[REVIEW] Grandes Olhos

“Ah, se apenas o Tim Burton se dedicasse a fazer esse tipo de filme…”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Não sei o que pensar de Tim Burton. O diretor, dono de uma assinatura única, vive constantemente entre altos e baixos. Possui no currículo filmes como Edward Mãos de Tesoura, dois Batmans, o remake da Fantástica Fábrica de Chocolate, e o próprio (e contestado) Alice no País das Maravilhas, que confesso ter uma simpatia. Sua direção de arte, o visual de seus mundos, seu traço autoral, é um dos mais reconhecidos da indústria americana do cinema, igualada por muito poucos. Mesmo quando há tropeços, ele não tem medo de ser trazer uma estética arrojada e arriscada.

Contudo… Quando se diz que haverá um novo filme do Tim Burton, não existe, da minha parte, aquela empolgação. Ele não consegue despertar em mim uma expectativa como um novo filme do Tarantino, dos irmãos Coen ou de Christopher Nolan. E atrelo muito dessa minha antipatia ao seu ‘casamento’ com Johnny Depp e, apesar da recente separação, com a Helena Boham Carter. Não que eu não goste dos dois atores… Mas, putz, INOVE! Vira o disco! Saia da caixa, arrisque coisas diferentes.

Big Eyes 4

E, felizmente, ele foi respirar novos ares. Grandes Olhos é muito bem um daqueles filmes que passa despercebido pelo grande público. Mas é, ao menos, algo diferente do diretor, que conta na trama à história real da pintora Margaret Keane (Helen… Amy Adams), dona do estilo dos “grandes olhos”, que se tornou um sucesso em meados dos anos 50, mas teve todo seu crédito roubado pelo marido, Walter (John… Christopher Waltz).

A presença de um casal diferente estrelando um filme do Burton já deveria ser um ponto positivo por si só, mas a dupla faz por merecer os elogios. Confesso que enxergo, nos últimos trabalhos de Waltz, muitos dos trejeitos e manias dos papéis que lhe renderam 2 Oscars por Ator Coadjuvante (em Bastardos Inglórios e Django Livre, ambos em parceria com Tarantino), e essas peculiaridades podem ser notadas mais uma vez aqui. Contudo, tais características são bem vindas à proposta do longa, já que o tom, aparentemente simpático e carismático do personagem, é dosado na medida certa com sua picaretagem e seu lado cafajeste, apesar de um exagero ou outro.

Big Eyes 2

Outro trabalho digno de elogios (o que, a esta altura, já é algo rotineiro) é o de Amy Adams no papel principal. Não à toa, a atriz levou um Globo de Ouro este ano pelo papel, e prefiro muito mais a atuação dela aqui do que na sua indicação ao Oscar (e também, ao Filmaiada Awards) pelo Trapaça.

Se o roteiro acerta no trabalho de desenvolver de maneira sensível os dramas da personagem principal (seja em seu relacionamento com o marido, seja os momentos com a filha), a direção de Burton merece elogio no quesito “menos é mais”. Mesmo sem a presença de elementos fantásticos, típico de vários dos trabalhos do diretor, o visual como um todo continua sendo um acerto, do figurino à bela fotografia de Bruno Delbonnel (Sombras da Noite). Coroando tudo isso, a agradável trilha de Danny Elfman (A Noiva Cadáver), que combina com o tom do filme.

Amy Adams e a verdadeira Margaret Keane
Amy Adams e a verdadeira Margaret Keane

Se o filme não chegar a ser memorável, ele pode marcar uma virada na carreira de Tim Burton. Se ao menos, ele dedicasse os próximos 5 anos a fazer somente esse tipo de filme… Mas aí você entra no IMDb e vê que ele tem planos para um Beetlejuice 2. Fazer o quê, né?

 

Nota: 7,5/ 10.

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