[REVIEW] O Destino de Júpiter

Por Matheus Araujo

É possível se analisar O Destino de Júpiter entre a última obra dos irmãos Wachowski, A Viagem, e aquela pela qual nós os conhecemos, Matrix. Não que a fusão dessas seja o novo filme em sua completude, mas elementos importantes desses predecessores, como “o mundo não é bem o que parece”, “você é especial”, “o espiritualismo”, e até detalhes, como os paralelos com os contos infantis, marcam forte presença nas vagarosas duas horas de filme.

Sei que os fatores “o mundo não é bem o que parece” e “você é especial” são clássicos, presentes na maioria das histórias e compõem a famosa Jornada do Herói. Mas teimo em ser chato já que, em O Destino de Júpiter, essa mesma jornada não possui metade do brilho de Matrix. Quando a protagonista Júpiter (Mila Kunis) é apresentada às novas fronteiras do universo, além de uma confusão interminável em meio a nomes que ninguém se importa, tudo é feito com desleixo. A exposição não possui qualquer disfarce e acrescenta ainda mais diálogos terríveis ao roteiro. É impressionante como os irmãos se embaralham mais em uma história linear, diferente do desafio de A Viagem, e com ideias menos interessantes e mais simples que as de Matrix.

Antes de continuar, e para deixar todas essas reclamações mais claras, a sinopse: Júpiter é uma garota infeliz em sua vida de gata borralheira. Repentinamente, ela descobre ser a reencarnação da matriarca de uma das famílias mais poderosas do universo, um motivo de bastante infelicidade para os atuais portadores desse poder. Com diversos interesses envolvidos em seu retorno, Júpiter deve contornar as ameaças necessárias e assumir sua posição (tão merecida) com a ajuda de Caine Wise (Channing Tatum). Tudo tão genérico e rasamente explorado que não se faz necessário maiores pormenores.

JupiterAscending-MilaQueen

Voltando… Os personagens também não contribuem para a salvação do roteiro. Sempre duvidei da capacidade de Mila Kunis em segurar um filme e ela não se provou contrária a mim. Claro, muito não é sua culpa, já que não é dada a Júpiter a oportunidade de cativar. Bem similar à atriz, o elenco de apoio não fede nem cheira, mas Eddie Redmayne está afetadíssimo como o principal vilão da trama. Faltam motivos para um trabalho tão destoante e é curioso que O Destino de Júpiter diste de apenas uma semana de sua excepcional interpretação em A Teoria de Tudo.

Channing Tatum é mais eficiente que os demais, apesar da falta de química constrangedora em alguns momentos com a protagonista. Ele não possui grandes desafios e encara tudo na simplicidade, já que seu patinador mestiço albino de terráqueo com lobo (haja insanidade!) se concentra basicamente na ação, que aproveito para comentar, é melhor que a de A Viagem, mas jamais chega aos pés da pancadaria icônica de Matrix.

O visual é um dos poucos aspectos fortes da película e demonstra uma evolução em relação ao último filme dos irmãos, justificando o orçamento. A maquiagem é melhor, mas não menos “corajosa”, e faz com que eu tenha saudades da época em que o exótico desses caras era preto, óculos escuros, couro, sobretudo e muito gel. Os detalhes, como o das marcas, e a diversidade dos cenários são o que empurram os inacreditáveis longos 127 minutos. Apesar de todo meu mimimi até agora, o que realmente mata esse filme é a falta de ritmo. São 127 minutos só no papel, meu amigo.

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Sonoramente O Destino de Júpiter não é tão belo quanto Cloud Atlas, mas ainda ótimo e se configura como outro ponto forte. Na mixagem em si, chama atenção, após abordagens mais sérias, a presença de som no espaço. Um som que escapa à trilha sonora e mostra uma despretensão, volto a bater na tecla, que os Wachowski não tiveram em apresentar cada canto de seu novo mundo.

O Destino de Júpiter é o mais decepcionante trabalho dos irmãos Wachowski. Não duvido que se configure como a terceira baixa bilheteria consecutiva deles, o que consolidaria mais de dez anos longe dos sucessos no ofício da direção. Uma pena, pois o universo apresentado demonstrou, mesmo que raramente, potencial.

Nota: 5/ 10.

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