[REVIEW] Caminhos da Floresta

“Musical da Disney encanta, mas com dificuldades”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Antes de ver um musical, jamais achei que iria gostar. Além de uma relação não muito forte com a música, tinha dificuldades em imaginar como uma trama poderia se desenvolver e parecer crível enquanto os personagens estivessem cantando. Tudo bem, desde criança eu via os filmes da Disney, que possuem músicas e mais músicas (tantas, inesquecíveis) e jamais reclamei, mas na minha cabeça, animação era animação, live action era live action.

Opinião que veio totalmente abaixo quando assisti Os Miseráveis e apaixonei pelo filme instantaneamente. É verdade que desde então, não corri atrás de mais longas do gênero, como o famoso Cantando na Chuva (que blasfêmia!), mas foi a partir de então que pude conhecer, por exemplo, o clássico e ótimo Mary Poppins, além das versões mais recentes dos filmes d’ Os Muppets, da própria Disney.

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Apesar de empolgado com o gênero, não sabia o que esperar de Caminhos da Floresta. Mesmo porque o trailer (que devo ter visto apenas uma vez) apresentava uma trama um tanto inusitada: um padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt) desejam ter um filho, mas uma maldição lançada pela bruxa (Meryl Streep) ao pai do padeiro impede que esse desejo possa ser realizado. Para quebrar esta maldição, a bruxa pede que os dois consigam, em três noites, quatro itens bem específicos: uma vaca branca como o leite; um capuz vermelho como sangue; um pedaço de cabelo amarelo como o milho; e um sapatinho puro como o ouro.

É nessa missão que mora um dos maiores trunfos da obra: ora, porque não misturar, em um único universo, várias das histórias de contos de fadas, várias delas popularizadas pelas versões da Disney? A vaca de João, que viria a ser trocada pelos feijões mágicos; o capuz que dá nome a netinha que foi visitar a vovó; o cabelo (e que cabelo!) da Rapunzel; e o sapatinho de Cinderella, que aqui é de ouro.

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Apesar do argumento deveras interessante (poxa, esse tipo de crossover sempre é algo que chama a atenção), o roteiro assinado por James Lapine possui altos e baixos. Existe, por exemplo, uma combinação estranha nas montagens dos diálogos, que prejudicam o ritmo do filme, e às vezes, com as canções cantadas pelos diferentes personagens atropelando umas as outras. O próprio tom do filme mostra certa inconsistência, com momentos trágicos e mais inesperados presentes entre os alívios cômicos e a pegada, no geral, fantasiosa da obra.

Contudo, as relações entre os personagens de diferentes universos e seu respectivo desenvolvimento são feita de maneira bem interessante e agradável, já que aqui, o clima de fantasia e aventura ajuda bastante. Os conflitos propostos pelo roteiro no decorrer da história também são bem construídos, e a ideia de por a floresta também como um ‘personagem’ importante para a história é outro acerto. Uma pena que o filme se estende além do necessário, o que pode cansar o público.

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A direção de Rob Marshall (indicado ao Oscar por Chicago, outro musical) é satisfatória como um todo, apesar de estar longe de ser excepcional. A edição foi um dos pecados, além da fotografia do clímax, demasiadamente escura e que destoa do restante do filme. Porém, a direção de atores se destaca positivamente.

Com um elenco tão cheio, seria difícil equilibrar e contar com uma atuação excelente de todos os atores. Emily Blunt, por exemplo, faz um bom trabalho, mas não consigo ver o porque ter sido indicada a melhor atriz principal de comédia/musical do Globo de Ouro (talvez, justamente por existir essa categoria na premiação). Outros, como James Corden, Anna Kendrick (Cinderella), Chris Pine (Príncipe Encantado), os jovens Daniel Huttlestone (Joãozinho) e Lilla Crawford (Chapeuzinho) e até mesmo Johnny Depp como Lobo Mal (em uma das músicas mais bizarras do longa), compõem bem a obra, mas nada memorável.

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Do bolo, quem se destaca (e não poderia deixar de ser) é a mestra da atuação Maryl Streep. Putz, a mulher tem mais de 60 anos e canta com uma vontade! A Academia não poderia resistir a dar à uma indicação por Melhor Atriz Coadjuvante. E fez por merecer, sendo um dos trabalhos que mais me agradaram entre as mulheres na competição deste ano. Por favor, alguém tem que fazer um filme com ela e a Fernanda Montenegro. Pode ser 2h delas conversando sobre nada. Apenas façam!

Se o departamento de arte do filme é competente e merecedor de suas indicações por melhor Design de Produção e Melhor Figurino, confesso estar um pouco decepcionado com a trilha sonora. Ela não é ruim. Porém me incomodou a repetição da pegada da música inicial do longa, I Wish, que acabou ditando o ritmo das principais canções da primeira metade do longa. Momentos como a música dos Príncipes cantada por Chris Pine e Billy Magnussen também pouco acrescentam. Felizmente, há grandes momentos, como a música cantada quando os personagens entram na floresta, ou a ótima sequência de Is your fault (cantada tão rapidamente que parece um trava línguas) seguida por Last Midnight, momento que tira o maior proveito de Streep.

INTO THE WOODS

A princípio, não tinha gostado muito de Caminhos da Floresta, principalmente por ele não ter me atingido como os outros musicais aqui citados. Contudo, à medida que fui refletindo sobre ele (inclusive, ao ir escrevendo o texto), fui percebendo vários méritos que poderiam passar despercebidos em uma primeira impressão. Quem sabe, uma futura reassistida possa revelar outras qualidades… Ou ao menos, deixar para trás velhas implicâncias.

Nota: 7/ 10.

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