[REVIEW] A Viagem

Por Luís Gustavo Fonseca

A Viagem (Cloud Atlas, no original) foi um daqueles filmes que me deixou numa ansiedade do capeta, já que os trailers anunciavam a premissa de uma história diferente, inovadora, ousada. Afinal, qual foi a última vez que você ouviu falar de um filme que acompanha 6 histórias em tempos diferentes, de forma simultânea?

A definição mais simples que encontro para a obra é: “Um filme para toda vida”. Breve sinopse: o longa, baseado no livro de David Mitchell (não traduzido para o português, infelizmente) conta seis histórias: a de um advogado que conhece um escravo no século XIX; a de um compositor homossexual em busca de seu sonho no período pré Segunda Guerra; uma repórter ambientada em 1973, na discussão entre o uso de petróleo e a energia nuclear nos EUA; um velho editor de uma companhia de livros, passando por apertos, nos dias atuais; uma Seul distópica e futurista, em 2144; e um futuro muito mais distante, onde parece que a humanidade “se dividiu” e retrocedeu, numa mescla entre futurismo e tipo de tribalismo.

CLOUD ATLAS

O filme, além de apostar na temática do diálogo constante entre essas histórias, traz outros trunfos. A direção, dos irmãos Wachowski (Matrix), é uma delas. E como dá certo. Eles são criticados por não terem feito algo tão brilhante como Matrix depois do próprio, mas aqui, eu acho que eles recuperam a excelência do filme de 99 (talvez, também, pela ajuda de Tom Tykwer, diretor de Corra Lola, Corra. O trio é responsável pela direção e roteiro). Trabalho incrível! A maneira como a história é amarrada é feita de forma gratificante, fazendo o longa fluir, e mesmo que crie momentos mais arrastados (falarei disso depois), prendem atenção de quem vê. Como as diferentes histórias possuem um vínculo, o filme é semeado por diversas sutilezas, que quando percebidas, agradam o telespectador, por serem coisas singelas, mas significantes. As histórias em si também são ótimas e envolventes, trabalhando com temas variados, como escravidão, amor, família, religião, tudo com um desenvolvimento simultâneo. Tenho por mim que nenhuma delas fica muito a frente ou alguma fica pra trás.

Outro trunfo, sem dúvidas, é o elenco. Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving e Jim Broadbent, talvez os nomes mais conhecidos, mas o elenco como um todo está excelente. Mesmo porque, o elenco é o mesmo em todas as histórias! Aí entra a equipe de maquiagem, que recebeu a crítica de muita gente, mas pela proposta de sempre reutilizar o elenco, eu achei um sucesso. O trabalho feito com os atores para coloca-los nas mais variadas caracterizações, com momentos que é até difícil reconhece-los, teve minha aprovação. A mudança de posturas do elenco também é um destaque. Variando entre personagens do bem e do mal, vemos a versatilizações dos atores. Fascinante! Destaque maior para três deles: Tom Hanks (esse cara É FODA! Simples assim), Hugo Weaving (aqui, não com a excelência do Agente Smith, ou até mesmo do Elrond, mas como esse cara SABE SER VILÃO! Domina a arte de ser um), e o Jim Broadbent (ele é uma das coisas que eu curto no Harry Potter 6, mas aqui meu amigo, ele está BEYOND EPIC!).

Cloud atlas 2

Direção, roteiro, história, atuações, maquiagem… Como se não bastasse, o filme ainda tem cenários criados graficamente e paisagens incríveis, que felizmente não passaram para 3D, tornando o filme muito mais bonito. E a trilha… Ah, que trilha! Uma das mais bonitas que já ouvi na minha vida. O tema Sextet Cloud Atlas é uma obra prima, para nenhum Hans Zimmer ou John Williams botar defeito. Parabéns a Reinhold Heil, Johnny Klimek e Tom Tyker pela composição.

Os defeitos? Talvez o filme peque na ação, e nos períodos longos de “enrolação” ou de foco acentuado nos dramas dos personagens. O telespectador desatento, que pode não captar a maioria das conexões entre as histórias, vai chiar, principalmente pelo tempo longo do filme (quase 3 horas).

CLOUD ATLAS

No fim das contas, Cloud Atlas é um filme que merece ser visto uma, duas, três, quantas vezes for necessário, porque é uma obra de arte. Um filme que rapidamente entrou na minha lista de favoritos. O filme, aqui como A Viagem, talvez seja uma grande viagem (nos dois sentidos da palavra). Mas é uma viagem épica.

Nota: 8,5/ 10.

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