Uma Aventura LEGO

“Nostalgia embala ousada e criativa animação da Warner Bros.”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Eu já cresci em uma geração que começava a passar seu tempo livre em contato com eletrônicos, seja jogando o pinball que tinha no Windows, seja jogando o bom e velho Super Nintendo. Porém, ainda havia, claro, tempo para as brincadeiras com os amigos, sejam elas o famoso pega-pega, a amarelinha, pique-esconde, futebol, bonequinhos, carrinhos, os jogos de tabuleiro, como os clássicos Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, entre tantos outros…

Um brinquedo (que alguns cultuam como uma verdadeira arte) que atravessou gerações, e eu tive contato também, eram os LEGO’s. Puxa, vai ser bom! A molecada passava horas montando ali QUALQUER COISA (literalmente, qualquer forma abstrata ganhava vida nas montagens), e deixava a imaginação fluir. O LEGO, com o passar do tempo, deixou de ser apenas um brinquedo, para virar um legado, algo mundialmente famoso e que é difícil encontrar alguém que não goste (por mais vezes que ela possa pisar em uma peça esquecida no chão). Uma pena que aqueles sets maneiros que eles lançam, temáticos, são caros… Nunca deu para eu investir pesado nisso (mas tá na lista de aquisições para minha fase adulta!)

lego 4

E aí, em 2013, veio a notícia bombástica: LEGO iria ganhar um filme, e eu PIREI nisso. Sobretudo que o filme, por ser da WB, faria um crossover fantástico, envolvendo alguns heróis da Liga da Justiça, Gandalf, Dumbledore e outros personagens… Sem contar que era um filme do LEGO, claro! Em stop-motion ou não, valia o ingresso já.

Na trama, o Sr. Negócios (Will Ferrell) ameaça o universo LEGO com uma terrível arma secreta, e após tomar posse dela, passando por cima do mago Vitruvius (Morgan Freeman), nada parece ser capaz de detê-lo. Entretanto, o mago profetiza que, um dia, algum cidadão especial seria capaz de deter os planos do vilão. E esse cidadão é nada mais nada menos que o normal, seguidor de regras e NADA brilhante, Emmet Brickowoski (Chris Pratt, a estrela mais rentável da bilheteria estadunidense em 2014).

 lego 2

A direção e roteiro do filme ficam nas mãos de Phil Lord e Christopher Miller, dupla responsável por Tá Chovendo Hambúrguer 1 e 2. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o modo como a animação foi feita. O stop-motion teria ficado legal? TALVEZ sim (se bem que depois de Boxtrolls, perco parte da minha fé na técnica). Eu gostaria de visitar a realidade na qual o filme foi feito desse modo, tenho curiosidade. Espero que o Bluray tenha entrevistas (quem sabe, até uns esboços ou umas tentativas) deles gravando nesse estilo. Porém, eles optaram pela animação ‘normal’ mesmo (não a normal 3D do Toy Story, mas aquela animação fluída, neste estilo). O resultado ficou igualmente brilhante. Quem por acaso viu o Detona Ralph, sabe que os personagens dos jogos de 8 bits tinham aquela movimentação ‘travada’, característica dos games, e aqui eles repetem essa coreografia: os bonequinhos andam meio travadinhos, respeitando ali os limites de movimentação que eles permitem. Mas acho que o mais incrível em termos de animação eram as explosões ou as demolições do filme, algo LINDO! Ficou um resultado tão natural, mas de certa forma, diferente.

O resultado da animação do filme

Já o roteiro… A história é bem clichê. Além dos personagens citados, temos o Batman (Will Arnett) sendo O BATMAN; a WildStyle (Elizabeth Banks), que a princípio faz o papel da menina revoltada porque ela não é a escolhida da profecia, mas eventualmente começa a gostar do protagonista; e outros coadjuvantes, como um pirata meio Transformer; um astronauta louco para construir naves; e uma gatinha que parece que foi feito daqueles papelões, parecendo uma sátira ao My Little Pony. História mediana, previsível, o que me deixou tanto decepcionado com isso. PORÉM, no começo tem uma pegada meio 1984 e Admirável Mundo Novo, com ares de distopia bacana; e um plot twist no climáx que eu achei super válido, e até cria um debate.

A dublagem não está nem boa, nem ruim, mas o filme perde por ter no elenco atores com vozes tão facilmente reconhecíveis (poxa, ainda tem o Liam Nesson como um policial do bem e do mal). E o 3D… O MAIS FRACO que já vi em uma animação. Pior ainda é que o filme, em vários momentos, se esforça para fazer cenas que utilizem a técnica, mas que falharam miseravelmente.

lego 3

Por fim, o filme vale muito pela nostalgia criada, vendo ali um de nossos passatempos prediletos ganhando vida, e a imaginação comendo solta. Filme divertido, para pais e filhos, e que venha logo a continuação, marcada para ano que vem. Recomendadíssimo.

Nota: 8/ 10.


Anúncios

10 comentários sobre “Uma Aventura LEGO

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s