[REVIEW] Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

Por Matheus Araujo

Para ser justo com o filme, decepção é a palavra que não posso evitar ao começar a falar de Birdman. Nada relacionado à qualidade do mesmo, afinal se a Academia resolveu nomeá-lo a nove prêmios, quem sou eu pra discordar? O desapontamento é mais relacionado à minha burrice em pensar que uma obra de título referenciando o super-herói que uma vez seu protagonista encarnou tivesse algo além de um pano de fundo a ver com o recente fenômeno dos quadrinhos no cinema! Ou talvez tenha mesmo a ver e sou ainda mais burro do que estou declarando. Decidam ao me xingar nos comentários.

Fora da minha cabeça, Birdman é o filme em que Michael Keaton traz à vida Riggan Thomson, um ator que há tempos interpretou o super-herói Birdman nos cinemas, mas que agora é um sujeito velho, irrelevante para o grande público e com a carreira no buraco. Para virar o quadro, Riggan pretende protagonizar, produzir, escrever e dirigir uma peça na Broadway e, por consequência, lidar com uma equipe complicada e superar seus dramas pessoais, compostos basicamente de um conflito entre seu super ego e seu alter ego.

Birdman

Além da excepcional interpretação de Michael Keaton de si mesmo, Birdman ganhou destaque pela forma com que seu diretor, Alejandre González Iñárritu, decidiu que fosse filmado: uma película quase completa em plano sequência. Em outras palavras, um filme sem cortes de cena. O truque é realmente impressionante e, pode-se dizer, se sai até melhor do que a promessa. A forma como Iñárritu trabalha as alucinações do personagem de Riggan e as passagens de tempo é bem interessante. Além dele, o diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, conhecido por seu trabalho no plano sequência de Gravidade, realiza um trabalho à altura do desafio e habilmente climatiza o vagar da câmera com a iluminação dos diversos cenários – o que também casa com a proposta da peça de teatro. Estava curioso para saber como fariam isso e fiquei bastante satisfeito com o resultado final.

Todavia, o artifício do não cortar faz com que o filme perca um pouco de ritmo, o que é totalmente compreensível. Mas desconfio que além do recurso, o próprio roteiro contribua para o devagar dessa história, característico, e não apreciado por mim, de Iñárritu. Quem se beneficia com esse demorar são os atores, que dispõem de condições teatrais num ambiente cinematográfico.

O elenco está impecável. Nunca pensei que fosse elogiar Michael Keaton dessa forma, mas é inegável a sua entrega neste trabalho. Sempre achei o antigo intérprete do Batman um cara bastante exagerado, no entanto, em Birdman ele consegue se conter, liberando seus surtos naturais apenas quando pedidos e proporcionando um personagem, ainda que louco, crível. Por mais que possua seus momentos de alívio, Keaton foi capaz de carregar bem a película e, ao lado da percussão que permeia o filme todo (e que também está condicionada em alguns momentos à natureza do plano sequencia), é sua interpretação a responsável por todo envolvimento e tensão.

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Como já disse, o quesito atuação é poderoso em Birdman. Todo o elenco desfruta da qualidade de com quem estão trabalhando. Além de Keaton, Edward Norton e Emma Stone (que também já tiveram sua grande participação nos filmes de heróis e confirmam minhas suspeitas do filme que Birdman não foi) possuem ótimas passagens e justificam suas indicações ao Careca Dourado. Ademais, é sempre divertido ver o querido Zach Galifianakis.

No fim, conservo o gosto de decepção por mais impressionante que tudo seja. Cheguei a este filme preparado para uma desconstrução, um diálogo, com o subgênero de super-heróis. Superada a desavença inicial, tolo que sou, ainda continuei esperando um flerte mais sedutor e não obtive nada além de um discurso desinteressante sobre como atores querem ser adorados como os semideuses dos quadrinhos. Até mesmo quando comprei a abordagem do teatro, do super realismo, fiquei descontente, apesar das atuações e toda proposta do plano sequência, pois ainda existem melequices como a participação da crítica.

Nota: 8/ 10.

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10 comentários sobre “[REVIEW] Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)

  1. Tão ruim quanto Rubber.
    É massante, o drama do personagem não gera nenhuma simpatia em quem assiste (ao menos pro pessoal aqui de casa), o que faz com que o filme seja só um amontoado de acontecimentos confusos e sem importância.
    E eu só queria que o baterista morresse.

  2. Ótima crítica! Eu acho que foi merecido o oscar de melhor diretor e de fotografia, mas fiquei muito descontente com o prêmio de melhor filme. Pra mim filmes assim tem que ganhar pela história combinada com as atuações, e por mais que os atores conseguiram conduzir o filme com diversas cenas interessantes e bem filmadas, achei que a história deixou e muito a desejar, fato que não poderia ser deixado de lado num porte de premiação alto como o Oscar de melhor filme. Pra mim quem deveria ter ganho era Whiplash. Uma narrativa bem mais viva com atuações excelentes.

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