O Lobo de Wall Street

“História real vira uma overdose de exagero e megalomania nas mãos de Martin Scorsese, em mais um filme que poderia render um Oscar a Leo DiCaprio”

Por Luís Gustavo Fonseca

Kubrick, Copolla, Hitchcock, Spielberg e Scorsese. Quando se fala em diretores antigos, dos filmes clássicos, esses são os principais nomes que saltam a minha mente. Coincidentemente, ou não vi, ou pouco vi de alguém deste quinteto, e como “amante” de cinema, carrego isso como uma vergonha que um dia, quem sabe, será remediada.

E dos 5, o meu favorito é o Scorsese, mesmo que na minha lista, estejam ausentes filmes como Bons Companheiros. Porém, um dos meus filmes prediletos é o sensacional Os Infiltrados, melhor filme de 2007, e o outro é o formidável (ainda sendo a dupla Martin-Leo) Ilha do Medo, um FILMAÇO, que talvez seja o trabalho do DiCaprio que eu mais goste.

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Por causa disso, esperava muito O Lobo de Wall Street. Acho que depois do 12 Anos, era o filme do Oscar que eu mais esperava para chegar no início de 2014. A história conta a ascensão de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) como corretor de bolsa de valores, e após não ter sucesso em Wall Street, ele decide abrir a sua própria empresa de corretores, em parceria com Donnie Azoff (Jonah Hill), a princípio um desconhecido, mas depois seu braço direito. A dupla, com mais alguns amigos de Jordan, constroem um império, e aproveitam dos milhões que ganham para viverem uma vida de luxúria, drogas, bebidas, gastos descontrolados, e avareza imensurável. Típico do mundo de Wall Street.

O Lobo é aquele filme que o Scorsese deve ter pensado: “Já ganhei de tudo, já sou um cara aclamado, não preciso fazer mais nada na minha vida… Quer saber? Vou extravasar, soltar os cachorros, debochar e fazer um filme porralokíssima com meu querido amigo Leo, e foda-se!”. Pronto, saiu o filme. Lobo provavelmente não tem nada em comum com a maioria dos filmes dele, e por isso, o tom diferente. Bastante engraçado (um humor mais acentuado do que em Os Infiltrados), o filme não poupa no exagero, tornando-o frenético. Poxa, as cenas desenrolam na tela como um turbilhão, toda hora lá e cá, mil e uma merdas acontecendo, tanto que, na hora que o filme para de correr, fica arrastado demais. Qualquer cena mais desacelerada com duração maior que 2 minutos e meio torna-se ‘chata’ e dessincronizada com o resto do filme. Um ponto negativo, mas enquanto o filme tá na avalanche de loucura, ele é excelente.

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Outro problema, já pondo o roteiro no meio da dança: QUE FILME LONGO! É verdade que o livro que brotou nas livrarias é grosso, mas meu Deus, Scorsese ficou horas no telefone com o Peter Jackson é? Três fucking horas eu achei desnecessariamente longas, poderia ser em 2h30, até 2h20. É o mesmo caso do Os Suspeitos (2013): ele ter o tempo que tem não é ruim, mas talvez ele funcionasse melhor sendo mais curto. Apesar disso, o roteiro assinado por Terence Winter (Boardwalk Empire) dificilmente perde a atenção do espectador, e principalmente, cria (ou adapta?) cada situação hilária e inacreditável, que as risadas são garantidas.

Nas atuações, temos, novamente, um SHOW do meu ator preferido, Leonardo DiCaprio. Que cara S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!  A liberdade que ele teve no filme foi total, tendo uma atuação de gala. O problema é que a concorrência foi demais: no Oscar, houve os nomes de Christhian Bale (talvez o único que eu não ache que merecia estar entre os finalistas), Chiwetel Ejiofor, Dern, e a porra do “Macarronei”, vivendo sua era de Ouro. Poderia se dizer que é mais uma injustiça? Talvez. Mas não importa. Esse cara chegou a um ponto que ele não precisa mais da estatueta, e sim o contrário. A cena dele se arrastando em direção ao carro é a prova disso.

Esta cena é ESPETACULAR!
Esta cena é ESPETACULAR!

JÁ o caso do Jonah Hill… Acho que aproveitaram o tema de valorização do filme e SUPER VALORIZARAM o trabalho do cara. Tá bom? Tá, mas ele no Moneyball é BEM melhor. Dói ainda mais saber que tiraram o Daniel Bruhl da reta para por ele. Entretanto, friso que a química entre ele e o Leo funciona perfeitamente. E o resto do elenco? Como diria o Belfort, “Esquece, você realmente não está prestando atenção nisso”, pois diante do exagero das bebidas, das situações e dos peitos, fica difícil avaliar qualquer outra atuação que não a desses dois. Entretanto, ninguém atrapalha. (Mas a beleza de Margot Robbie TEM QUE SER DESTACADA! QUE ESPETÁCULO!)

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Por fim, a edição do filme é muito boa (principalmente no começo do filme); e a trilha também é satisfatória, mesmo não sendo fantástica. Enfim, Lobo pagou a decepção que eu tenho com o Hugo Cabret, que é um bom filme, mas eu não acho que merecia ganhar todos aqueles Oscar. Fica a vontade, agora, de ler o livro, e saber ainda mais sobre as loucuras de Wall Street.

Nota: 9/ 10.

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