice que é seu personagem. Benedict Cumberbatch e sua patotinha também não convencem. Falta carisma, sobra baboseira. Faço parte dos adoradores desse badalado britânico, mas infelizmente ele está na pior parte do filme.

Sai, hoje, de casa com a intenção de me divertir, afinal, com algumas exceções, isto é o que a DreamWorks faz de melhor. Triste, parecia me encontrar num dia de exceção na sala de cinema. Porém, durante toda a sessão algo mais me incomodava. Os outros espectadores pareciam se divertir muito, em especial, os garotinhos do meu lado. Penso que a DW tenha se esquecido de algo que a marcou desde o seu começo. Lá em 2001, Shrek foi um marco, pois além dos pequenos, divertia os pais deles. Direcionava boa parte da piadas, por exemplo, para que esse inevitável público também se satisfizesse.

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Ainda gosto de animações, mas creio que não mais daquelas que não considerem quem leva a criança ao cinema, algo que jamais esperava da DreamWorks.

Nota: Diferente de tantos outros filmes, não me sinto confortável em dar nota para esse, pois não houve momento em que me encontrei naquela sessão. Aliás, minha percepção pode estar completamente equivocada, portanto, assistam e tirem suas próprias conclusões.

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4 comentários sobre “[REVIEW] Os Pinguins de Madagascar

  1. Eu n achei um mega filme mas eu gostei e sobre o vilao vc estar certissimo foi muito tosco!! E a cena do aviao foi muito curta deveria ser maior pq foi incrivel!! E o recruta mereceu mais espaço pois ele n é muito mostrado nos outros filmes!! E o vento do norte deveria aparecer mais na cena final!1

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