[REVIEW] Foxcatcher

História real é contada com competência, mas falta certo brilho”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Foxcatcher é o típico filme que chama a atenção da Academia: é baseado numa história real; possui atores atuando fora de sua ‘zona de conforto’ (não é todo dia que Steve Carell e Channing Tatum estrelam um drama); um diretor anteriormente já indicado à Estatueta… Ingredientes que, combinados, resultaram nas 5 indicações do novo longa ao prêmio deste ano.

A história narra os eventos envolvendo o campeão olímpico de wrestling de 1984, Mark Schultz (Channing Tatum) e seu desejo de voltar ao topo, já que ele se vê muito na sombra do irmão, o também lutador David Schultz (Mark Ruffalo). Para alcançar seus objetivos, Mark aceita treinar no avançado centro de treinamento da fazenda Foxcatcher, casa de John du Pont (Steve Carell), herdeiro da fortuna da ‘Dinastia du Pont’ e que pretende, através da luta, uma de suas paixões, marcar seu nome na história da família, e provar para sua mãe que a luta não é um esporte sem honra.

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A qualidade e a competência presentes na obra são inegáveis. A direção de Bennet Miller (Capote, Moneyball), que lhe rendeu a indicação à melhor diretor no Oscar deste ano, é acertada ao pegar uma história que chocou os EUA e, através dela, contar de forma metafórica as mudanças que a identidade americana teve com o passar dos anos. Seu jeito distante de filmar, muitas vezes estático e preferindo os momentos contemplativos ao diálogo, ajuda na construção do clima solitário e opressor da imensa propriedade Foxcatcher, que aos poucos, vai destruindo o estado psicológico de Mark.

Além desta destruição, o roteiro é certeiro na construção das relações entre os personagens, com destaque para John e Mark e John e sua mãe. Esta última, mesmo que em segundo plano se comparada às demais, ainda é poderosa e ajuda bastante na construção do personagem de du Pont. Contudo, talvez como forma de intensificar essa sensação opressora e desconfortável no telespectador (mesmo sem conhecer a trama, você sabe, mais cedo ou mais tarde, que a história sairá dos trilhos), o longa possui um ritmo demasiadamente cadenciado e poderia ser mais curto (são mais de 2h de filme).

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O maior acerto está nas atuações da obra. Mesmo não considerando um grande ator, me agrada a versatilidade de papéis do Channing Tatum. Ele (ou o agente dele) gosta de fazer qualquer tipo de filme, de comédias (como Anjos da Lei) a filmes de ação (como G.I Joe e Invasão a Casa Branca). E apesar de preferir sua veia para esses filmes mais descompromissados, é em Foxcatcher que podemos ver uma de seus melhores trabalhos.

Mas os indicados ao Oscar foram Mark Ruffalo, como Ator Coadjuvante (uma boa atuação, mas tenho dúvidas se merecia esta indicação, já que não vejo no mesmo patamar de Robert Duvall em O Juiz e J.K Simmons em Whiplash) e Steve Carell, como Ator Principal. É sempre bom ver ele se aventurando em filmes dramáticos, ele já mostrou que é capaz de fazer isso, como no desconhecido The way, way back. E aqui, transfigurado por uma maquiagem bastante competente (não à toa, indicada a Melhor Maquiagem), o ator proporciona mais um bom trabalho, mostrando as diferentes camadas do seu personagem.

Ninguém diria que ESSE é o Steve Carell
Ninguém diria que ESSE é o Steve Carell

Mas apesar de todos esses acertos, falta algo, um diferencial, que transforme em um filme inesquecível ao público, como Capote, do próprio Bennet Miller. A própria Academia, apesar de suas cinco indicações, não o colocou na disputa de Melhor Filme. O longa não possui a emoção e o impacto de Whiplash, por exemplo, e talvez nem a mesma admiração presente em Livre, que também alavancou 2 indicações em atuação. Por isso, mesmo tendo caído nas graças de muitos dos votantes da Academia, a obra parece condenada a não ter a mesma sorte com o público.

Nota: 7,5/ 10.

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8 comentários sobre “[REVIEW] Foxcatcher

  1. Pois eu acho perfeitamente justa a indicação do Mark Ruffalo, o personagem é um cara normal, um sujeito simples, decente, que ama a família, sem grandes arroubos dramáticos, sem choradeira, raiva, mudanças de humor. É uma atuação limpa, construída nos pequenos gestos e olhares, sem excessos e brilhante. Ele tá sempre atento ao que acontece ao irmão e constantemente preocupado com o bem estar dele, O personagem do Simmons é um professor carrasco, do Duvall é um juiz linha dura, são coisas totalmente diferentes. Cada um excelente no seu personagem.

    1. Uma observação válida. O trabalho do Ruffalo não é de forma alguma ruim. Suspeito que apenas não me senti muito atraído pelo seu trabalho não só por preferir os personagens e trabalhos dos outros dois citados, mas também por ter achado o Ruffalo bem melhor no ‘The Normal Heart’, da HBO (que, sim, é um papel principal e isso faz diferença, mas lá o seu potencial é mais bem aproveitado). Confesso estar em dúvida, agora, sobre qual performance dele prefiro, se nesse ou no outro pelo qual ele foi indicado, em ‘Minhas Mães e meu Pai’.

      Talvez, depois de conferir todos as possíveis interpretações que poderiam concorrer ao prêmio, eu conclua que não havia, de fato nenhum outro trabalho que pudesse substituir ele na disputa.

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