[REVIEW] Corações de Ferro

Por Matheus Araujo

Como um dos mais trágicos momentos que tivemos, a Segunda Guerra Mundial também se torna um dos mais interessantes. Uma fonte infinita de “inspiração” para homens durante várias e várias décadas recriarem a partir de sua destruição. Foram inúmeras abordagens ao longo de todo esse tempo, entre elas, verdadeiros clássicos: O Grande Ditador (1942), Lista de Schindler (1994), Band of Brothers (2001), Bastardos Inglórios (2009) – todos com sua perspectiva única. Em 2015, a distinção de Corações de Ferro mora dentro de um tanque de guerra chamado Fury.

O filme, dirigido e roteirizado por David Ayer, se situa no mais tardar da peleja e o grupo de Don “Wardaddy” Collier (Brad Pitt), o comandante do Fury, já marcha sobre solo alemão. Mas, claro, não sem muitas baixas ao enfrentar o desesperado exército nazista. Logo de início, somos apresentados a Norman Ellison (Logan Lerman), um novato, que possui a complicada função de substituir um dos cinco tripulantes do Fury. O desenrolar se dá a partir de sua integração ao grupo e às realidades da Guerra.

No campo do roteiro, encontro o ponto mais fraco do trabalho de Ayer. Não chega a ser desinteressante, mas falta um enredo mais coeso. Tudo é bastante situacional e, quando não, como na própria curva dramática de Lerman, o filme se configura demasiadamente convencional. Contudo, ainda é possível elogiar, e como um dos pontos altos de sua escrita, ressalto alguns momentos na interação entre os habitantes do Fury, mas nada em diálogos mais “sérios”, apenas quando de forma despretensiosa (por exemplo, quando por pura provocação se questiona ao personagem religioso se Jesus ama Hitler) ou calados. Ayer é melhor despretensioso e calado. Seu êxito se faz no que tange ao ser visual.

Brad Pitt;Logan Lerman

Corações de Ferro só se torna forte pela imagem. O filme é repleto de cenas pesadas, da sanguinolência farta ao não filmar com pudor um soldado se suicidar com tiro na cabeça após ser incendiado. A meu ver, nada gratuito, pois concordo com o que diz Wardaddy: “Ideals are peaceful. History is violent.”

A fotografia dentro do Fury se destaca por não ser algo tão explorado por aí. O curto ambiente é respeitado, sentido e utilizado. Fora dele, a estética é a tradicional, com exceção que mantém, em momentos, a característica mais fechada de filmar.

Outras tecnicidades também se encontram nos conformes do que se espera de um filme de guerra, como o trabalho sonoro. Entretanto, sua ação não se equipara aos mais célebres do gênero e, por vezes, não se entende o que se passa em tela. Para compensar, um sucesso de Ayer é o bom ritmo da película, apesar de seus 134 minutos. Quando se toma um fôlego, vale a pena, mas o filme poderia fechar perfeitamente em torno das 2 horas. Os efeitos especiais são ótimos, mas, mesmo depois daquela pesquisada ligeira, estranho as cores dos disparos. Parecem lasers e me sinto assistindo a Star Wars. É uma pena que eu não conheça a Segunda Guerra ao nível de reconhecer armamento e tal. Do ponto de vista da minha ignorância, a produção está fabulosa. Ademais, a trilha também toma crédito por essa ambientação e tem seus momentos interessantes.

1231428 - FURY

A alma de “Fury” é literalmente sua tripulação: Brad Pitt, que encontrava o desafio de se distinguir do bastardo Aldo Raine, performa novamente com muita presença. Esse filhadaputa sabe se impor. Seu sargento é um personagem calejado, repleto de cicatrizes dos horrores da guerra; Shia LaBeouf tem bons momentos. Está mais contido que o normal, mas não decepciona os críticos de seu estilo Shia LaBeouf; Jon Bernthal (o Shane de The Walking Dead!) surpreende e faz uma ótima oposição ao personagem de Logan Lerman, outro ponto forte do elenco, mas ambos possuem seus momentos de exagero; o ponto fraco do quinteto é o Michael Peña, sobretudo, porque estraga a cena na casa das alemãs – uma das mais interessantes. Nenhum deles está no melhor trabalho que já tiveram, um mantra do grupo na obra, mas convencem sem maiores problemas.

Corações de Ferro não é um clássico de guerra, mas vale a menção nesse infindável registro. Ao fim, parafraseio novamente o personagem de Pitt: “É melhor do que bom”.

Nota: 7,5/ 10.

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