Busca Implacável 3

“Um fim não tão brilhante para Bryan Mills”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Liam Neeson é um daqueles atores que não precisa de mais nada na vida. Já foi Zeus, já foi Ra’s Al Ghul, já foi indicado ao Oscar, e ao longo da carreira, o veterano ator conseguiu conquistar uma legião de fãs.

Porém, foram nos últimos anos que o ator imortalizou um de seus mais célebres personagens, que rapidamente se tornou um dos mais queridos pelo público. Se poucos se importaram com a produção do filme, foi a partir do trailer de Busca Implacável e a frase que se tornaria um meme instantâneo (“I’ll look for you. I’ll find you. And I’ll kill you“), que o mito de Bryan Mills começou.

"Good luck"
“Good luck”

O primeiro filme tem tudo o que se pode esperar de um bom filme de ação: uma proposta singela, onde “menos é mais” e que consegue, com facilidade, cativar o interesse do público e afeiçoá-lo rapidamente ao seu protagonista; cenas de ação bem executadas e coreografadas, com uma ótima variedade de situações que possibilitam as mais diferentes maneiras de Liam Neeson chutar as bundas de seus inimigos; objetividade, em sua 1h30, que evita momentos desnecessários e proporciona um ritmo excelente a obra; e um atuação que não exige muito do ator principal, mas feita com honestidade e que casa perfeitamente com a proposta do projeto.

“Em time que está ganhando, não se mexe”. O tradicional ditado do meio futebolístico não é usado sempre em Hollywood. A repetição de fórmulas é um artifício perigoso, que deve ser usado com cuidado. O gênero de ação talvez seja, ao lado do de terror, o que mais sofre com sua ‘previsibilidade’ (Admita: a maioria dos filmes tem a mesma estrutura narrativa, o que pode facilmente desinteressar o público). Mas se deu tão certo no primeiro filme, porque não utilizar no segundo?

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Não vejo o mesmo brilho de Buscar Implacável 2, que (felizmente) mantêm muitas das boas características do primeiro filme. A ideia de por como motivação dos antagonistas do segundo filme, a morte dos vilões do primeiro, é interessante e um bom adendo à trama como um todo, e a manutenção das boas cenas de ação não poderia ser algo mais bem vindo. Contudo, a novidade que foi o primeiro fala mais alto e o põe em um patamar acima.

Foi com bastante surpresa que recebi a notícia que teríamos um terceiro filme. “Mas quem diabos eles irão sequestrar agora?!”. Na verdade, ninguém. No novo capítulo, a ex-mulher de Mills, Lenore (Famke Janssen) é assassinada, e armam para que ele seja o culpado por sua morte. Após fugir, resta ao veterano agente usar seu “particular set of skills” para proteger sua filha, fugir da polícia e achar o verdadeiro culpado do crime.

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Temi por esse filme desde o começo. Não conseguia ver Busca Implacável como uma franquia, e a própria repetição da trama no segundo longa apontava para isso. Infelizmente, a nova obra não consegue reproduzir com êxito os méritos dos outros dois. A direção de Olivier Megaton (o mesmo do segundo e também de Carga Explosiva 3) não me agrada, com muitas das cenas de ação sendo extremamente rápidas (juro que existem momentos que, em 1 segundo, tem umas 4 tomadas diferentes) e que fazem perder o que está acontecendo em tela com facilidade. Recurso que foi muito melhor aproveitado em outros filmes de ação recente, como O Protetor e De Volta ao Jogo. Claro, existe bons momentos, mas a própria franquia já provou que pode mais.

O roteiro, novamente assinado por Robert Mark Kamen e Luc Besson (que também é produtor), até acerta em propor algo um pouco diferente, aproveitando o início para aprofundar as relações dos personagens (uma possível reatação entre Bryan e Lenore; a gravidez de Kim e seu ‘climão’ com o pai), mas o ritmo é um tanto inconsistente. Parece haver menos de ação (o que sempre foi o maior trunfo) e mais momentos ‘parados’, além da presença de várias coincidências que forçam a barra mesmo para quem já está acostumado. Por fim, confesso que após assistir Lucy, gostaria muito de ter visto um dos filmes dirigido pelo Luc Besson.

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Liam Neeson acompanha o declínio presente em todo filme. Claro, ver ele batendo em todo mundo de todas as formas ainda é muito agradável, e ele poderia continuar fazendo isso para sempre (aliás, como essa postagem do The Hollywood Reporter mostra, ele vem fazendo o papel do Bryan Mills em vários de seus filmes recentes). Mas o conjunto da obra não colabora. Pior: Forest Whitaker, principal policial na trama, pouco acrescenta, e Dougray Scott e Sam Spruell fazem antagonistas demasiadamente caricatos e previsíveis, muito aquém dos anteriores.

Apesar do deslize grave, tenho a ousadia de dizer que Busca Implacável será uma das trilogias mais queridas do público casual de cinema ou de filmes em geral, que dificilmente não atraíra espectadores quando estiver passando na TV. A Bryan Mills, uma glória ainda maior: estar no panteão dos heróis de ação deste começo de século, ao lado dos agentes Jason Bourne e Jack Bauer. Um T4ken é mais do que desnecessário… Mas se houver, por que não?

Nota: 6/ 10.

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3 comentários sobre “Busca Implacável 3

  1. Bom review. Realmente, sempre é um risco investir em continuações, onde raramente os filmes subsequentes superam o primeiro, até pela natural novidade. Se os produtores tiverem bom senso, vão parar por aqui. De qualquer modo é muito bom ver esse ator, já com 62 anos, convencendo em filmes de ação.

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